Os celulares utilizados pelo presidente Jair Bolsonaro foram alvo de ataques dos supostos hackers presos na terça-feira (23) durante a operação Spoofing. A informação é da Polícia Federal (PF) e foi repassada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. As invasões foram realizadas pelo mesmo grupo que invadiu o Telegram do ministro Sergio Moro.
“Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República”, informou o Ministério da Justiça através de nota nesta quinta-feira (25). No entanto, o comunicado não informa se os hackers conseguiram obter alguma informação dos aparelhos utilizados pelo presidente.
Quatro pessoas foram presas na operação Spooting: Gustavo Henriques Elias Santos, 28 anos; Suelen Priscila de Oliveira, 25 anos; Danilo Cristiano Marques, 33 anos; e Walter Delgatti Neto, 30 anos. A ação, realizada em Araraquara e Ribeirão Preto, em São Paulo, investiga invasão do celular do ministro Sérgio Moro, de um desembargador, um juiz federal e dois delegados da Polícia Federal.
Ainda nesta quinta, a PF deve encaminhar um ofício para o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) solicitando uma reunião para buscar formas de sanar as fragilidades encontradas na investigação.
De acordo com a PF, a investigação é conduzida desde o mês de abril, quando procuradores da Força Tarefa da Lava Jato passaram a relatar algumas ligações recebidas em seus aparelhos originadas do próprio número. Em junho, Moro e outras autoridades informaram ocorrência semelhante.
Parte das conversas que o ministro Sergio Moro manteve com procuradores da Força Tarefa Lava Jato quando ainda era juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável por julgar as denúncias apresentadas no âmbito da Lava Jato, foi repassada ao site de notícias The Intercept Brasil, que decidiu tornar público as informações que considera ser de interesse público. Segundo os site, os arquivos foram entregues a jornalistas do veículo por uma fonte anônima. A Constituição brasileira assegura aos jornalistas o direito de não revelar suas fontes.
Sergio Moro
Em depoimento à Polícia Federal na quarta-feira (24), Walter Delgatti Neto, confirmou que esteve envolvido na invasão do celular do ministro Sergio Moro, de procuradores da Força-Tarefa da Lava-Jato, como Deltan Dellagnol, além de outras autoridades.
Delgatti, conhecido como “Vermelho”, foi o primeiro dos quatro suspeitos a ser preso. Além dele, a Polícia Federal prendeu o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira e também Danilo Cristiano Marques. A PF investiga o envolvimento de outras seis pessoas e supostos patrocinadores do grupo.
Ao decretar a prisão temporária de quatro investigados, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, apontou para a incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal do casal em dois períodos de dois meses: de abril a junho de 2018 e março a maio de 2019, quando eles movimentaram R$ 627 mil com renda mensal de R$ 5.058.
Além de Moro, procuradores da Lava a Jato no Paraná e outras autoridades teriam sido alvo de hackers – no mandado de buscas, há menção ao desembargador federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio, ao juiz Flávio Lucas, da 18ª Vara Federal do Rio e aos delegados da PF Rafael Fernandes, em São Paulo, e Flávio Vieitez Reis, em Campinas.
A Polícia Federal informou também na quarta que vai investigar a suspeita de invasão nos aparelhos celulares do ministro da Economia, Paulo Guedes, e da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). Segundo a polícia, é possível que quase mil integrantes dos três Poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) tenham sido alvo dos suspeitos nos últimos meses.
