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Polícia

Vigaristas usam robôs e clonam Whatsapp de 73 mil

Usando de bom papo, artimanhas de convencimento e se aproveitando da falta de atenção de muitos, criminosos estão conseguindo fazer milhares de ...

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Whatsapp (Foto: Pixabay)

Usando de bom papo, artimanhas de convencimento e se aproveitando da falta de atenção de muitos, criminosos estão conseguindo fazer milhares de vítimas com o golpe de clonagem de WhatsApp. Somente no ano passado, 73 mil pessoas caíram na lábia dos bandidos no Estado.

Os dados foram divulgados pelo laboratório especializado em segurança digital da PSafe. Ao todo, no País, foram cerca de 5 milhões de vítimas. Para aumentar o potencial de alcance dos ataques, os vigaristas estão utilizando robôs.

“Eles instalam um sistema em um computador que suporte WhatsApp. Daí eles criarão várias máquinas virtuais e massificam o ataque. Não vão precisar de um aparelho de celular para cada WhatsApp que foram instalar”, explicou o professor da UCL e especialista em segurança da informação João Paulo Machado Chamon.

Desta forma, o ataque se torna mais veloz e os bandidos conseguem atingir muitas vítimas em um curto período de tempo.

O golpe consiste no fato do criminoso conseguir se apropriar da conta do aplicativo da vítima e enviar mensagens solicitando dinheiro para contatos da agenda dela. Os bandidos podem copiar a conta ou sequestrar a mesma.

Reforço na segurança com digital

Eduardo Pinheiro disse que sites de anúncio online são a armadilha mais usada pelos golpistas para a fraude (Foto: Thiago Coutinho — 17/11/2018)

Uma das formas de evitar cair nesse tipo de golpe é ativar o desbloqueio biométrico. O WhatsApp resolveu adicionar a camada extra de proteção para a versão do aplicativo no computador. Isso porque, com a pandemia, muitos profissionais passaram a trabalhar em casa e o uso da ferramenta aumentou.

O uso da camada de proteção é indicado, mas não é obrigatório. A novidade, se ativada, vai funcionar da seguinte forma para vincular o desktop à conta do WhatsApp: antes da leitura do código QR será solicitado o desbloqueio por reconhecimento facial ou impressão digital.

Tal autenticação vai ocorrer no próprio celular. Depois que fizer a identificação, o usuário poderá se conectar ao WhatsApp Web normalmente. De acordo com a empresa, o recurso diminui a chance de um conhecido, seja em casa ou no escritório, vincular dispositivos à sua conta do WhatsApp.

A novidade será lançada nas próximas semanas, junto a um design repaginado da tela do WhatsApp Web nos celulares, para usuários com dispositivos compatíveis: todos que operam a partir do iOS 14 com Touch ID ou Face ID (iPhone 5s em diante); e para androids com desbloqueio por reconhecimento facial, impressão digital ou por íris.

O mecanismo de segurança vai ser habilitado por padrão em aparelhos compatíveis e não há opção para removê-lo – a não ser que a pessoa desative a leitura de impressão digital ou reconhecimento facial no aparelho em si.

“Os criminosos conseguem o número de telefone da vítima nas redes sociais ou em anúncios online e depois, utilizando engenharia social, induzem a vítima a fornecer o código de instalação do WhatsApp com uma história apropriada para cada perfil de vítima”, explicou Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital.

A partir daí, o golpista consegue acessar a conta de WhatsApp da vítima e conversar com familiares e amigos dela. Ele inventa uma história, se passando pela vítima, e pede dinheiro a essas pessoas, que muitas vezes acabam caindo no golpe e perdendo grandes quantias. Elas só percebem o golpe depois.

Segundo Eduardo, pessoas mal informadas e sem conhecimento em segurança digital são as mais vulneráveis a cair neste tipo de golpe. Ele destacou que, no ano passado, a pandemia proporcionou várias oportunidades ao criminoso.

“De criação de armadilhas como o benefício emergencial e outros serviços ofertados supostamente devido ao isolamento social, como descontos na conta de energia elétrica e outras coisas”, ressaltou o especialista.

