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Após 26 anos no MDB, por onde foi eleito prefeito de Linhares em cinco ocasiões e também deputado estadual por duas vezes, sendo até hoje o deputado mais votado da história do Estado em uma única eleição, Guerino Zanon foi para o PSD.
A mudança ocorreu com o objetivo de realizar um sonho: ser governador do Estado. E agora, como pré-candidato, o ex-prefeito de Linhares visitou a redação de A Tribuna e contou o que pensa sobre o governo atual e o que quer fazer para melhorar o Estado.
A Tribuna – Como foi deixar o MDB, após tanto tempo no partido?
Guerino Zanon – Não guardo mágoa. Só tristeza de não estar sendo pela primeira vez pré-candidato ao governo pelo MDB, onde disputei todas as eleições até então. Carreguei o número 15 a vida toda.
Mas de minha parte não faltaram tentativas para convencer a senadora Rose de Freitas (presidente provisória do MDB) de que era possível ter duas candidaturas majoritárias lá.
A Tribuna – O que aconteceu exatamente?
Guerino Zanon – Decidi sair porque, como lá está uma direção provisória, não quis arriscar ficar. Conversei com Rose umas 10 vezes de 2021 até março. Todas as conversas foram respeitosas, como são até hoje. Ela sempre foi muito clara que o projeto do MDB estava ligado ao governador atual. Mas a relação segue boa.
A Tribuna – Ela chegou a tentar negociar com o senhor para mantê-lo no partido?
Guerino Zanon – Ela disse várias vezes que seria possível eu ser vice do Renato Casagrande numa reeleição. Mas eu disse todas as vezes que não, que meu projeto é muito diferente do que o atual governador está fazendo atualmente.
A Tribuna – Por que decidiu renunciar à Prefeitura de Linhares e ser pré-candidato ao governo?
Guerino Zanon – Eu construí uma história bonita em Linhares. Mas entendo que é possível fazer o que fizemos em Linhares em todo o Estado.
Como eu disse, a maneira de governar que temos hoje no Estado não passa nem perto do que penso de gestão pública. Gestão pública é o desenvolvimento social e econômico casados. Se você não pode fazer para todos, faça ao menos para os mais humildes.
A Tribuna – E quais os planos do senhor para o Estado?
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Guerino Zanon – Veja, em Linhares nós transformamos o orçamento que era de R$ 37 milhões em 1997 para R$ 800 milhões em 2021. Nenhum outro município fez isso. A população da cidade aumentou 57% de 2000 até 2020. Isso é o dobro da média do Estado inteiro.
O meu objetivo é fazer do Espírito Santo um estado desejado, assim como Linhares é hoje. Já conversei com entidades, estou percorrendo o Estado. O momento de chegar ao eleitor, de conversar com ele, vai acontecer na hora certa. Essa é uma campanha com planejamento.
A Tribuna – O objetivo é fazer do Estado uma região de oportunidades?
Guerino Zanon – Sim, da mesma forma que Linhares hoje é a cidade de oportunidades. Nós dobramos o PIB do município.
A Tribuna – Nos últimos dez anos, ninguém anunciou aqui no Estado tantos empreendimentos como Linhares. Nem o próprio Estado fez isso. Sabe por quê?
Guerino Zanon – Por quê? Porque não trabalharam com competência na atração de investimentos. Trabalharam para entregar cursinhos de 12 ou 16 horas para poder arrumar voto em ano de eleição. Enquanto isso, Linhares criou 20 mil novos empregos diretos nesses meus 17 anos e três meses de mandato.
A Tribuna – O maior defeito do governo atual é a área de investimentos?
Guerino Zanon – O atual governo é medíocre. Ele já havia sido governador entre 2011 e 2014, quando pegou o Estado numa das melhores situações econômicas da história. Nadou em dinheiro e quase quebrou o Estado. Demos muita sorte. Casagrande deu muita sorte de ter perdido para Paulo Hartung em 2015.
A Tribuna – Mas e o mandato atual?
Guerino Zanon – Ele voltou ao poder depois das eleições de 2018, e hoje estamos atingindo a marca de 500 mil capixabas na extrema pobreza. Segundo o IBGE, 18,2% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham. Mas quando ele anunciou o secretariado dele, quem é do ramo sabia que não ia dar certo.
A Tribuna – Como assim?
Guerino Zanon – O Renato… (suspira) o governador é fraco para escolher equipe. Trouxe para ser presidente do Banestes um cara que logo depois foi preso pela Polícia Federal.
Também trouxe um secretário de saúde formado em Cuba que quer apagar o que foi construído aqui nos últimos anos, como é o caso da Rede Cuidar.
Ele tenta a todo custo destruí-la, porque é mania de socialista só aceitar coisas se tiverem o carimbo deles. Pode me chamar de conservador por gostar de conservar as coisas boas que dão certo.
A Tribuna – Então a continuidade da parte boa dos trabalhos anteriores é parte do seu projeto?
Guerino Zanon – Sabe por que Linhares deu certo? Porque eu administrei depois do (ex-prefeito) José Carlos Elias e aproveitei tudo de bom que ele havia construído. Não passei uma borracha. Quando saio em 2004 da prefeitura, Elias volta, e mantém o que eu construí nesse tempo. Entro em 2008 e a mesma coisa acontece. No geral, fizemos uma somativa. O que não vejo no governo estadual.
A Tribuna – E o que o levou ao PSD? Foi Paulo Hartung?
Guerino Zanon – Não, ele não tem influência alguma em minha ida ao PSD, apesar de eu elogiar seus mandatos independente disso. Eu reconheço a importância do Paulo ao Estado. Quem me levou ao PSD foi o Neucimar Fraga, antes de ir para o PP.
Quase desisti de ir porque não queria ir para convenção bater chapa com Eugênio Ricas (superintendente da Polícia Federal). Mas aí o Eugênio desistiu de disputar o governo e fui para o PSD.
A Tribuna – Neucimar saiu do PSD por sua causa?
Guerino Zanon – Não. Neucimar saiu porque não conseguiu fechar a chapa para federal. Ele tem todo direito de pensar no próprio umbigo, na própria reeleição.
A Tribuna – O senhor pode se aliar a outros pré-candidatos ou partidos?
Guerino Zanon – Nesses cinco mandatos de prefeito e também como deputado, não fechei nenhuma porta na minha carreira. Tenho abertura para conversar com todo mundo.
Claro que tenho dificuldades em fazer acordos com determinados segmentos da política capixaba.
Mas converso bem com todo mundo do PP, do MDB, com PSDB. E o que vejo: esses partidos não bateram martelo com ninguém ainda. Sabe, eu estive esses dias com Evair de Melo (deputado federal do PP)…
A Tribuna – Foi uma caminhada com Evair, ou com o bolsonarismo de Evair?
Guerino Zanon – Com Evair. Assim como converso com ele, converso bem com Theodorico Ferraço, Marcus Vicente, Neucimar, Norma Ayub, Josias da Vitória…
Todos são claros comigo que o diálogo pode ser aberto se o governador não cumprir a parte dele. O PSDB da mesma forma. Mas para que não fique dúvidas: minha caminhada é de centro para direita.
PERFIL
> Prefeito de Linhares 5 vezes
> Guerino Luiz Zanon (MDB) tem 65 anos e é professor de Física pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
> Foi filiado ao MDB de 1996 a 2022, saindo para se filiar ao PSD e ser pré-candidato ao governo estadual.
> Foi cinco vezes prefeito de Linhares e duas vezes deputado estadual.
> Em 2006,foi o deputado estadual mais votado na história do Espírito Santo, até hoje, com 65.704 votos.