
O procurador da República Deltan Dallagnol, da força tarefa da Operação Lava a Jato, disse no sábado (3), no Panamá, que os deputados federais no Brasil se aproveitaram da tragédia com a Chapecoense para “infligir o mais duro ataque” que a operação já sofreu. Ele e mais 11 procuradores de Curitiba (PR) foram ao Panamá para receber no sábado o prêmio internacional de combate à corrupção concedido pela Transparência Internacional. Dallagnol e os procuradores receberam a premiação no centro de convenções da Cidade do Panamá.
O anúncio se converteu num ato de protesto contra o pacote de medidas aprovadas pela Câmara na última semana que, segundo afirmou Deltan em seu discurso, representam “o início do fim da Lava a Jato”, caso se transformem em lei.
Um grupo da Transparência abriu um cartaz com os dizeres “Não à intimidação da Lava a Jato”. Em seu discurso, que leu em inglês, Dallagnol afirmou, sem citar o nome da empresa, que o acordo de delação premiada com a
empreiteira Odebrecht, pelo qual 77 executivos começam a colaborar com as investigações, está relacionado à ação do Congresso. “O pano de fundo desses ataques é a negociação de acordo com uma companhia que pagou algumas das maiores propinas. A companhia tinha um departamento só para fazer esses pagamentos ilícitos.
Dezenas de políticos foram envolvidos”, afirmou Dallagnol.
E completou: “Quanto mais perto estávamos do acordo, maiores eram as reações do Congresso. A Câmara dos Deputados cruzou a linha”.
Segundo ele, o projeto aprovado na Câmara prevê “o corte da independência dos procuradores federais e do Judiciário”. “Na última semana, quando uma tragédia levou o País a um grande luto, homens impiedosos colocaram em curso uma estratégia cruel. Enquanto o Brasil chorava o acidente aéreo que matou diversos jogadores de futebol, deputados da Câmara trabalharam ao longo da noite para infligir o mais forte ataque que a Lava a Jato sofreu”.
Dallagnol voltou a dizer que os procuradores estão decididos a renunciar a seus papéis na força tarefa, caso o projeto aprovado na Câmara seja confirmado no Senado e pelo presidente Michel Temer.