“Esquece o PSL, tá ok?”, recomendou o presidente Jair Bolsonaro a um apoiador, no dia 8 de outubro, no primeiro sinal público de rompimento com o partido pelo qual ele se elegeu. Desde então, 7.739 pessoas seguiram a orientação e deixaram o PSL, incluindo Bolsonaro.
Em média, foram 66 desfiliações por dia, segundo levantamento feito pelo Estado com dados informados pela legenda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A desidratação do PSL é reflexo da ofensiva para tirar do papel o Aliança pelo Brasil, partido criado pelo presidente, mas que ainda precisa ser oficializado pela Justiça Eleitoral.
Para isso, são necessárias 492 mil assinaturas de eleitores que não estejam filiados a outra sigla.
Pelas redes sociais, integrantes do Aliança — entre os quais o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho mais velho do Presidente — têm orientado os seguidores a se desfiliar de seus atuais partidos para que as assinaturas sejam validadas pela Justiça Eleitoral.
No domingo de Carnaval, dia 23, por exemplo, a advogada e tesoureira do Aliança, Karina Kufa, publicou no Twitter um passo a passo. “Desfiliação. Como fazer? Envie uma comunicação ao diretório municipal do partido a que está filiado. Ele não precisa concordar, mas só ser informado que não deseja mais vínculo”, postou Karina.
A advogada disse ter recebido denúncias de que dirigentes locais do PSL têm dificultado desfiliações, se recusando a receber os pedidos. “As pessoas estão apresentando a ficha ao Aliança, mas ainda constam como filiados mesmo após pedir a desfiliação”, disse. Apesar dos esforços, o Aliança já admite que não vai participar das eleições este ano.
Até então nanico, o PSL virou superpotência partidária em 2018 ao eleger a maior bancada na Câmara, ao lado do PT, na esteira do “bolsonarismo” — de um deputado eleito em 2014, pulou para 52. Elegeu ainda quatro senadores e três governadores, feito inédito para a sigla fundada há 26 anos pelo empresário e deputado Luciano Bivar (PE).
No período em que teve o Presidente entre suas fileiras, o PSL aumentou sua base de filiados em quase 50%. Foram quase 113 mil pessoas que ingressaram na sigla entre abril de 2018, quando Bolsonaro anunciou sua entrada na sigla, até outubro de 2019, quando o rompimento se tornou público.
