Questionado a respeito do corte de verbas anunciado para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPQ, o presidente Jair Bolsonaro declarou, nesta sexta-feira (16), que o Governo como um todo está sem dinheiro e que a redução dos orçamentos tem atingido todos os ministérios.
“Os ministros estão apavorados, nós estamos aqui tentando sobreviver. O Exército vai entrar em meio expediente, não tem comida para dar para o recruta, que é um filho de pobre. A situação em que nos encontramos é grave, não há maldade da minha parte. Não tem dinheiro. Só isso, mais nada”, declarou Bolsonaro.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), já suspendeu milhares de bolsas de pesquisa, e com 20% a menos no orçamento só tem dinheiro para pagar as despesas até o mês que vem. Caso não chegue mais dinheiro, 80 mil bolsistas poderão ser prejudicados. Ao ser questionado sobre o corte de verbas do CNPQ, o presidente Jair Bolsonaro, disse nesta sexta-feira (16), que todos os ministérios estão sem dinheiro.

“Pra quando tem que vir esse dinheiro? Bom, de preferência pra ontem. Mas se não vier no mês que vem, em setembro o CNPq pela primeira vez na história deixar de pagar bolsa”. O órgão oferece bolsas desde iniciação científica até pós-doutorado no exterior, para muitos é a única renda para se realizar as pesquisas.
Marcus Gregnani é doutorando da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), estuda doenças como obesidade e diabetes, e recebe 2200 reais por mês na bolsa de doutorado em biologia molecular.
Marcus diz que sem o salário é muito difícil continuar as pequisas, já que seria necessário ir atrás de outras atividades para se manter. O CNPQ pediu um recurso adicional para manter as bolsas até o final do ano, mas o pedido passou pelo congresso e está parado na junta de execução orçamentária, sem prazo para liberação.
A comunidade científica vai entregar para o governo e o congresso um abaixo-assinado, que já tem 150 mil assinaturas, pedindo que liberem o dinheiro rápido.