O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou na noite de domingo, 25, que uma nova fase da Operação Lava Jato seria deflagrada nesta semana. A declaração foi feita em conversa com integrantes do Movimento Brasil Limpo (MBL), de forma espontânea, sem ter sido questionado sobre o assunto.
“Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”, disse o ministro.
O ministro participou no domingo de ato de campanha do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), candidato a prefeito em Ribeirão Preto. Moraes voltou a fazer a declaração em reportagem do grupo Estadão. “É uma belíssima operação”, falou sobre a operação Lava Jato, coordenada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal.
Moraes destacou ainda que as novas fases da operação mostram a independência da Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça. Defensores da ex-presidente Dilma Rousseff utilizaram uma possível interferência na investigação durante a campanha contra o impeachment.
Após a declaração do ministro, o Ministério da Justiça divulgou uma nota em que negou tratar-se de informação privilegiada de Moraes em relação às ações da operação. “(A frase) não foi dita porque o ministro tem algum tipo de informação privilegiada ou saiba de alguma operação com antecedência, e sim no sentido de que todas as semanas estão ocorrendo operações”, diz a nota do ministério.
A assessoria do ministério considerou a declaração de Moraes como “força de expressão”.
O ministro também rebateu as acusações de que tenha havido exagero na prisão temporária de Guido Mantega, que ocorreu na quinta-feira, 22, e foi revogada pelo juiz federal Sérgio Moro. De acordo com o ministro, a Polícia Federal cumpriu um mandado judicial e atuou de forma “absolutamente discreta” para deter o ex-ministro no hospital. “A prisão só foi revogada por um fato superveniente (posterior), desconhecido da polícia, Ministério Público e Judiciário. Um fato humanitário, o que não leva a nenhum descrédito toda a operação e aquele momento da prisão”, disse.