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Governador reeleito com 1.171.288 votos para comandar o Estado nos próximos quatro anos, Renato Casagrande (PSB) anunciou na última segunda-feira (31) novas obras e concursos públicos com mais de 5 mil vagas.
Recebendo a reportagem de A Tribuna no Palácio Anchieta na tarde de ontem, Casagrande falou ainda sobre outros desafios em várias áreas, entre as quais buscará soluções para as BRs 101 e 262.
Além do anúncio de obras para a mobilidade urbana e da realização de concursos públicos, o governador reeleito Renato Casagrande (PSB) também destacou investimentos na área da educação: são mais 100 escolas em tempo integral, além de cursos e um ambiente escolar mais moderna e tecnológico.
Um dia após as eleições, Casagrande ainda pontuou medidas para diminuir as filas para cirurgias sem urgência, as chamadas cirurgias eletivas, e falou sobre os desafios e as vocações para o Espírito Santo nos próximos anos.
> A Tribuna – Para a educação, quais são as novidades para os próximos anos? Serão 100 escolas em tempo integral?
Renato Casagrande – Sim. São 132 escolas hoje e a ideia é termos mais 100 escolas nos próximos quatro anos.
Além disso, vamos ter a Escola do Futuro, que é a escola em um ambiente digital, para a gente formar nossos alunos do ensino médio em robótica, programação de computadores, em profissões mais em sintonia com o momento do mercado.
Será voltada para ter um ambiente digital e mais moderno, para alunos e professores. Queremos uma cultura digital forte nas nossas escolas, porque o mercado está exigindo isso dos jovens.
> Onde serão essas escolas?
Nossas escolas serão reformuladas para esse ambiente de alta tecnologia. Vamos começar com algumas já no próximo ano e vamos ampliando para a educação em tempo integral.
> Na saúde, o senhor falou em reduzir o tempo de espera nas filas, de 30 a 60 dias desde a consulta até a realização de cirurgia. Esse é o prazo mesmo?
Estamos avançando muito nas consultas, nos exames e nas cirurgias eletivas. O prazo exato ainda estamos avaliando, mas o adequado seria de 60 dias, da consulta à realização da cirurgia. A ideia é que a gente resolva o problema com novos contratos com hospitais filantrópicos e com parcerias com os municípios.
> Na pandemia muitos capixabas perderam emprego e renda. De que forma pretende dar sequência à recuperação?
Vou manter o Estado organizado. Nós, em 2021, batemos um recorde de geração de empregos, com mais com 53 mil postos. Em 2022, vamos bater o recorde de 2021.
O Espírito Santo tem hoje uma taxa de desemprego menor que a do Brasil. Nós saímos mais rapidamente da pandemia do que outros estados. Agora, vamos manter o Estado organizado, com bom ambiente de negócios e diálogo com o setor produtivo. Vamos investir em qualificação profissional.
Teremos uma linha de crédito com características especiais, de desburocratização e cursos, para jovens que queiram empreender. Vamos vincular um crédito para quem está fazendo o Qualificar ES.
Nós abrimos 18.200 empresas no ano passado. Esse ano será um número ainda maior. Todas essas medidas vão manter o Estado crescendo mais que a média nacional.
> Sobre a Terceira Ponte, o contrato termina no ano que vem. O que será feito?
O contrato termina em dezembro do ano que vem. Não tem nenhuma possibilidade de prorrogá-lo. Nós estamos conversando com a Arsi (Agência Reguladora de Saneamento Básico e Infraestrutura Viária do Espírito Santo).
Temos três alternativas: o Estado assumir o gerenciamento; uma nova concessão de manutenção; ou o Estado criar uma outra autarquia para gerenciar o sistema, mas eu não gosto muito dessa opção.
> O pedágio continua?
Se o Estado assumir, pode não continuar ou pode continuar, mas eu acho que uma concessão para manutenção talvez seja o melhor caminho. A Arsi está analisando.
> De quanto poderia ser essa redução?
Eu ainda não posso falar.
> Quanto aos servidores públicos, tem a intenção de conceder o abono salarial? Há prazo para isso? Qual seria o valor?
Tenho a intenção de conceder, sim, mas eu preciso pedir à minha equipe para analisar. Preciso saber no mês de novembro se teremos condições ou não.