Uma ocorrência na polícia todo dia por causa da ação golpista

Brenno Andrade: é preciso registrar (Foto: Dayana Souza/AT)

Nem todas as pessoas que são vítimas da clonagem de WhatsApp comparecem à delegacia para registrar o boletim de ocorrência, como é recomendado. Porém, ao menos uma vítima por dia procura ajuda policial relatando o crime. Há casos em que os alvos perdem até R$ 30 mil para os golpistas.

De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, o registro da ocorrência é essencial para o trabalho da polícia. “Muitas vezes as pessoas não registram. Mas seria importante para que possamos pontuar e dar ênfase na maior resolução dos casos”, disse.

A vítima pode comparecer a uma delegacia física, ou fazer o registro através da Delegacia Online. “São golpes que os criminosos ganham muito dinheiro de forma ilícita. Há casos em que as pessoas perderam até R$ 30 mil”.

Brenno destacou que quase 100% dos casos poderiam ser evitados. “É só ter atenção. Os criminosos se utilizam de engenharia social para criar histórias e muitas pessoas acabam caindo. Se tiver atenção, não caem no golpe”.

Ele deu dicas de como ficar alerta com esse tipo de situação. “Ter cuidado ao clicar em links, desconfiar sempre, não compartilhar com ninguém códigos que receber por SMS. E quando o criminoso passar o número de conta do banco e agência, a pessoa pode jogar no Google que vai perceber que sempre é de outro estado”.

De acordo com o especialista em segurança João Paulo Machado Chamon, a engenharia social é usada por todos os criminosos na aplicação deste tipo de golpe.

“Nada mais é do que convencer a pessoa no papo, de tentar levar na lábia. Aconteceu com o auxílio emergencial e vai acontecer com o agendamento da vacina. As pessoas precisam ficar atentas”.


Verificação em duas etapas é a saída


5 milhões de vítimas

  • A pandemia do coronavírus fez com que o número de casos de clonagem de WhatsApp disparasse. Em todo o País, foram mais de 5 milhões de vítimas. Já no Estado, 73 mil pessoas foram alvos dos criminosos.
  • De acordo com o especialista em segurança digital Eduardo Pinheiro, existem duas formas de aplicação do golpe: o sequestro e a clonagem.
  • O sequestro acontece quando o criminoso invade a conta da vítima, fazendo com que ela perca completamente o acesso.
  • A partir daí ele passa a contactar os familiares e amigos da vítima, simulando situações de urgência e pedindo dinheiro.
  • Existem várias forma de conseguir o acesso à conta da pessoa. Uma delas é usando o código de verificação do WhatsApp.
  • Já na clonagem o criminoso não invade a conta da vítima, ele usa o nome e uma foto dela, em outro número de telefone.

Como se prevenir?

  • Reforçar a segurança do aparelho com antivírus e aplicativos que enviam alertas de segurança.
  • Tenha cuidado ao clicar em links compartilhados pelo WhatsApp ou redes sociais. Desconfie de promoções, notícias sensacionalistas e descontos.
  • Não faça transferências bancárias para uma pessoa sem se certificar (por meio de uma ligação telefônica) que é ela mesmo quem está pedindo.
  • O especialista em segurança Eduardo Pinheiro destacou que é essencial fazer a verificação em duas etapas. Ela pode ser feita da seguinte forma:
  • Vá em Configuração, clique na opção “Conta”. Na próxima tela, clique em “Confirmação em duas etapas”. Depois clique em “Ativar”.
  • Cadastre um código e não repasse para ninguém. Cadastre também um e-mail, clique em confirmar e salvar.

Fui clonado, o que faço?

  • Segundo Eduardo Pinheiro, um dos primeiros passos é avisar às pessoas que você foi vítima. Isso vai evitar que ela transfira dinheiro para os criminosos.
  • Depois, é preciso tentar recuperar a conta que foi perdida. Em seguida, a vítima deve ir à delegacia.

Fonte: Eduardo Pinheiro e pesquisa AT.

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