O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes ordenou que a Polícia Federal cumprisse, nesta quinta-feira (15), um total de 81 mandados de busca e apreensão contra pessoas envolvidas em manifestações contra o resultado do segundo turno das eleições presidenciais deste ano. Moraes também ordenou o bloqueio de diversas contas bancárias e de vários perfis nas redes sociais dos investigados.
As buscas são realizadas em endereços nos estados de Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina. Em um dos endereços, em Santa Catarina, a PF encontrou o que foi considerado pelos agentes como um arsenal. Foram 11 armas, entre elas, uma submetralhadora, um fuzil e rifles com luneta.
Desde o segundo turno, alguns manifestantes bloquearam estradas e fizeram atos em frente a quartéis cobrando uma posição das Forças Armadas sobre o resultado que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No último dia 7, o ministro já havia multado em R$ 100 mil os proprietários dos caminhões identificados pelas autoridades de Mato Grosso que estariam envolvidos nesses atos, tornando esses veículos indisponíveis, ou seja, ele proibiu sua circulação e bloqueou seus documentos. A decisão ocorreu após ele ter determinado a adoção de providências para o desbloqueio de rodovias e espaços públicos no estado.
Em novembro deste ano, o ministro também mandou bloquear contas bancárias ligadas a 43 pessoas e empresas suspeitas de envolvimento com os atos que questionam o resultado das eleições.
Por meio de nota, o STF afirmou que “a operação se baseou em uma rede de investigação formada por relatórios de inteligência enviados pelo Ministério Público, pela Polícia Civil, pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária Federal dos estados”.
De acordo com o STF, os levantamentos das corporações identificaram “patrocinadores de manifestações, financiadores de estruturas para acampamentos, arrecadadores de recursos, lideranças de protestos, mobilizadores de ações antidemocráticas em redes sociais, além de donos de caminhões e veículos que participaram de bloqueio”.
A nota ressalta que a investigação apura a atuação de três grupos “envolvidos no crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.
Segundo o STF, foram mapeados três grupos envolvidos nos bloqueios. O dos líderes, organizados, financiadores e fornecedores de apoio logístico; os proprietários e condutores de caminhões; e os proprietários e condutores dos veículos utilizados, por exemplo, no “transporte de pneus a serem queimados, estrutura para barracas e transporte de banheiros químicos”.
Entenda
Os bloqueios de rodovias começaram logo após ser declarada a vitória de Lula. No dia seguinte da eleição, já havia 321 pontos de bloqueios em vias de 25 estados e no Distrito Federal.
Vídeos que circularam na internet mostraram integrantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) agindo de maneira permissiva com essas manifestações, segundo o STF.
O número de pistas bloqueadas foi diminuindo ao longo dos dias, mas demorou para acabar totalmente. Em 19 de novembro, por exemplo, a PRF ainda contabilizava cinco rodovias interrompidas. Isso 20 dias depois de Moraes ter determinado o desbloqueio de todas as estradas obstruídas.
A decisão foi referendada por unanimidade pelo plenário do STF. Após o fim dos bloqueios, os apoiadores do presidente direcionaram as manifestações para a frente de quartéis generais do Exército em todo o País.
De acordo com a Folha de S.Paulo, vários casos de violência foram registrados, como agressões, sabotagem, saques, sequestro e tentativa de homicídio, as manifestações atingiram seu ponto crítico e acenderam o alerta das autoridades, que realizaram prisões e investigam até possível crime de terrorismo.
O caso mais recente de violência ocorreu nesta segunda-feira (12). Horas após a diplomação de Lula, uma ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) contra um indígena apoiador do presidente Bolsonaro acabou em atos de violência em frente à sede da Polícia Federal e em vias de Brasília.
Nesta segunda-feira (12), reportagem da Folha revelou que caminhões usados nesses bloqueios de estradas e avenidas do Centro-Oeste contra a eleição de Lula já estiveram envolvidos em crimes como tráfico de drogas, contrabando e crime ambiental registrados pela polícia.
As informações constam de documento enviado pela PRF ao STF a partir do levantamento de placas dos veículos que participaram de um comboio organizado por manifestantes em Cuiabá (MT) no dia 5 de novembro.