A vitória de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara dos Deputados reforçou a percepção no grupo mais próximo a Luciano Huck de que é necessário construir uma estrutura partidária consistente para viabilizar o projeto presidencial do apresentador e empresário.
Uma opção que passou a ser avaliada com atenção por aliados do apresentador é o PSB. As conversas ocorrem desde o ano passado e têm sido estimuladas pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), e por sua namorada, a deputada federal Tabata Amaral (SP), que está rompida com seu partido, o PDT.
Os dois jovens políticos integram o RenovaBR, grupo de renovação e formação política que tem o apoio do apresentador. João Campos e Huck também estreitaram a relação quando o pessebista assumiu, aos 27 anos, o mandato de deputado federal e adotou uma agenda ambientalista e progressista.
Há a busca um arranjo que sustente a proposta de um centro liberal e democrático, capaz de se contrapor à polarização entre bolsonaristas e petistas. Ao menos quatro partidos já sondaram Huck.
O DEM, que flertava com Huck, mergulhou em uma crise interna após a eleição na Câmara, quando liberou seus deputados para votarem em Lira – candidato do presidente Jair Bolsonaro. A aproximação da legenda com o Planalto pode esfriar as conversas.
A alternativa PSB tem como pano de fundo uma possível fusão entre a sigla socialista e o PCdoB, o que resultaria na criação de uma nova legenda de centro-esquerda.
“Assim como em 2018, a eleição de 2022 também não será convencional. Mas ainda não aconteceu nenhuma conversa da direção do PSB com o Huck”, afirmou o presidente do PSB, Carlos Siqueira.
Huck tem revelado ter admiração pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), com quem também tem mantido conversas regulares nos últimos dois anos. Dino vê em Huck um quadro “liberal progressista”, que, uma vez eleito, não adotaria uma agenda de esquerda “puro sangue”, mas faria um governo associado à pauta de proteção social e ambiental.
Uma outra hipótese de união partidária – entre Cidadania, PV e Rede – poderia servir de guarida para Huck. A ex-ministra Marina Silva mantém interlocução, mas a Rede resiste à ideia de fusão.
