A Polícia Federal do Paraná abriu um inquérito policial para investigar um suposto esquema de corrupção na compra de termoelétricas pela Petrobras durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre os anos de 1999 e 2001. A investigação foi aberta no âmbito da Operação Lava Jato e envolvei as empresas Alstom/GE e NRG.
O delegado Roberto Biasoli afirmou que declarações feitas pelo ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, são a base para a investigação. Cerveró cumpre pena em regime domiciliar por participação no esquema na estatal. O ex-diretor afirmou à força-tarefa da operação que recebeu propina não só em relação à compra de máquinas, mas também da empreiteira Camargo Corrêa de R$ 200 mil, pelo lobista Afonso Pinto Guimarães, em parcelas mensais de R$ 15 mil entre 1999 e 2000.
Cerveró também contou que a Camargo Corrêa foi responsável pela obra da termoelétrica de Nova Piratininga, em São Paulo. Ele também disse ter recebido 300 mil dólares da NRG, pela usina termelétrca TermoRio, com pagamento feito por depósito em sua conta na Suíça, entre os anos de 2000 e 2001.
De acordo com o ex-diretor, para a construção e exploração de termoelétricas no programa conhecido como “Apagão”, na gestão de FHC, era preciso adquirir turbinas de geração de energia térmica a gás e que a empresa ABB foi a primeira a fornecer, em 1999, posteriormente adquirida pela Alstom e depois pela GE. No entanto, nessa primeira aquisição já houve pagamento de propina.
O documento com a abertura do inquérito foi publicado no sistema da Justiça Federal do Paraná pela PF no dia 23 de setembro.
A General Electric (GE) disse que não se manifestaria sobre o caso. “A GE não foi notificada sobre o inquérito e, por isso, não comenta especulações”, informou sua assessoria de imprensa. Os demais envolvidos no caso ainda não se manifestaram.