Moradores estão ficando, a cada dia mais, à mercê de ataques e intimidações de viciados em drogas, principalmente em crack. Em pelo menos 20 bairros da Grande Vitória a situação está mais alarmante e as pessoas cobram segurança.
Bastou a reportagem circular pelas ruas ontem para flagrar o uso de drogas durante o dia. Nos locais, relatos de agressões e intimidações. Lideranças de bairros também confirmam a situação.
É o caso de Jardim Camburi, na capital. Há exatamente uma semana, na feira livre do bairro, tomada por famílias e crianças, dois viciados se esfaquearam, segundo o presidente da Associação Comunitária do bairro, Enock Sampaio.
“Pedimos socorro porque o nosso bairro virou dormitório dos viciados. Eles dormem nas marquises e, à noite, planejam arrombamentos e roubos. Simulam estar dormindo com cobertor, mas ficam armando”, lamenta Enock
No Centro, cenário semelhante. O comerciante José Oliveira, 59, sofre com viciados em frente ao seu estabelecimento.
“Quando os clientes não dão dinheiro, eles xingam e jogam o que têm na mão, como sapatos, e dão chutes na porta. Eles pedem até marmitex, que são trocadas por crack”.
Para ele, é preciso ação do poder público. “Estamos abandonados. Do jeito como está, não dá para ficar. Precisamos de segurança.”

Na Praia das Gaivotas, viciados abordam os moradores e pedem dinheiro. “Se você não der, eles ficam agressivos, encarando, acuando. Eles também traficam crack. Até o movimento das barraquinhas na praça diminuiu”, conta Marilene Machado, vice-presidente da Associação de Moradores.
Em Divino Espírito Santo, próximo ao Terminal Vila Velha, os usuários armaram cabanas e amedrontam quem circula pelo local, quem vela parentes na capela mortuária ou busca filhos na escola.
Em Cariacica e Serra, a agonia ganha território em Campo Grande, São Francisco, Rio Branco e Jardim Limoeiro.

