
O Ministério Público Federal (MPF) afirmou nesta quarta-feira, 14, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o “comandante máximo do esquema de corrupção” que atuava na Petrobras e investigado pela Operação Lava Jato. Em entrevista realizada nesta tarde, o procurador Deltan Dallagnol detalhou o esquema comandado por Lula.
Dallagnol afirmou que o MPF reuniu provas que indicam a denúncia de Lula como chefe. O ex-presidente recebeu R$ 3,7 milhões em propinas que foram pagas de forma dissimula. O procurador informou que há 14 conjuntos de evidência contra o ex-presidente.
Segundo a denúncia, o mega esquema envolveu R$ 6,2 bilhões em propina, que gerou um prejuízo de R$ 42 bilhões à Petrobras.
De acordo com o procurador, Lula tinha poder para distribuir cargos e antes dos cargos serem distribuídos, ele tinha a minoria no Congresso, mas passou a ter 325 deputados após a distribuição. “Lula estava no topo da pirâmide do poder. No período em que foi estruturado o esquema criminoso do Petrolão, foi Lula que deu provimento aos altos cargos da administração pública federal”, disse o procurador.
“O petrolão era parte de um quadro muito maior”, disse. O procurador afirmou ainda que houve uma “propinocracia”, em que o governo era regido por propinas, e buscava governabilidade mediante a corrupção. “No centro do núcleo político está o senhor Lula.”
Dallagnol afirmou ainda que os objetivos do governo eram alcançar perpetuação criminosa no poder, juntos recursos para campanhas e também para o enriquecimento ilícito dos integrantes do esquema. Segundo o procurador, o esquema não estava restrito à Petrobras, mas também operava na Eletrobras, no Ministério do Planejamento, da Saúde, na Caixa Econômica, podendo ter alcançado outros órgãos públicos.
A denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentada nesta quarta-feira, 14, pelo Ministério Público, tem mais de 270 tópicos. Além de afirmar que Lula era o comandante do esquema de corrupção, o texto aponta os pagamentos efetuados pela Construtora OAS em favor da Granero para o armazenamento de parte dos bens e pertences pessoais do ex-presidente.
“Soma-se a isso o fato de que os pagamentos da armazenagem dos bens pessoais pertencentes a Lula foi assumida por empresa que se beneficiou diretamente dos ilícitos praticados em desfavor da Administração Pública Federal, notadamente da Petrobras, e tinha uma dívida de propinas com esquema de governo e partidário (era uma das empreiteiras cartelizadas). Além disso, tal empreiteira era controlada por Léo Pinheiro, pessoa muito próxima de Lula”.
A Polícia Federal indicou que a OAS pagou por cinco anos R$ 21,5 mil mensais, entre 2011 e 2011 para que os bens de Lula ficassem guardados no depósito da Granero, totalizando R$ 1,3 milhão em pagamentos. O valor corresponde a vantagens indevidas que foram pagas pela OAS, segundo a Polícia Federal.
De acordo com os procuradores, é indiscutível a participação de Paulo Okamotto nas irregularidades. O presidente do Instituto Lula quem teria solicitado à Granero o orçamento para que os bens de Lula fossem armazenados em depósito climatizado e, depois, firmou o contrato.