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CÂMARA DOS DEPUTADOS

Conselho abre processo contra Eduardo Bolsonaro por deboche à tortura de Miriam Leitão

Foi aberto processo disciplinar contra o deputado

Eduardo Bolsonaro vai ser investigado

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O Conselho de Ética da Câmara abriu nesta quarta-feira (4) processo disciplinar contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por uma publicação em rede social na qual ele debochou da tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão durante a ditadura militar. As representações contra o filho do presidente Jair Bolsonaro foram feitas por PCdoB, PT, PSOL e Rede, que pedem a cassação do parlamentar.

“Ainda com pena da cobra”, escreveu Eduardo, numa referência a uma das torturas sofridas pela jornalista, que foi presa na ditadura. De acordo com relatos de Miriam, ela foi torturada com tapas, chutes e golpes que abriram sua cabeça. Além disso, teve de ficar nua em frente a 10 soldados e três agentes de repressão e passar horas trancada em uma sala com uma jiboia. Na época, ela estava grávida.

A publicação do deputado foi feita em resposta a um artigo em que Miriam classifica Bolsonaro como “inimigo confesso da democracia”. Na semana passada, o parlamentar criticou as representações contra ele no Conselho de Ética e disse que o objetivo era “denegrir conservadores”.

Eduardo não compareceu à reunião do colegiado realizada nesta quarta. Foram sorteados como possíveis relatores do processo os deputados Mauro Lopes (PP-MG), Pinheirinho (PP-MG) e Vanda Milani (Pros-AC). Cabe ao presidente do Conselho, Paulo Azi (União Brasil-PA), escolher o relator.

Histórico

A família Bolsonaro tem histórico de defesa da ditadura. Em 2016, o então deputado Jair Bolsonaro dedicou seu voto a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi e o primeiro militar condenado pela Justiça brasileira por tortura. Eduardo, por sua vez, disse em 2018 que bastaria “um cabo e um soldado” para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) e, no ano seguinte, levantou a possibilidade de haver no País um novo AI-5, o ato de repressão mais duro da ditadura.

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