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Política

Erick Musso: “Não se faz segurança pública só com concurso e compra de viaturas”

Deputado afirmou que é preciso mais do que reforço no quadro de pessoal e compra de viaturas para diminuir a violência nas ruas

Musso admite organização fiscal do atual governo, mas defende que a máquina pública melhore vida da população

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Ousadia para fazer o Estado crescer. Esse foi o ponto principal abordado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado e pré-candidato ao governo Erick Musso.

Ousadia que o jovem político de 35 anos já mostrou ter em sua trajetória: ele foi o presidente mais jovem da história da Assembleia Legislativa ao ser eleito para o cargo com 29 anos em 2017, e ocupa o cargo desde então. 

Durante a entrevista para A Tribuna, Erick conta sobre os projetos para o Estado e desmente uma possível união com o PL. 

A Tribuna —  O senhor anunciou, em fevereiro do ano passado, que não iria disputar a reeleição para deputado estadual. Por que decidiu disputar o governo estadual ao invés de tentar o senado ou a Câmara? 

Erick Musso –  Tomei essa decisão porque entendo que o Estado precisa de um governo que pense fora da “caixinha” para prestar serviço de maior qualidade. Eu respeito as candidaturas que foram colocadas e respeito os governos intercalados do ex-governador Paulo Hartung e do atual governador Renato Casagrande. Mas chegou a hora de ter um governo ousado, que chegue junto com a população e os municípios. 

Então o senhor concorda com a fala do pré-candidato ao governo do União Brasil, Felipe Rigoni, de que o ciclo de 20 anos de Hartung e Casagrande acabou?

Concordo. Para você ter noção, quando eu tinha 7 anos de idade e o Rigoni 3, o Casagrande já era vice-governador do Estado. Respeito a trajetória dessas pessoas, mas chega. Tem de renovar, trazer gente nova com capacidade de gestão e de entrega. 

Temos de reoxigenar a política do Estado. Compreender os avanços que eles fizeram, mas saber que uma nova geração pode dar um salto de qualidade que o Estado precisa, com ousadia. 

Quais foram os erros e acertos da gestão atual? 

Ele fez uma organização fiscal nota A, que precisa ser mantida. Mas essa máquina precisa girar para impactar a vida das pessoas. Não dá para ter uma das 10 melhores economias do País e ter o pior salário da segurança pública. 

Não dá para ter quase R$ 10 bilhões de recursos em caixa enquanto tem 500 mil pessoas no Estado que não sabem o que vão comer e vivem na extrema pobreza.   

O que o senhor fará para solucionar esse problema?  

Quero criar o programa “Espírito Santo Sem Fome” justamente para atender essas pessoas na pobreza extrema. Mas não quero ser só assistência social, quero ser sustentabilidade social. Quero dar o peixe e também ensinar a pescar.

 Quero dar condições de emprego para os jovens, especialmente na área de tecnologia. Também precisamos ampliar as merendas nas escolas. Muitas crianças só têm aquela merenda como alimentação do dia, então precisamos dar mais uma refeição nas escolas.  



Clique abaixo e ouça a entrevista de Erick Musso à Rádio Legal FM




E a segurança pública?

Quando lancei minha pré-candidatura, achei que seria necessário um resgate no setor, mas hoje já entendo que será necessário um renascimento. Há muita defasagem.  Tem prefeitura botando gasolina em viatura porque o governo é ineficiente.

 Precisamos valorizar, reconhecer e botar uma tropa motivada nas ruas. O concurso da Polícia Militar divulgado recentemente pelo governo é tido como insuficiente pela categoria. Sabe por quê? Porque política pública não é só fazer concurso e comprar viatura. É estratégia, e não ter vaidade. Precisamos melhorar a estrutura da polícia, porque o crime está organizado. Como você quer que um policial combata o crime, se ele tem uma pistola e é recebido de fuzil pelos bandidos? 

E na saúde, quais os planos?

 Vamos criar uma secretaria específica para cuidar das pessoas com deficiência, sem gastar um centavo para isso. Precisamos olhar para essa parcela considerável da população e utilizar as melhores políticas públicas possíveis. 

E também precisamos ser ousados e descentralizar o serviço público de saúde do Estado. Temos pacientes esperando oito anos por uma prótese, tem gente ficando dois anos esperando para fazer cirurgia de catarata. Quero zerar essas filas. Porém, para isso, não pode deixar, por exemplo, as obras do Hospital Geral de Cariacica ficarem paradas por 10 anos. 

As obras são um dos grandes problemas do governo atual?

Além da situação do Hospital Geral de Cariacica, você tem duas ordens de serviço em São Mateus cujo projeto até hoje não saiu do papel. Se a gente esperar 10 a 15 anos para construir um hospital no Estado, vamos construir cinco hospitais em um período de uma vida inteira. É muito pouco.

 Não dá para ficar ouvindo falar que isso ou aquilo vai ser feito e os projetos nunca saírem do papel. E é preciso ter prioridades também. 

O governo está fazendo uma ciclovia na Terceira Ponte, quando poderia estar usando esses R$ 130 milhões para acelerar as obras mais importantes na área da saúde, ou usar esse dinheiro para reduzir a vulnerabilidade social no Estado.   

A pré-candidatura do senhor está próxima de alguma outra? Há possibilidade de união com outro partido já no primeiro turno?

Tenho boa relação com todos os pré-candidatos, respeito todos eles. Mas o diálogo mais franco, atualmente, é com Felipe Rigoni. Não tem martelo batido, mas estamos próximos. Embora eu respeite Audifax (Barcelos), Guerino (Zanon) e Aridelmo (Teixeira), o diálogo mais avançado é com Felipe. 

O senhor cogita formar chapa com ele no primeiro turno?

Não chegamos nessa fase do diálogo, de juntar candidatura ou não. Mas podemos fazer uma união. Nem que seja só no segundo turno. É possível, mas não chegamos nessa fase da conversa. 

O senhor não citou Manato, pré-candidato do PL. Os rumores de aliança são falsos?  

Não sei de onde surgiu isso. Nunca dialoguei com Manato sobre possível aliança. Respeito a pré-candidatura dele e o pré-candidato a senador dele. Mas nunca houve diálogo, nem aqui no Estado nem em Brasília, para que uma composição dessas ocorresse. Pelo menos não que eu saiba.   

E com outros partidos que não lançaram pré-candidatos, como MDB, PSDB e PP? Há conversas?

Estou de portas abertas para conversar com todos. O MDB já nos ajudou a eleger Lorenzo Pazolini em Vitória. O PSDB fez o mesmo no segundo turno daquela eleição e eu tenho grande amizade com o presidente estadual do PSDB, o deputado Vandinho Leite. Quanto ao PP, já fui filiado do partido e meu avô também. Não teria problema nenhum em conversar com eles. 

Se eleito, lidará com o governo federal, caso o presidente da República seja alguém não alinhado politicamente ao senhor? 

Sou de centro-direita, mas estou preparado para ser governador do Estado com qualquer presidente que o brasileiro escolher. E quero  ser o melhor do País. O papel de um governador é construir pontes, não criar muros. O meu objetivo é fazer do Estado o motor do País, por isso não quero briga nem extremismo. Chega de esticar corda, isso não melhora a vida de ninguém.

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