Intercalando momentos de silêncio e choro, além de um tom de revolta em suas colocações, a ex-deputada federal Rita Camata, viúva do ex-governador Gerson Camata, assassinado em dezembro do ano passado, na Praia do Canto, em Vitória, falou à imprensa neste sábado (1º) a respeito da morte de Camata.
O fio condutor da conversa foi a falta que, segundo ela, o ex-governador faz em sua vida e de toda a família – esses são pontos em que a ex-deputada mais se emociona.
Rita, no entanto, não se furtou de falar com A Tribuna sobre seu sentimento acerca do depoimento prestado por Marcos Venicio Moreira Andrade, assassino confesso de Camata, à Justiça, na última quinta-feira, em que ele disse que “estar no presídio era muito duro, mas que, mais duro ainda, era saber que tinha tirado a vida do ex-governador”.
A Tribuna – Como têm sido esses cinco primeiros meses sem o ex-governador Gerson Camata?
Rita Camata – A sensação é a mesma sempre, a de muito sofrimento, de uma perda irreparável para todos da nossa família. Ele era o nosso norte… Ele era meu norte (choro). A maior parte da minha vida foi ao lado dele. Sinto muita falta. Apesar de o tempo passar, ainda não acredito que ele se foi.
Quais são os piores momentos?
As piores horas são as que temos de celebrar alguma coisa, aquelas em que vemos que ele não está presente. Em janeiro, por exemplo, nosso filho, o Bruno Camata, passou no vestibular para Economia, que era o maior sonho dele. Seguir o caminho do pai (choro novamente). A gente também acabou descobrindo, semanas depois da morte do Gerson, que a minha filha, a Enza, estava grávida. Não tivemos ânimo para comemorar.
Uma parte delicada para a família tem a ver com o processo que trata sobre o assassinato do ex-governador. Como é lidar com isso?
Eu morro toda vez. Ter de reviver tudo aquilo (choro)… Morro um pedaço, sempre. Um cidadão daqueles (Marcos) dizer que sofre por ter assassinado o Gerson. Quando vejo ele vir se fazer de vítima…. é cruel.
A senhora se refere ao fato de, na última quinta-feira, Marcos Venicio ter dito que estar preso é duro, mas que mais duro ainda é saber que matou o ex-governador?
Sim. Esse cidadão é frio, calculista. Ele mostrou cinismo, frieza, ao fazer isso com alguém que sempre o valorizou. Ele tirou a vida de um homem que deu tudo o que ele tem. É muito cruel.
Se tivesse a chance de ficar frente a frente com Marcos, o que perguntaria a ele?
Não quero isso nunca! O arrependimento dele não me convence. Vai contar essa história para outro. É muito difícil acreditar no que ele teve coragem de fazer com o Gerson. Uma coisa torpe.
Do que você sente mais raiva, então?
De ele dizer que agiu de cabeça quente. Todo mundo sabe que, por todos os lugares em que ele passava, porque não tinha nada para fazer na vida, afirmava que tiraria a vida do Gerson. Ele sempre dizia isso.
O ex-governador sabia disso? Mudou a rotina por conta das ameaças?
Gerson foi avisado sobre essas coisas. Ultimamente, ele havia mudado alguns hábitos, como precaução. Deixou de fazer caminhada, por exemplo.
Depois de tudo o que aconteceu, a família pensou ou pensa em deixar o Estado?
Tenho uma preocupação muito grande com a questão da nossa segurança, porque a gente não sabe o que pode esperar. Peço a Deus que a Justiça seja feita e que esse homem não volte para as ruas. Ele precisa pagar por seus crimes.
Pretende, então, aguardar a finalização do processo para decidir sobre isso?
Eu me sinto muito só aqui. Meu filho, Bruno, mora em São Paulo. No entanto, preciso seguir acompanhando a parte burocrática de tudo, além de tentar garantir que a justiça seja feita.
