Em sua primeira noite na cadeia em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dormiu mal. Entretanto, logo na manhã deste domingo (8), Lula tomou seu desjejum na cela da Superintendência da Polícia Federal. O cardápio foi modesto: café e pão com manteiga.
Ainda neste domingo (8), o petista terá direito à duas horas de sol diárias. Ainda de acordo com informações, Lula estaria preocupado com a possibilidade de não conseguir manter a sua rotina de exercícios.
Luiz Inácio Lula da Silva chegou na noite deste sábado (7) à sede da Polícia Federal. Por lá, ele vai cumprir a pena de 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se entregou à Polícia Federal às 18h40 deste sábado (7), quase 26 horas após o prazo dado pelo juiz Sergio Moro. Manifestantes impediram por mais de duas horas que Lula deixasse a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, onde estava desde quinta (5), quando teve a prisão decretada.
O cronograma previsto era que, após a missa em que discursou num carro de som, o petista almoçasse com familiares enquanto a militância se dispersasse para que sua saída não fosse tumultuada. Apoiadores, no entanto, não deixaram o local. Às 17h, Lula chegou a entrar em um automóvel, mas foi impedido de sair do sindicato. Havia militantes do MTST, MST, CUT e Levante Popular.
Depois de alguns minutos, o ex-presidente saiu do carro e, abraçado e ouvindo gritos de seu nome, sorriu ao entrar de volta para o sindicato. Em uma sala da diretoria, Lula aguardou até que dirigentes encontrassem uma saída. A cúpula do PT e os advogados de Lula temiam que o atraso complicasse a situação do ex-presidente inclusive em outros processos.
Do lado de fora do edifício, o carro de som foi levado para perto de um dos portões. Lá, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, apelou aos militantes que facilitassem a rendição. “A Polícia Federal deu meia hora para a gente resolver essa situação”, afirmou. “Não vim aqui pra induzir nenhuma decisão. Mas a consequência pode ser para nós que a polícia venha aqui dar paulada na gente”, disse.
O presidente do PT paulista, Luiz Marinho, iniciou uma votação entre os apoiadores sobre a liberação da saída de Lula. O quarteirão já estava cercado por policiais e dentro do sindicato havia agentes da PF à paisana. Enquanto militantes ainda estavam em assembleia, às 18h40, Lula deixou o sindicato a pé pelo portão do lado oposto ao que estava o carro de som. Dois cordões de seguranças possibilitaram que ele caminhasse por uma viela até chegar a viaturas da PF que o aguardavam.
Em bairros nobres de cidades como São Paulo, Rio e Belo Horizonte, entre outras, moradores soltaram foguetórios e fizeram buzinaços. Já sob custódia, Lula foi levado em um comboio de viaturas e chegou à sede da PF, em São Paulo, às 19h44. Às 20h11, voou de helicóptero até o aeroporto de Congonhas, de onde partiu para Curitiba.
Sua chegada de helicóptero à superintendência da PF em Curitiba, onde cumprirá pena em uma cela especial, às 22h29, causou tumulto entre apoiadores e opositores do ex-presidente, que o aguardavam. Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.
