Já passa de duas horas a reunião do governador Renato Casagrande (PSB) com representantes de quatro associações de policiais e bombeiros militares, que está acontecendo nesta terça-feira no Palácio Anchieta. Eles cobram valorização para a carreira e querem ouvir propostas do governo.
“A reposição das perdas salariais é prioridade. Nós ainda não ouvimos o governo, não conseguimos saber qual o planejamento, a linha de gestão. Será um momento importante de ouvir e entender. Não vamos botar a faca no pescoço de ninguém”, disse o presidente da Associação de Cabos e Soldados, cabo Jackson Eugênio Silote.
Diretor financeiro da mesma entidade, o cabo Goes pontuou que a principal reivindicação, além da revisão salarial, é o plano de progressão na carreira.
“Queremos ajudar a corrigir a legislação que rege os critérios e condições para ascensão profissional, que hoje está estagnada. Um ponto importante é a promoção por tempo de serviço. Hoje, ocupamos o vergonhoso posto de pior salário e pior carreira entre todas as corporações do País”, disse.
A alteração no plano de carreira de policiais militares e bombeiros depende de projeto de lei a ser enviado para a Assembleia. O governador Renato Casagrande havia designado os secretários Alvaro Duboc (Economia e Planejamento) e Roberto Sá (Segurança Pública) para tratar das negociações e estruturar os projetos.
As duas secretarias foram procuradas ontem pela reportagem, mas responderam que não vão se manifestar sobre o assunto. Questionado em outras duas ocasiões sobre a progressão por tempo de serviço, Casagrande disse que não atenderia a reivindicação por questões fiscais.
Participam da reunião a Associação dos Oficiais Militares (Assomes), Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia e Bombeiro Militar (Asses), Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar (ACSPMBM-ES) e Associação de Bombeiros Militares (ABMES).
O presidente da Assomes, Coronel Capita, não retornou os contatos da reportagem, que não conseguiu falar com representantes das demais associações.
Líder do governo rebate críticas e diz que há diálogo
Quem não gostou da manifestação dos policiais civis na Assembleia, ontem, foi o líder do governo na Casa, o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD). Enivaldo contestou a acusação de que não existe diálogo com o governo e prometeu não receber mais representantes dos policiais.
“Ouvi hoje alguns manifestantes e digo que eles eu não recebo mais. Quem se dispõe a ser líder sindical tem que saber conduzir negociação. Não dá para liderança sindical abrir diálogo e depois ficar ao mesmo tempo realizando movimento de pertubação, como se não tivesse sido aberto o diálogo”, discursou o deputado em plenário.
Enivaldo reconheceu a defasagem no salário da categoria, reforçou que a solução sairia do diálogo sem demagogia, mas que infelizmente a legislação não permitia aumento salarial apenas de uma categoria.
O parlamentar disse ainda que é possível que o Executivo conceda aumento de 3% a 5% para todo o funcionalismo público entre julho e agosto se a receita continuar a crescer.
Eustáquio Freitas (PSB), por sua vez, pediu paciência aos policiais, garantiu que o governador Renato Casagrande (PSB) trabalha com o diálogo e que vai tratar do assunto. “O governo está estabelecendo o planejamento estratégico para os próximos quatro anos e não tenho dúvidas de que o diálogo está aberto e que o governo vai encontrar caminhos de atender a Polícia Civil”, afirmou.
Líder do governo rebate críticas e diz que há diálogo