Hoje eles têm veículos oficiais à disposição, podem contar com até 19 assessores trabalhando em seus gabinetes, são chamados de vossa excelência e ainda têm poder de decisão em leis que repercutem diretamente na vida dos capixabas.
No entanto, para alguns dos hoje deputados eleitos para a Assembleia, tudo isso não passava de um sonho distante. É que, antes de chegarem à vida pública, foi preciso subir uma série de degraus.
Vendedor de churrasquinho, faxineiro, costureira, padeiro e auxiliar de serviços gerais estão entre algumas das funções exercidas por parlamentares capixabas, logo no início de suas vidas profissionais.
Euclério Sampaio (PSB), que já vendeu churrasquinhos; Janete de Sá (PMN), que fazia costuras para ter seu próprio dinheiro; Dary Pagung (PRP), que foi auxiliar de serviços; e Hércules da Silveira (MDB), ex-faxineiro de um hospital, são exemplos de quem já exerceu funções menos qualificadas.
“Quando estava limpando o chão do hospital, em Cachoeiro de Itapemirim, e ouvia os médicos serem anunciados nos alto-falantes que ficavam nos corredores, eu dizia aos meus colegas de trabalho: “Um dia meu nome também vai ser chamado assim”.
O relato é de Doutor Hércules. Com várias formações, entre elas a tão sonhada Medicina, ele lembrou de tempos em que era mestre na arte de usar o rodo e a vassoura.
“Foi uma época em que aprendi muito, principalmente sobre a forma de como tratar o outro”, disse.
Na década de 1980, quando ainda morava em Jardim América, Cariacica, um dos passatempos favoritos do deputado Euclério Sampaio (PSB) era admirar a chegada do ex-jogador de futebol e então deputado estadual Geovani Silva, como conta o parlamentar que, na época, trabalhava vendendo churrasquinhos.
“Ficava encantado vendo aquele cara todo elegante chegar em um “carrão”. Dizia para mim mesmo que, um dia, seria deputado também”, contou, aos risos.
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