Para conceder, teria que ser já em dezembro, para todos os servidores. Mas pode ser que a educação tenha um abono diferenciado. A minha ideia é, dentro das condições, dar abono para todos.
> O senhor espera uma explosão nos preços após a eleição?
Vai depender muito das medidas do governo. Acredito que o governo federal terá muitas dificuldades fiscais. Precisamos ver o que o presidente Lula vai fazer.
Acredito que ele tem condições de montar uma boa equipe econômica para dar segurança ao mercado, dar confiabilidade. Acredito que pode ajudar a controlar os preços com a equipe econômica que ele irá montar.
> Aqui no Estado, o senhor quer reduzir a alíquota do gás?
Sim. Vamos colocar o gás de cozinha na cesta básica. A alíquota vai sair de 17% para 7%, então teremos um efeito como teve na gasolina, com redução de preço.
> Acredita em uma estabilidade política nacional?
Acredito que a política volta para o seu leito natural, que seria uma política com mediação, com possibilidade de conversar, independentemente de pensarmos iguais ou diferentes.
O estilo do presidente Bolsonaro é um estilo mais aguerrido, de enfrentamento. Já estilo do presidente Lula é de mais diálogo.
Por isso, acredito muito que a gente possa fazer uma grande concertação para acalmar o ambiente, que é o que eu quero fazer aqui também.
> Quanto ao sistema aquaviário e ao Transcol, quais são as novidades?
O aquaviário fica para o início do ano que vem.
> Vem para ficar?
Vem para ficar, lógico. Estamos fazendo um grande investimento.
Já para o Transcol, também vamos continuar com a renovação na frota, investimentos em tecnologia e obras.
> O senhor falou em mudança de secretariado. Serão grandes alterações? Qual o perfil da sua nova equipe?
Só iremos tratar do tema em dezembro. Mas iremos buscar o perfil de sempre, com pessoas qualificadas para a área, sem envolvimento antecedente com qualquer desvio e gente que tenha capacidade de diálogo.
> O vice-governador eleito Ricardo Ferraço assume uma pasta a partir de 2023?
Vou avaliar com ele o que acha melhor. Se assume a pasta ou se coordenar algum setor.
> Com relação ao quadro da Assembleia Legislativa, qual a expectativa?
Nossa relação com a Assembleia vai ser boa com a maioria do Parlamento, dos deputados que estiverem abertos ao diálogo.
> Como gestor, qual a vocação que vê para o Estado? O que seremos daqui a alguns anos?
Acho que vamos ser um grande centro de empresas de alta tecnologia. Por isso estamos fazendo a Escola do Futuro, por isso temos o Fundo Soberano atraindo empresas de alta tecnologia para cá.
> Isso seria a vocação para competir em nível nacional?
Sim. Vejo três atividades importantes e que vão crescer muito no Estado: empresas de alta tecnologia, atividades ligadas à logística e turismo e serviços ligados ao turismo de montanhas e litoral.
> Algum grande projeto está sendo pensado no turismo?
Os projetos são privados. Estou vendo que o Espírito Santo está sendo descoberto. As pessoas estão vindo mais para cá.
Nós estamos fazendo a concessão do centro de eventos de Carapina (Serra). A empresa que ganhar vai poder fazer investimentos, para fazer eventos importantes e atrair mais pessoas.
> Qual o legado que pretende deixar após os quatro anos de mandato?
O legado é o de um Estado pacífico, que consiga melhorar o serviço público, com obras essenciais, com menores índices de violência, com bons indicadores na área de saúde, com educação de mais qualidade.
É uma melhoria constante e permanente na prestação de serviços públicos. Essa é a minha tarefa como governador.
PERFIL
Renato Casagrande
– Nasceu em Castelo, Sul do Espírito Santo, no dia 3 de dezembro de 1960.
– É casado e tem dois filhos.
– Formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (MG) e em Direito pela Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim.
– Foi eleito governador em 2010, ainda no primeiro turno, pela primeira vez.
– Em outubro de 2018, foi novamente eleito governador, no primeiro turno.
– No domingo, foi o escolhido pelos capixabas para comandar o Estado por mais quatro anos.