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Política

“Eleição será entre PT e PSDB”, diz cientista político

Autor de best-sellers como a “Cabeça do Brasileiro” e “A Cabeça do Eleitor”, o escritor e cientista político Alberto Carlos Almeida vem acompanhando ...

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Alberto Carlos Almeida disse que o nome principal do PT é o de Lula, mas,   caso a Justiça  o impeça de  ser candidato, a aposta da sigla seria em Jaques Wagner. Foto: Jornal A Tribuna

Autor de best-sellers como a “Cabeça do Brasileiro” e “A Cabeça do Eleitor”, o escritor e cientista político Alberto Carlos Almeida vem acompanhando a política nacional de perto e tem opiniões fortes.

“Não creio que nesta eleição vá aparecer uma terceira via”. Para ele, a disputa ficará, mais uma vez, entre PT e PSDB.

Em entrevista para o Jornal A Tribuna, o escritor opina sobre o perfil do eleitor, o impacto da Lava a Jato, as surpresas que podem aparecer no processo eleitoral e sobre os possíveis candidatos.

A Tribuna — Qual é o perfil do eleitor brasileiro?
Alberto Carlos Almeida —
É muito difícil definir. São eleitores que buscam se informar e são várias as formas de o conteúdo chegar ao eleitor, seja por WhatsApp ou Facebook, nas redes sociais, como também por meio do rádio e dos jornais.

Como o senhor define a eleição deste ano?
Eu não creio que nesta eleição vai aparecer uma terceira via. Isso aconteceu em 2002, com Ciro Gomes (PDT), que subiu e depois caiu.
E em 2014, com a Marina Silva (Rede), que, tão longo aconteceu o acidente fatal de Eduardo Campos, subiu meteoricamente.
Mas, se nós analisarmos a eleição de cada 1º turno de 1994 para cá, o Anthony Garotinho (PR) foi o que ficou mais próximo do segundo candidato, em torno de seis pontos percentuais a menos que José Serra (PSDB).

O que isso significa?
A tendência, proporcionalmente falando, é mais do mesmo das últimas eleições. A eleição será entre PT e PSDB, com o eleitorado dividido. O Nordeste, que tem preferência pelo PT; e São Paulo, pelo PSDB.
A 3ª via vem caindo. Todo mundo fazia apostas em Joaquim Barbosa, Sérgio Moro e Luciano Huck. Mas só resta pouco mais de um mês para filiação. É muito difícil.

Pode haver surpresa?
O que pode acontecer de surpreendente é a entrada de Michel Temer (PMDB) na disputa à reeleição. O Henrique Meirelles não será candidato.
O fato de o Presidente querer ser candidato dificulta uma candidatura que saia do governo.
A minha previsão é que a candidatura do Geraldo Alckmin (PSDB) irá crescer de agora em diante, com espaço na mídia. Mas talvez não seja suficiente. Ele pode tirar voto de Jair Bolsonaro (PSC) em São Paulo, com as prefeituras do PSDB e o governo. Aí, cai em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que tradicionalmente vêm dando vitórias ao PSDB.
Vale menção ao Espírito Santo, que em 2006 deu vitória ao PT, mas elegeu o PSDB nas duas últimas eleições presidenciais. O candidato do PT tende a sair vitorioso nos nove estados do Nordeste.

Pode ocorrer transferência de votos caso Lula não seja autorizado a lançar candidatura?
Não existe transferência de votos. Esse tipo de coisa não acontece assim: “quem for votar em Lula, vota no candidato do PT”. Tanto que ele já apoiou candidato a prefeito que não ganhou. No caso da Dilma, o governo dele estava bem avaliado e ela daria continuidade.
Há quem diga que, devido à rejeição, se Lula não vier candidato enfraquece Bolsonaro…
Se um candidato do PT não vier é ruim para o PT. Assim como se fosse alguém do PSDB. Mas, a existência de um depende da existência do outro. Em um cenário hipotético, caso Bolsonaro esteja disputando contra o PSDB, o PT iria apoiar o PSDB. Assim com o PT indo contra Bolsonaro.

E quanto ao impacto da Operação Lava a Jato?
A Lava a Jato acentuou a visão de que todos os políticos roubam. Os grandes candidatos não vão colocar esse debate na campanha.
É um tema que não interessa a eles. Há um certo corporativismo no mundo da política que tenta se proteger.

O senhor escreveu um artigo sobre o eleitor nordestino. Por que esse voto ainda é subestimado?
O que vejo é que os eleitores têm diferentes visões de mundo e interesses. Alguns para ter uma condição de vida melhor, precisam da ajuda governamental. Tem o eleitor que é mais de classe média que não precisa de ajuda, mas quer que o governo não o atrapalhe. Essa é a diferença do governo mais ou menos intervencionista. Assim, o eleitor escolhe os seus candidatos.

E quanto ao nome do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), sendo lembrado em composições nacionais. O que acha?
Ele tem sido ventilado para vice de candidatos em que a viabilidade eleitoral deveria ser provada. Por um lado, isso é bom porque o nome dele fica na mídia, mas como auxiliar de quem não tem experiência política, como uma forma de ajuda. Não foi ventilado como vice do Geraldo Alckmin.

Quais as possibilidades para o PT nesta eleição?
O nome principal do PT é o Lula. Caso a Justiça o impeça, o nome seria do ex-governador da Bahia Jaques Wagner. Lá é o quarto maior colégio eleitoral e ele é visto como alguém com experiência no poder.
Não acho que o Fernado Haddad (PT) seria a melhor opção. É muito difícil ser candidato a presidente se não consegue se reeleger dentro da sua cidade. O terceiro nome do PT seria do ex-ministro Patrus Ananias, de Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e vem dando vitórias ao PT, além de estar no centro do País. Ele não aparece associado a denúncias de corrupção.

O que esperar dos possíveis presidenciáveis Marina Silva e Ciro Gomes?
Ela é oscilante, uma hora está defendendo proposta de esquerda e outra hora de direita. É uma posição ambígua. Não a vejo em âmbito político de esquerda e nem de direita. Já o Ciro é visto como alguém de esquerda e não se vinculou a partidos políticos. O Ciro e o PDT poderão ter divergências importantes na campanha.

E Joaquim Barbosa?
Há uma barreira importante para ele que é o financiamento de campanha. Se for candidato, o PSB terá de gastar muitos recursos com um presidenciável, prejudicando as candidaturas de governadores, deputados e senadores. Por isso, acho que está inviabilizada.

Quais os impactos da reforma eleitoral?
Os efeitos só serão sentidos em cinco anos, mas o principal será a redução do número de partidos. Isso vai ficar mais claro em 2022. Os parlamentares de 2018 vão perceber que os partidos pequenos terão dificuldades de serem reeleitos.

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