
Travestis acusam policiais militares que trabalham como seguranças de obrigar clientes a se vestirem como mulheres para serem fotografados. A acusação é de travestis que se prostituem próximo ao Jockey Club de São Paulo.
Duas fotos de um homem são compartilhadas no Whatsapp. Travestis reconheceram o homem como um caminhoneiro que faz programas com elas em Cidade Jardim. Nas imagens, o homem usa peruca, minissaia, sandálias e está com as unhas das mãos e dos pés pintadas. Em uma das imagens é possível ver um caminhão estacionado.
Em entrevista ao G1, as travestis contaram que as imagens foram feitas por policiais à paisana na noite de 5 de outubro em um muro conhecido como ‘paredão’ na rua São Cassiano. Contaram ainda que os policiais ameaçam os clientes de que vão divulgar as fotos nas redes sociais se continuarem a frequentar o local em busca de programas. “Agora eles [policiais] estão dando de pegar os clientes, de vestir os clientes de mulher, e aí ficar tirando foto”, disse uma travesti.
Ainda segundo eles, os policiais militares trabalham como seguranças na região, recebendo até R$ 5 mil mensais para acabar com a prostituição na área.
A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) já investiga a denúncia de 24 travestis de que oito policiais militares batem nelas desde junho com socos, chutes e armas. As travestis haviam contado que os policiais ainda atiram balas de borracha nas costas e nádegas, chegando a ter jogado bombas de efeito moral na tentativa de expulsá-las da região.
O caso também é investigado pela Corregedoria da Polícia Militar na esfera administrativa, pois os policiais são proibidos de fazer ‘bicos’ não oficiais, mesmo em suas folgas.
As fotos dos supostos clientes serão encaminhadas para o Centro de Cidadania LGBT da prefeitura de São Paulo, para depois registraram nova queixa na Decradi.