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Política

Lava a Jato recebe prêmio de combate à corrupção

Deltan Dallagnol. Foto: Fábio Vicentini -13/05/2016 O procurador da República Deltan Dallagnol, da força tarefa da Operação Lava a Jato, disse no ...

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Deltan Dallagnol. Foto: Fábio Vicentini -13/05/2016 Deltan Dallagnol. Foto: Fábio Vicentini -13/05/2016

O procurador da República Deltan Dallagnol, da força tarefa da Operação Lava a Jato, disse no sábado (3), no Panamá, que os deputados federais no Brasil se aproveitaram da tragédia com a Chapecoense para “infligir o mais duro ataque” que a operação já sofreu. Ele e mais 11 procuradores de Curitiba (PR) foram ao Panamá para receber no sábado o prêmio internacional de combate à corrupção concedido pela Transparência Internacional. Dallagnol e os procuradores receberam a premiação no centro de convenções da Cidade do Panamá.

O anúncio se converteu num ato de protesto contra o pacote de medidas aprovadas pela Câmara na última semana que, segundo afirmou Deltan em seu discurso, representam “o início do fim da Lava a Jato”, caso se transformem em lei.

Um grupo da Transparência abriu um cartaz com os dizeres “Não à intimidação da Lava a Jato”. Em seu discurso, que leu em inglês, Dallagnol afirmou, sem citar o nome da empresa, que o acordo de delação premiada com a

empreiteira Odebrecht, pelo qual 77 executivos começam a colaborar com as investigações, está relacionado à ação do Congresso. “O pano de fundo desses ataques é a negociação de acordo com uma companhia que pagou algumas das maiores propinas. A companhia tinha um departamento só para fazer esses pagamentos ilícitos.

Dezenas de políticos foram envolvidos”, afirmou Dallagnol.

E completou: “Quanto mais perto estávamos do acordo, maiores eram as reações do Congresso. A Câmara dos Deputados cruzou a linha”.

Segundo ele, o projeto aprovado na Câmara prevê “o corte da independência dos procuradores federais e do Judiciário”. “Na última semana, quando uma tragédia levou o País a um grande luto, homens impiedosos colocaram em curso uma estratégia cruel. Enquanto o Brasil chorava o acidente aéreo que matou diversos jogadores de futebol, deputados da Câmara trabalharam ao longo da noite para infligir o mais forte ataque que a Lava a Jato sofreu”.

Dallagnol voltou a dizer que os procuradores estão decididos a renunciar a seus papéis na força tarefa, caso o projeto aprovado na Câmara seja confirmado no Senado e pelo presidente Michel Temer.

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