Por 17 votos a 9, os deputados estaduais mantiveram o veto do governador Paulo Hartung (PMDB) ao projeto que proibia cenas de nudez em exposições. O projeto é de autoria do deputado Euclério Sampaio (PDT).
O clima na galeria da Assembleia ficou mais quente do que no plenário. Enquanto o autor do projeto defendia suas ideias, um manifestante contra o projeto de lei abaixou as calças na galeria, cena que chocou os deputados.
“Olha lá, mostrando a b…, senhor presidente! Tem de ser preso! O senhor não vai dar ordem de prisão? Esse animal tem de ser preso”, esbravejou Euclério, do microfone.
“Eu queria pedir à assessoria militar da Assembleia Legislativa que retire esse cidadão que tirou a bermuda, a roupa. Que coloque ele para fora das dependências da Casa. E se fizer força, que dê voz de prisão. Pode retirar”, determinou o presidente da Assembleia, deputado Erick Musso (PMDB), visivelmente irritado com o episódio.
Enquanto isso, do outro lado da galeria, pastores e demais religiosos comemoravam a retirada do manifestante gritando: “Prende, prende!”. “Eu vou respeitar o voto de todos os deputados. Agora, chegar aqui, tirar a roupa, mostrar os testículos e as nádegas? Esses são os artistas que estão defendendo o veto?”, questionou o autor do projeto.
Em defesa do veto, o líder do governo na Casa, deputado Rodrigo Coelho (PDT), disse que a postura do governo se refere apenas às questões jurídicas. “O que foi avaliado pelos deputados foi o mérito jurídico auxiliado pelos procuradores do Estado e da Assembleia”, disse.
O fato de o veto ser derrubado não significa que crianças poderão participar de exposições com imagens consideradas inadequadas. É isso que explicou o deputado Sergio Majeski (PSDB). “Nós temos um conjunto de leis gigantesco. Então, por exemplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente deveria ser o grande norteador da sociedade. E ele já prevê punições severas caso haja qualquer ato libidinoso envolvendo pornografia”, explicou o deputado.
Na primeira votação, Majeski foi o único deputado a votar contra o projeto.
“Fiz isso como direito de resposta”
O artista visual Leonardo Freire, 34 anos, teve de ser retirado das galerias da Assembleia durante a sessão que manteve o veto ao projeto do deputado Euclério Sampaio (PDT), após baixar a calça durante o discurso do parlamentar.
A TRIBUNA: O senhor foi retirado por baixar as calças na galeria da Assembleia Legislativa. Por que fez isso?
LEONARDO FREIRE: B… é órgão! A mente suja está na cabeça deles! Eu fiz isso como resposta, porque a minha b… é democrática. Todo mundo tem aqui dentro, não é mesmo? Então, vai para ele (Euclério) e para os demais que querem denegrir a imagem dos que trabalham com arte neste País!
>Você é artista?
Sou artista visual, nasci em Vila Velha, morei em São Paulo e no Rio de Janeiro por muitos anos. Trabalhei e estou aqui de volta porque isso é muito sério. Como artista, a minha obrigação é estar aqui dentro.
> Veio apenas para acompanhar a sessão?
Vim aqui só para assistir a essa palhaçada! Este cara (deputado Euclério Sampaio) está usando fragmentos de imagens de obras de arte de artistas conceituados internacionalmente para denegrir a imagem de toda uma classe.
Lá dentro tem cartaz chamando artistas de pedófilos. Isso já é um crime. Essas pessoas não estão entendendo absolutamente nada.
> Acredita, então, que todos estão aqui sendo enganados pelo deputado?
Com certeza! O Espírito Santo poderia ser um Estado riquíssimo, sem perder para nenhum outro, mas a gente tem, infelizmente, senhores como Euclério Sampaio. Burros!