
O empresário Ricardo Pernambuco, um dos sócios da Carioca Engenharia, listou em sua delação premiada quatro obras da Petrobras em que houve “cobrança de vantagens indevidas”, entre 2008 e 2012. O Terminal Aquaviário de Barra do Riacho, em Aracruz, está entre elas.
Segundo o executivo, a cobrança era feita pelo lobista Mário Góes, que se tornou delator na Operação Lava a Jato. O montante das vantagens indevidas variava entre 0,5% e 1% do valor das obras. Ele relatou pagamentos de US$ 711 mil (R$ 2,33 milhões) em 22 de março de 2012 e de US$ 851 mil (R$ 2,8 milhões) em 24 de março de 2012.
A construção da sede administrativa da Petrobras em Vitória também teve irregularidade apontada pela operação. Ela teria sido feita após a formação de um cartel, segundo investigações da 31ª fase da Lava a Jato, deflagrada nessa segunda-feira (4).
As outras duas obras que teriam sido ajustadas são: o Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD) e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), ambos no Rio de Janeiro.
Na fase dessa segunda, foi dada prioridade à investigação do Cenpes. O esquema envolve o pagamento de R$ 39 milhões em propinas.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as investigações, corroboradas pela empresa Carioca Engenharia e seus principais executivos, indicaram que as principais empreiteiras participantes daquelas licitações se ajustaram num grande cartel, fixando preços e preferências de modo a frustrar o procedimento competitivo da Petrobras e a maximizar lucros.
Foram expedidos 22 mandados de busca e apreensão, um de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e sete de condução coercitiva em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
Um dos alvos foi o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.