Quatro das maiores centrais sindicais anunciaram adesão às manifestações marcadas para o próximo domingo (12) pelo Movimento Brasil Livre (MBL) em prol do impeachment do Presidente Jair Bolsonaro.
“É inquestionável que o objetivo do Presidente e de seus apoiadores é dividir a Nação, empurrar o país para a insegurança, o caos e a anarquia, resultado da reiterada incitação ao rompimento da legalidade institucional, do descumprimento dos preceitos contidos na nossa Constituição democrática”, diz o texto divulgado nesta quinta-feira (9).
A nota é assinada por Miguel Torres, líder da Força Sindical, Ricardo Patah, líder da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Antonio Neto, líder da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e José Reginaldo Inácio, líder da Nova Central Sindical de Trabalhadores.
“Seu único interesse é permanecer aferrado ao poder mesmo que isso signifique romper a legalidade democrática, visto que é cada vez mais evidente seu isolamento político e a perda de apoio popular, em suma, seu projeto de reeleição escorre entre os dedos”, aponta o texto numa menção a Bolsonaro.
A exceção ficou para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que anunciou que não irá participar dos movimentos. A presidente estadual da CUT, Clemildes Cortes, explicou que não há confiança quanto aos interesses dos organizadores deste ato.
“Nós somos contra Bolsonaro. Mas estamos receosos com o MBL, pelo histórico. Tenho minhas dúvidas sobre essa posição deles contra o Bolsonaro. É capaz de inventarem um novo Bolsonaro”.
A coordenadora do MBL-ES, Bruna Rodrigues, confirmou que o evento será uma carreata e terá início às 9h30, na Praça do Papa, na Enseada do Suá, Vitória.
O objetivo será atravessar a Terceira Ponte até a Prainha, em Vila Velha. Ela afirmou que não há previsão de participantes, mas que todos que forem antigoverno Bolsonaro serão bem-vindos, contanto que não utilizem adereços partidários ou sindicalistas.
“Preferimos não estimar quantas pessoas vão participar, por se tratar do primeiro ato desde o início da pandemia. Não vamos parar a ponte, só atravessá-la”, disse Bruna.
“Todos que forem contra Bolsonaro são bem-vindos. Mas símbolos partidários e sindicalistas estão proibidos. Nossa manifestação é apartidária, e a polícia deverá retirar quem não respeitar isso, até para evitar conflitos”, alertou.
Serviço
Carreata pelo impeachment
- Quando e onde: Domingo, 9h30, na Praça do Papa, Enseada do Suá, Vitória, indo até a Prainha, em Vila Velha
Fonte: Movimento Brasil Livre
MBL e bolsonaristas trocam farpas
Organizadores do ato de domingo pelo impeachment e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro trocaram farpas, ontem, mas acabaram concordando, no fim, em afirmar que o chefe do governo não representa a direita no espectro político.
Começou com a coordenadora do Movimento Conservador e da Direita Espírito Santo, Alexandra da Silva, que repudiou o ato do MBL, afirmando que o grupo não é de direita, como se autointitula.
“O MBL não é de direita. Nós repudiamos o ato de 12 de setembro, contra o Presidente, que foi eleito democraticamente, sem cometer crime e não tem envolvimento com corrupção. Apoiamos a liberdade de expressão e a Defesa da democracia”, disse inicialmente.
Procurada para se manifestar, a coordenadora do MBL-ES, Bruna Rodrigues, respondeu que Bolsonaro é que não é de direita.
“Bolsonaro é bolsonarista, e ponto. Não representa a direita. Não há pauta ou ideologia. Todas as promessas de campanha foram perdidas, a direita foi enganada! Quem se agarra a ele hoje abriu mão de todos os princípios da direita para defender um presidente que acabou com a Lava a Jato e o combate à corrupção”, afirmou.
Procurada para rebater, Alexandra confirmou que Bolsonaro não é de direita, e sim, conservador nos costumes e liberal na economia.
“O presidente não é de direita mesmo, não. Ele é conservador, luta contra o comunismo, o socialismo. É liberal na economia e conservador nos costumes, como vem dizendo há muito tempo”, declarou.
