O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro disse em entrevista ao jornal britânico Financial Times que o governo do presidente Jair Bolsonaro usou sua presença na equipe ministerial como “desculpa” para mostrar que medidas anticorrupção estariam sendo tomadas.
Segundo o ex-juiz da Lava a Jato, no entanto, o governo não vinha se empenhando e essa agenda de combate à corrupção passou a sofrer uma série de derrotas.

A publicação lembrou que a saída de Moro do Ministério da Justiça foi marcada pela acusação de que Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal. Um inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) investiga as declarações do ex-ministro.
“Ele (Bolsonaro) mudou o diretor da Polícia Federal sem pedir minha opinião e sem uma boa causa. Não acho que dá para combater corrupção sem respeitar a lei e a autonomia das instituições que investigam e denunciam crimes”, declarou.
Moro também comentou a aproximação de Bolsonaro com as legendas do centrão, classificado pelo FT como “controverso bloco de partidos conhecidos por oferecer apoio em troca de cargos políticos”. “No começo, o governo parecia evitar esse tipo de prática, mas, hoje em dia, eu não tenho tanta certeza”.
Presidenciável
Na semana passada, o jornal O Estado de São Paulo mostrou que um dos motivos que fizeram integrantes do centrão se aliarem a Bolsonaro é justamente o medo de uma possível candidatura presidencial de Moro em 2022.
Sem um candidato próprio na direita ou mesmo da centro-direita, o grupo teme que um eventual afastamento de Bolsonaro fortaleça a eleição do ex-ministro caso Bolsonaro tenha o mandato interrompido. Quando era juiz da Lava a Jato, Moro foi algoz de vários dirigentes do bloco partidário.