O clima nas ruas de Presidente Kennedy é de preocupação. O medo dos moradores é que serviços e obras sejam suspensos como ocorreu em 2012, após a Operação Lee Oswald. Naquela ocasião, 28 pessoas foram presas, inclusive o então prefeito Reginaldo dos Santos Quinta, que é tio da atual prefeita, Amanda Quinta, afastada e presa preventivamente pela Operação Rubi.
“Eu espero que os benefícios e os serviços não sejam cortados. Da outra vez, parou tudo. A população não pode sofrer com os erros dos outros. Se as pessoas recebem os benefícios sociais é porque precisam”, disse a dona de casa Sabrina da Silva, 33 anos.
Em função da Operação Lee Oswald, em 2012, centenas de funcionários contratados foram dispensados, serviços e contratos foram suspensos pela prefeitura. Caminhões e veículos oficiais ficaram parados, sem poder abastecer, devido à suspensão de contrato com posto de combustível.
O comerciante Everton Magalhães Costa, 20, está preocupado com a possibilidade de queda no movimento nas lojas. “Já passamos por isso uma vez, em 2012. Foi horrível. Os serviços pararam, os salários ficaram atrasados e o comércio foi prejudicado. A maioria das pessoas depende da prefeitura”, disse o comerciante.
O funcionário público Valdemir Rainha, 54, lamentou o resultado da operação. “O lado triste é ver uma cidade com tanto recurso passar por uma situação como essa. É lamentável. Agora, vamos acompanhar a decisão da Justiça”.
Ele disse que a preocupação maior é com os contratados da empresa denunciada pelo Ministério Público. “O medo é que percam seus empregos, pois está muito difícil. Afeta toda a cidade”, diz. A professora Gleisieres Bahiense Fontana, 38, afirma que fica envergonhada ao ver a cidade envolvida em denúncias de corrupção.
“Fiquei chocada, pois, em 2012, vivemos uma situação parecida, inclusive com intervenção judicial, fruto da incapacidade de gerir o município. Quanto mais dinheiro, mais manobras. Muitos estão ricos e o povo sofre”, observa.
Mudança em três secretarias
Na primeira semana como prefeito interino de Presidente Kennedy, além de tentar fazer com que o município retome sua rotina, Dorlei Fontão da Cruz (PSD) também deverá mexer em alguns nomes do secretariado.
O prefeito define amanhã (13) ou, no máximo, até a próxima terça-feira (14) quem vai assumir as vagas deixadas pelos três secretários afastados dos seus cargos em função da Operação Rubi, do Ministério Público Estadual (MP-ES).
Dois secretários da gestão da prefeita afastada e presa, Amanda Quinta Rangel (PSDB), tiveram suas prisões preventivas decretadas pela Justiça: Leandro da Costa Rainha, da Assistência Social; e José Augusto Rodrigues de Paiva, de Desenvolvimento Econômico, que também é marido de Amanda.
Além deles, o secretário de Obras, Miguel Ângelo Lima, foi afastado do cargo. Ex-vereador por quatro mandatos, Dorlei não está usando o gabinete da prefeita afastada. Ele continua atendendo em sua sala de vice-prefeito, que funciona em um prédio próximo às dependências da prefeitura.
Novas contratações e empenhos estão suspensos até segunda ordem, mas obras e serviços foram mantidos, inclusive com a empresa alvo de investigação, que cuida da limpeza pública. A prefeitura tem R$ 1,3 bilhão em caixa, devido aos recursos dos royalties do petróleo.
