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Política

Mulheres fazem curso para entrar na política

O Espírito Santo terá quatro representantes dentro dos 150 selecionados para participarem do curso do RenovaBR, escola de educação política focada em ...

A delegada Gracimeri Graviorno, a advogada Edilamara Rangel e a engenheira Patrícia Bortolon são três das quatro personalidades do Estado que vão participar do curso

Última atualização

O Espírito Santo terá quatro representantes dentro dos 150 selecionados para participarem do curso do RenovaBR, escola de educação política focada em formar lideranças políticas no País. E todas elas são mulheres que buscam espaço na política regional, que, em 2020, elegeu, dos 860 vereadores, apenas 93 mulheres.

São elas: a ex-delegada-chefe da Polícia Civil e atual secretária de Municipal de Políticas Públicas para Mulheres da Serra, Gracimeri Graviorno; a engenheira civil e professora universitária Patrícia Bortolon; e as advogadas Edilamara Rangel e Fayda Belo.

Edilamara é advogada previdenciária e trabalhista e foi, em 2020, candidata a vice-prefeita em Cariacica pelo Rede. Ela destacou o preconceito ainda existente contra a mulher na política.

“A mulher tem uma invisibilidade histórica. Ainda hoje há, tanto na política quanto em outras esferas, um desmerecimento da competência da mulher, um preconceito quanto a sua capacidade”.

A delegada Gracimeri Graviorno,a advogada Edilamara Rangel e a engenheira Patrícia Bortolon são três das quatro personalidades do Estado que vão participar do curso (Foto: Kadidja Fernandes/ AT)

Gracimeri Graviorno, por sua vez, foi candidata pelo PSC à Prefeitura da Serra em 2020.
Ela atua como presidente do PSC Mulher no Estado e conta que já havia sido aluna do RenovaBR no ano passado, mas se matriculou novamente para focar no processo eleitoral de 2022.

“Vejo que poucas mulheres ocupam espaço de decisão, e quando nós ocupamos esse espaço, podemos fazer a diferença. As mulheres são mais capazes de dialogar e serem mediadoras, o que está faltando neste momento conturbado do País”, explica, sem confirmar para qual cargo irá se candidatar.

Já Patrícia Bortolon foi candidata a vice-prefeita de Vitória em 2020 pelo Novo. Ela conta que ouviu experiências de colegas do partido com o curso e se interessou, já que planeja se candidatar novamente em 2022, seja para deputada estadual ou federal.

“Estou me preparando para isso. Gostei muito da proposta deles, da forma como preparam, como capacitam quem almeja atuar na política. Outra virtude do curso é a oportunidade de dialogar com inúmeras visões de mundo, já que há pessoas de variados espectros”.

Por fim, Fayda Belo é a única das selecionadas que não é da Grande Vitória. Ela foi candidata a prefeita de Cachoeiro de Itapemirim em 2020 pelo PP, e em julho foi nomeada assessora executiva da Secretaria Municipal de governo e Planejamento Estratégico.

Saiba mais

O que é o RenovaBR?

  • O RenovaBR é uma iniciativa de renovação política, criada em 2017, que apoia o surgimento de novas lideranças políticas no Brasil através da qualificação e formação de quadros.
  • Dentre os atuais políticos eleitos no País que passaram pela RenovaBR, estão o deputado federal Felipe Rigoni (sem partido) e a vereadora de Vitória, Karla Coser (PT)
  • A turma deste ano terá 150 alunos de todo o País. Quatro desses são capixabas, todas mulheres. São elas:

Fayda Belo

  • Advogada criminalista especialista em crimes de gênero, Direito antidiscriminatório e feminicídios, coordenadora municipal do Instituto Mulheres no Poder e madrinha do coletivo da população negra do Espírito Santo.
  • Ela ainda não confirmou se irá disputar as eleições de 2022. Natural de Cachoeiro, foi candidata a prefeita do município em 2020 e a deputada federal em 2018, pelo PP em ambas as eleições.

Gracimeri Graviorno

  • Atualmente é secretária de Direitos Humanos da Serra. Foi delegada-chefe da Polícia Civil e subsecretária de Estado na Segurança Pública e em Direitos Humanos.
  • Foi candidata em 2020 à Prefeitura da Serra, e aguarda definição de seu partido, o PSC, para definir qual cargo disputará em 2022.

Edilamara Rangel

  • Advogada especialista nas áreas trabalhista e previdenciária. Advogada, presidente da Comissão da Mulher, coordenadora do Movimento Envolva-se, coordenadora dos Direitos e Defesa da Mulher da ABMCJ-ES.
  • Foi candidata a vice-prefeita de Cariacica em 2020 pelo Rede, mas ainda não definiu qual cargo disputará em 2022.

Patrícia Bortolon

  • Engenheira Civil com Doutorado em Administração de Empresas (COPPEAD/UFRJ). Atuou por 16 anos em corporações (Vale, Coca-Cola, Embratel) e é professora/pesquisadora universitária na Ufes.
  • Foi candidata a vice-prefeita de Vitória em 2020 pelo Novo, e deve ser candidata a deputada em 2022.

Fonte: RenovaBR

Aluna vira celebridade da internet

Selecionada para participar da turma de 2021 do RenovaBR, a advogada criminalista cachoeirense Fayda Belo conta que ainda não pensou se vai ser candidata em 2022 ou não.

Isso se deve, segundo Fayda Belo, ao fato de ter se tornado celebridade virtual graças aos vídeos que publica no TikTok.

Fayda Belo: ensino a seguidores (Foto: Divulgação)Fayda acabou por viralizar na plataforma ao ensinar seus seguidores a usar a lei para se defender dos mais variados crimes.

A advogada tem cerca de 657 mil seguidores e 9 milhões de curtidas em seus vídeos que citam com precisão trechos da Constituição e do Código Penal, chegando a ser comparada a Annalise Keating, personagem da atriz americana premiada Viola Davis na série How to Get Away with Murder (“Como defender um Assassino”, em tradução da Netflix).

“Eu tinha feito a inscrição oito meses atrás. De lá pra cá, a vida mudou muito. Eu não tinha esse trabalho com as redes, que acabou virando prioridade. Por enquanto, estou entrando no curso com o foco em aprender, saber o máximo possível”, explica.

Fayda, porém, não é uma novata na política: em 2020, disputou a Prefeitura de Cachoeiro, e teve 2.438 votos. Em 2018, tentou o cargo de deputada federal, recebendo 5.544 votos. Ela diz não estar pensando nas eleições de 2022 ainda.

Análise

“Machismo impera e partidos privilegiam candidatos homens”

“É muito importante que as mulheres participem da política, porque outras mulheres vão se espelhar nessas que forem eleitas e entender que elas estão conquistando espaços que antes não conseguiam alcançar.

O sistema proporcional de eleição dá um contexto onde elas têm mais chance de conquistarem as vagas. Nas eleições majoritárias, a gente sabe que o machismo ainda impera e os próprios partidos privilegiam candidaturas masculinas.

Em 2018, o TSE teve de determinar que pelo menos 30% do fundo eleitoral fosse dedicado ao gênero com menos candidatos, o que na América Latina acaba sendo a situação das mulheres.

Ainda assim, a gente elege poucas mulheres. Em 2018 tivemos o recorde de mulheres eleitas para a Câmara no Brasil, foram 77 em números absolutos, mas isso equivale a 15%.

Importante destacar que há pautas que afetam diretamente às mulheres e é essencial a participação de representantes femininas. Licença-maternidade, violência doméstica e o aborto não devem ser discutidos apenas na visão dos homens.”

Vinícius Zuccolotto, cientista político

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