O advogado e servidor da Receita Federal Odilon Ayub Alves, irmão da deputada federal Norma Ayub (DEM), prestou depoimento à Polícia Federal (PF), na quinta-feira (4). Ele é investigado por ter acessado o perfil fiscal do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na Receita.
O órgão informou, nesta sexta (5), que acionou a PF após identificar o acesso de dois servidores a informações do Presidente e de integrantes de sua família, um em Campinas (SP) e outro em Cachoeiro de Itapemirim. Segundo o Fisco, foi aberta uma sindicância.
“A sindicância concluiu que não havia motivação legal para o acesso e, por essa razão, a Receita notificou a Federal e iniciou procedimento correicional”, destacou em nota.
A consulta ao perfil de Bolsonaro a partir da unidade do Sul do Estado, onde Odilon atua, teria sido feita em outubro de 2018. De acordo com o advogado Yamato Ayub, que é irmão de Odilon e o acompanhou durante o depoimento, o servidor teria tentado checar qual era a idade de Bolsonaro à época.
“Por ingenuidade, por simples curiosidade, ele acabou acessando o perfil do Bolsonaro. Foi logo na época daquele atentado, quando ele ainda era candidato”, afirmou, se referindo ao ataque sofrido por Bolsonaro em setembro de 2018, em um evento de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais.
Yamato questionou a dimensão dada ao assunto. “Não houve quebra de sigilo do Bolsonaro. Estão fazendo um rebuliço em torno de algo simples”.
O advogado ainda afirmou que estão sendo criados fatos novos e inverídicos. “Já começaram até a dizer que ele (Odilon) estava falsificando documentos na Receita. Não procede”.
Após ser ouvido por mais de uma hora, Odilon foi liberado pela polícia e já voltou ao seu posto de trabalho. O servidor ainda pode ser alvo de procedimento administrativo, caso confirmada a irregularidade.
Por nota, a deputada federal Norma Ayub afirmou que essa é uma situação isolada de seu irmão, sem nenhuma relação com a atividade parlamentar da deputada.
Procurada para comentar quais os próximos passos no inquérito que apura a atitude do servidor, a Polícia Federal não retornou os contatos até a publicação desta reportagem.