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Política

Dilma afirma que dupla votação no Senado foi “estranhíssima”

Dilma em entrevista a veículos estrangeiros. Foto: Reprodução / Facebook. Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 2, a ex-presidente Dilma ...

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Dilma em entrevista a veículos estrangeiros. Foto: Reprodução / Facebook. Dilma em entrevista a veículos estrangeiros. Foto: Reprodução / Facebook.

Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 2, a ex-presidente Dilma Rousseff afirmou que achou “estranhíssima” a dupla votação do julgamento final do impeachment no Senado. A ex-presidente falou sobre seu afastamento da presidência a jornalistas de veículos estrangeiros, em sua primeira entrevista como ex-presidente.

Dilma questionou que 16 senadores se posicionaram a favor do impeachment na primeira votação, mas rejeitaram que ela ficasse impedida de concorrer a cargos eletivos e de ocupar funções públicas. A ex-presidente teve 61 votos a favor do impeachment e 20 contra, enquanto 42 senadores foram a favor de sua inabilitação política  e 36 contrários, com 3 abstenções.

“Eu acho que é estranhíssima essa dupla votação. Esta é a discussão. Vota de um jeito numa votação e depois vota de outro em outra? Em Minas, a gente ficaria desconfiado. Nós mineiros somos muito desconfiados. Acho que a estrada de votos é muito tortuosa”, disse.

Segundo Dilma, a aprovação de seu afastamento é uma “pena de morte política” e a decisão que autorizou que possa ocupar funções públicas “não atenua” isso. “Você tem um impeachment sem crime de responsabilidade, afasta uma pessoa inocente do cargo e, além disso, tira os direitos políticos por 8 anos também sem crime? E, aí? O que acontece? O maior contrato que existe neste país, que é entre o governo e seu povo, é rompido de todas as formas. Não acho que [a manutenção da elegibilidade] atenua ou não atenua o que eles fizeram, não acho. Acho oque são detalhes e decorrências do que fizeram. Poderiam ter feito diferente. Me condenaram à pena de morte política ao me tirar da Presidência. Está é a maior pena que um brasileiro pode ter”, afirmou.

A ex-presidente falou ainda sobre o atual presidente, Michel Temer, e destacou que ele fará um governo “ilegítimo” se não cumprir o programa de governo apresentado na campanha de 2014. “Eles começaram a executar [antes mesmo do impeachment] um programa de governo que não tem o menor respaldo das urnas. Não foi este o programa de governo que eles estão implementando que me levou [à presidência] e levou comigo junto o vice [Temer]. Não foi este. Se ele se dá o direito de utilizar a Vice-presidência para assumir a Presidência, tem também de usar a condição de vice para cumprir o programa que me deu o mandato nas urnas. caso contrário a ilegitimidade é total”, disse.

Dilma foi questionada sobre seus futuros “projetos políticos”, ao que respondeu que não ter projeto eleitoral, mas de “oposição” a Temer. “Não tenho projeto político no sentido eleitoral, não tenho isso elaborado. Tenho um projeto político no sentido de que farei oposição ao governo [Temer], independentemente de onde esteja”, declarou.

Os jornalistas questionaram ainda se Dilma tem “mágoa” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ele não ter ficado ao seu lado quando fez sua primeira manifestação pública após o julgamento na quarta-feira, 31. “Vocês podem continuar insistindo, o que já fazem desde o primeiro dia que assumi, nessa conversa. O presidente Lula não estava ao meu lado porque vocês viram o tumulto que foi, isso não tem pé nem cabeça [dizer que há mágoa entre eles]”, disse.

“Não só o Lula ficou aqui comigo em todos os processos, como ele esteve presente comigo, acompanhou a votação comigo, esteve presente comigo em todas as circunstâncias. Ele foi ao Senado [assistir ao depoimento], me encheu de apoio e carinho e, por ele, eu tenho imensa consideração, além de política, pessoal. Sugiro que vocês desistam, é uma perda de tempo tentar me indispor com o presidente Lula”, completou.

Durante a entrevista, Dilma confirmou que pretende se mudar para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, após deixar o Palácio da Alvorada, mas pode “ficar um tempo” no Rio de Janeiro, onde sua mãe tem um apartamento. A mudança deve ocorrer apenas no início da próxima semana. Ela explicou que a mudança foi um pouco adiada porque tem que levar seus pertences que estão na residência oficial. “Isso requer um pouco de logística e suor”, ressaltou.

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