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CANDIDATO

“Fiquei surpreso e muito feliz”, diz Fittipaldi sobre ítalo-capixabas

Concorrendo a uma vaga pela América do Sul, bicampeão da Fórmula 1 disse contar com o apoio dos argentinos

Emerson Fittipaldi vai disputar o Senado nas eleições de 25/09/2022

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Bicampeão da Fórmula 1 (1972 e 1974), bicampeão das 500 milhas de Indianápolis (1989  e 1993) e campeão da Champ Car (1989), o agora empresário Emerson Fittipaldi, 75 anos, deu a largada para mais uma disputa que não pretende perder: uma cadeira no Senado do parlamento da Itália. As eleições serão realizadas neste mês e Fittipaldi vai concorrer pela América do Sul.

Filiado ao partido Fratelli d’Italia,  Emerson Fittipaldi conversou com a reportagem por videoconferência no último dia 26 de agosto, direto de Spa-Francorchamps, na Bélgica, onde estava para a etapa local do Grande Prêmio de Fórmula 1. O candidato se disse surpreso com o tamanho da comunidade ítalo-capixaba.

“Fiquei surpreso e muito feliz, ao saber que no Espírito Santo tem uma comunidade tão grande. E que a chegada também coincide com o mesmo período que os meus antepassados vieram para o Brasil. Não sei se será possível estar presente para a campanha, devido a compromissos já agendados, mas fico feliz em saber o tamanho dessa comunidade”, afirmou.

A Argentina tem um colégio eleitoral maior que o Brasil, quando se trata de eleições para o parlamento da Itália. A América do Sul elege 1 senador e dois deputados. Perguntado se a rivalidade entre os dois países no Esporte pode interferir na sua eleição, Fittipaldi disse que não.

“A rivalidade, neste caso, fica restrita ao futebol. Eu sempre fui fã e tive uma boa relação, tanto eu quanto o Senna, com o Fangio (Juan Manuel Fangio, 1911-1995), argentino, pentacampeão mundial de Fórmula 1. Para mim, ele é um dos maiores automobilistas. E sempre houve muito respeito entre nós” afirmou. 

O sobrinho do automobilista argentino, Juan Manuel Fangio II, gravou um vídeo pedindo votos para Fittipaldi que foi publicado nas redes sociais no brasileiro na sexta-feira (2).

Sobre a entrada na vida política, Fittipaldi contou que não havia pensado em entrar para a vida pública no Brasil. “Já havia recebido algumas propostas para ser candidato em eleições no Brasil, sim, mas sempre recusei”, afirmou.

Fittipaldi contou que a decisão pela política veio de um convite feito diretamente da deputada Giorgia Meloni, líder de seu partido. Ela lidera pesquisas para o cargo de primeira-ministra da Itália. “Conversei com a  Giorgia, ela é uma excelente pessoa, me apresentou propostas, me fez o convite e eu aceitei participar com a minha candidatura”.

Sobre a disputa ao Senado, a dobradinha com o deputado eleito pela América do Sul ao parlamento da Itália, Luis Roberto Lorenzato (Lega Nord), surgiu de um convite parlamentar, que tenta a reeleição. “Ele me convidou para vir como senador, junto com ele”, afirmou.

Partido Político

Giorgia Meloni, do Fratelli d’Italia, lidera um grupo que engloba a Liga, de Matteo Salvini, e a Força Itália, de Silvio Berlusconi. O Fratelli d’Italia é considerado de extrema direita e a deputada faz discurso em que critica imigrantes, homossexuais e alianças com países como França e Alemanha, além da União Europeia. No mês passado, ela gravou um vídeo em três idiomas (espanhol, inglês e francês) negando ser um risco à democracia e condenando o fascismo.

Em entrevistas a sites nacionais, Emerson Fittipaldi negou que seu partido seja de extrema direita e ligado ao fascismo. A reportagem, então, pediu que ele definisse o “Irmãos da Itália”. “É um partido de centro-direita e cristão. Eu e minha esposa somos presbiterianos, então, eu valorizo muito a fé e a família. Não tem nada de fascismo. O fascismo foi enterrado. O nazismo foi enterrado. Pior é o comunismo. Não existe nenhum país comunista que deu certo”, afirmou.

Propostas

Entre as principais propostas do ex-piloto, estão a defesa ao direito de sangue para a cidadania italiana, o chamado jus sanguinis, sem limite de gerações, incluindo na Constituição; a promoção do esporte como ferramenta de integração a ítalo-descendentes; e a admissibilidade imediata de atletas descendentes de italianos em ligas esportivas, reconhecendo-os como cidadãos italianos.

Fittipaldi ainda quer defender o reconhecimento automático na Itália de diplomas de descendentes na América do Sul, além de propor um acordo de reciprocidade de ordens de categorias profissionais, como o Conselho Regional de Medicina (CRM), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA).

Emerson Fittipaldi é brasileiro, nascido em São Paulo. Neto de imigrantes vindos de Trecchina, província de Potenza, no Sul da Itália.

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