Prontos para dar o bote, seja de forma presencial ou usando a tecnologia como aliada no crime, golpistas têm feito uma média de três vítimas idosas por dia na Grande Vitória.
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A informação foi passada pelo presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos no Estado, Janio Araújo, que diz que os números são crescentes.
Com uma boa lábia, os bandidos envolvem os idosos e fazem promessas que parecem ser boas para os aposentados e pensionistas no aspecto financeiro. Entres as iscas estão a realização de portabilidade de uma instituição financeira para outra, usando a desculpa que irá trocar um empréstimo por outro, com juros menores.
Foi o que aconteceu com uma aposentada de 68 anos. Janio, inclusive, soube desse caso através de uma amiga e a orientou a denunciar o caso à polícia e ao Procon.
À reportagem, a aposentada contou que tinha dois empréstimos, com prestações que, somadas, totalizavam R$ 400, por mês.
Na última segunda-feira, ela recebeu a ligação de uma mulher, que tinha todos os seus dados pessoais e sabia dos empréstimos.
Do outra lado da linha, a golpista, que se passava por funcionária de uma instituição financeira, dizia que se a aposentada fizesse uma portabilidade, ela iria trocar a prestação de R$ 400 para R$ 192.
Acreditando na farsante, a aposentada aceitou o que estava sendo proposto e, ao final da conversa, percebeu que foi vítima de um golpe e que agora está com três empréstimos para pagar, ou seja, uma prestação mensal de quase R$600, com pagamento final para 2029.
O terceiro empréstimo é no valor de R$ 7.554,16. “Eu cai igual uma idiota. Estou arrasada, sem dormir. Eu denunciei o caso à polícia e espero que essa pilantra seja presa”, lamentou a aposentada, que pediu para que o seu nome seja preservado.
No comando da Delegacia de Defraudações e Falsificações (Defa), o delegado Douglas Vieira, pede que as vítimas denunciem os casos.
Ele diz que entre os golpes mais comuns cometidos contra idosos estão os do falso bilhete premiado – a exemplo de uma aposentada que perdeu R$ 200 mil na última terça-feira (28) quando foi surpreendida ao caminhar na orla de Camburi, na capital -, bem como o golpe em que o criminoso cria um perfil de WhatsApp com a foto da vítima e se passa por ela, pedindo dinheiro.
Idosa perde R$ 200 mil em esquema de bilhete premiado
Aos 75 anos, uma aposentada foi vítima do golpe do bilhete premiado e teve um prejuízo de R$ 200 mil, após ter sido abordada por dois criminosos quando caminhava pela avenida Dante Micheline, na Mata da Praia, em Vitória. Parte da quadrilha, foi presa horas depois.
Tudo começou na manhã da última terça-feira quando a idosa foi abordada por um rapaz, que se identificou como morador de Santa Teresa. Ele disse que procurava o endereço de uma loja na capital. Um segundo bandido, disfarçado de corretor de imóveis, chega e ambos começam a montar um verdadeiro teatro.
Um deles diz que estava com um bilhete de loteria premiado no valor de R$ 2 milhões e que se ela efetuasse a transferência no valor de R$ 200 mil para a conta do destinatário e apresentasse o extrato, ela receberia parte do valor.
Acreditando na história, a vítima foi levada até a agência bancária, no bairro Parque Residencial Laranjeiras, na Serra, pela dupla que a abordaram em Vitória. Lá, a idosa fez a transferência.
Depois disso, ela entrou no carro dos bandidos e eles a abandonaram na BR-101, na Serra, dizendo que iriam comprar água.
Somente neste momento, a ficha dela caiu. A vítima ligou para um funcionário da empresa da família e pediu o extrato da conta e quando foi questionada sobre o motivo, ela desconversou e desligou o telefone.
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Desconfiado, o funcionário decidiu verificar o extrato pelo aplicativo e constatou que uma transferência foi feita. Em seguida, ele foi até a agência e pediu bloqueio da conta e ligou para a Polícia Militar.
Durante policiamento em Parque Residencial Laranjeiras, na Serra, os militares se depararam com a vítima e, horas depois, prenderam três homens e uma mulher.
