Minutos após o pedido de demissão do Ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, em retaliação a demissão de Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) emitiu uma nota defendendo a manuteção na independência da PF. A Federação reúne os sindicatos de policiais federais incluindo do Sinpef do Espírito Santo.
Em sua demissão, Moro denunciou uma suposta tentativa de Jair Bolsonaro em ter acesso a informações privilegiadas da Polícia Federal.
Em nota, a Fenapef, que representa cerca de 15 mil policiais no Brasil, informou que a instituição tem que ser uma polícia de “Estado e não de Governo, não devendo ser atingida por interferências políticas”.
“Jamais a instituição deve ser atingida por interferências políticas. A PF é um órgão maduro o suficiente para não aceitar interferências politicas nas suas investigações. Os policiais federais conhecem muito bem o seu papel constitucional e a própria estrutura do órgão não permite qualquer interferência em seus trabalhos”, destacou o presidente do Sinpef-ES, Marcus Firme.
Confira a nota da Fenapef na íntegra:
A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) lamenta profundamente o pedido de demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e também a exoneração do Diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.
A entidade entende que o ministro Sérgio Moro cumpriu seu papel com dedicação e comprometimento, garantindo a independência da Polícia Federal durante todo o período que ocupou o cargo.
Com relação a Maurício Valeixo, havia uma situação de tensão que se arrastava desde 2019, com o anúncio de sua possível saída. Ainda assim, Valeixo, um profissional sério e dedicado à Polícia Federal, manteve seu compromisso com os policiais federais até sua exoneração.
Para a diretoria da entidade, independentemente de quem ocupe o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Direção-geral da PF, a Polícia Federal precisa manter sua linha de autonomia e independência nos trabalhos e investigação.
A Fenapef sempre defendeu que a Polícia Federal é uma polícia de Estado e não de governo e, por isso, acredita e defende que jamais a instituição deve ser atingida por interferências políticas.
Para o presidente da Fenapef, Luís Antônio Boudens, o presidente da República tem o direito de fazer alterações em sua equipe, mas “isso não significa – e garantimos que não irá ocorrer – qualquer tipo de interferência nas investigações criminais da Polícia Federal”.
Os quase 15 mil policiais federais, assim como toda a sociedade, esperam que as mudanças realizadas nesta sexta-feira, 24, não alterem os valores e a missão da Polícia Federal, que é “exercer as atribuições de polícia judiciária e administrativa da União, a fim de contribuir na manutenção da lei e da ordem, preservando o estado democrático de direito”.
Brasília, 24 de abril de 2020
Federação Nacional dos Policiais Federais