Todos foram encaminhados para a 3ª Delegacia Regional. A Polícia Civil disse que os três conduzidos, sendo a mulher de 34 anos e dois homens de 32 e 35 anos, foram autuados em flagrante pelo crime de estelionato e encaminhados ao sistema prisional.
Bernardo Oliveira Carneiro, advogado da vítima, disse que está tomando medidas cabíveis na tentativa de recuperar o dinheiro da sua cliente.
Bandidos têm até grupos de WhatsApp para definir táticas
Quem não troca mensagens em grupos de WhatsApp para tratar de variados temas? “Armados” com tecnologia, até os bandidos usam a ferramenta para definir estratégias para aplicar seus golpes.
O delegado Douglas Vieira conta que geralmente os bandidos que agem no Espírito Santo são de outros estados, como São Paulo, Minas Gerais e Goiás e muitos se comunicam em grupos.
As investigações apontam que alguns dizem nos grupos que já aplicaram determinada quantidade de golpes em um local e para não serem reconhecidos e presos, vão para outros lugares. “Eles falam ainda quais golpes estão praticando e quais desculpas estão dando”.
O delegado conta que geralmente o idoso demora alguns dias para denunciar, o que dificuldade a prisão, já que dá tempo do golpista fugir para outro estado .
Se condenados, esse tipo de crime praticado contra o idoso, pode resultar em uma pena máxima de até 18 anos de prisão, considerando estelionato e organização criminosa.
Saiba Mais
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Golpe do WhatsApp
Os bandidos criam um perfil de WhatsApp com a foto da vítima, possivelmente encontrada em redes sociais. Por meio do aplicativo de mensagens instantâneas, eles entram em contato com familiares, passando-se por ela e dizem que o número de telefone mudou.
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Após trocas de mensagens, eles inventam uma desculpa e pedem que o idoso faça uma transferência bancária, sob o argumento de que a quantia será devolvida em breve.
Dica para não cair: Para identificar se a história é verdade ou um golpe, entre em contato com a pessoa que supostamente esteja pedindo dinheiro por meio de outro número de telefone, como o do “antigo” WhatsApp.
Bilhete premiado
O golpe funciona por meio de uma promessa dos criminosos de dividir o prêmio da loteria com a vítima. No entanto, para concretizar a divisão, os golpistas pedem uma grande quantia de dinheiro. Após a vítima ser convencida a entregar o dinheiro, os vigaristas somem.
Dica para não cair: Observe que o bandido está bem vestido, em um carro bom e conversa bem. Fale que não está interessado e saia, peça ajuda e denuncie à polícia.
Troca de cartão
O golpista observa a vítima na agência bancária, quando ela sai,a aborda e explica que deu um erro na transação e pede para ver o cartão, momento em que acontece a troca do cartão. Após verificar que o cartão pertence a outra pessoa, vem outra descoberta: os valores da conta foram sacados e transferidos.
Dica para não cair: Jamais entregue o cartão bancário para estranhos.
Carro quebrado
O bandido liga e diz: “Oi, tio, meu carro quebrou, preciso de ajuda”. Na maioria das vezes, a vítima pergunta se quem fala é algum sobrinho, citando o nome, ou outro familiar e o golpista confirma. Ele solicita transferências ou recargas de celular.
Dica para não cair: Apesar do susto, acalme-se, desligue o telefone e entre em contato com o familiar que acredita ter pedido ajuda para confirmar o ocorrido.
Falso motoboy
A vítima recebe uma ligação do golpista que se passa por um funcionário de um banco. Ele informa que o cartão foi clonado e que deve ser bloqueado. Em seguida, ele solicita dados da vítima, como senha, e recomenda que o cartão seja cortado ao meio (sem danificar o chip). Na sequência, avisa que um motoboy vai até o endereço recolher o cartão.
Dica para não cair: Desligue o telefone e consulte o gerente sobre alguma irregularidade. Nenhum banco pede o cartão de volta ou oferece para buscá-lo.
Fonte: Polícia Civil