Por trás de um olhar cabisbaixo ou mesmo sem muitos sinais aparentes, a depressão já atinge cerca de 238 mil pessoas no Estado e vira desafio até mesmo para médicos.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas. São 5,8% da população brasileira sofrendo com a doença, o que representa 238.293 pessoas no Estado. Depois da pandemia, o cenário se agravou.
Com o início da campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização para os cuidados com a saúde mental, o psiquiatra Jairo Navarro salienta que doenças como a depressão se tornaram grandes desafios.
“Há uma tendência de aumento de casos de transtornos mentais em todo o mundo, principalmente por conta das mudanças no estilo de vida, com maior sedentarismo, estresse e doenças crônicas. Isso faz aumentar os fatores de risco. É preciso reduzir mitos e estigmas relacionados ao tema”, alerta.
Coordenadora da Comissão de Psiquiatria do Trabalho da Associação Brasileira de Psiquiatria, Letícia Mameri percebe um aumento de casos, sobretudo em mulheres na faixa dos 50 anos, por causa das variações hormonais.
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“Na pandemia, os números em crianças e adolescentes também têm aumentado, especialmente por causa do isolamento social, assim como a busca de homens aos consultórios. É desafiador”, afirma.
O segundo tesoureiro da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo, José Luis Leal de Oliveira, cita que o Brasil é recordista mundial em casos de transtornos depressivos e ansiedade, com aumento expressivo, de 31%, na pandemia.
“Sem dúvida, estamos diante de um desafio. O preconceito para ter acesso ao tratamento, por exemplo, é uma questão importante, assim como ausência de médicos generalistas com conhecimento em saúde mental, bem como a necessidade de políticas públicas”.
A mestre em Psicologia e psicóloga Larissa Bessert Pagung, da Medquimheo, reforça a necessidade dos cuidados com a saúde mental. “Durante a pandemia, vivemos mudanças abruptas e essa adaptação não foi fácil. Muitas pessoas que já vivenciavam transtornos mentais perceberam uma piora. Outras, passaram a vivenciá-las”.
SAIBA MAIS
População
- Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas. São 5,8% da população com a doença, que se agravou ainda mais na pandemia de covid-19.
- No Espírito Santo, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma população estimada de 4.108.508, o percentual equivale a 238.293 pessoas com depressão.
Algumas características
- Tristeza profunda.
- Irritabilidade.
- Alteração do apetite, com perda ou ganho de peso.
- Desânimo e cansaço.
- Perda de interesse e de prazer por atividades que gostava.
- Falta de eficiência e motivação.
- Pensamento de morte.
Faixa etária
- Mulheres na faixa dos 50 anos, por causa das variações hormonais.
- Casos de crianças e adolescentes aumentaram muito, principalmente na pandemia, que exigiu isolamento social. O mesmo motivo impactou os adultos jovens, por conta das relações afetivas.
- A busca de tratamento por homens também aumentou, especialmente pela dificuldade de administrar o trabalho com a casa, lidar com os filhos, além dos problemas financeiros na pandemia de covid-19.
Hábitos para aumentar o bem-estar mental
- Praticar atividade física: Caminhar, correr ou pedalar são atividades recomendadas para uma saúde mental mais estável.
- Ter uma alimentação saudável: Estudos mostram que quando existe uma variedade de alimentos, principalmente naturais, fontes de fibras, vitaminas e minerais no organismo, o corpo produz hormônios que estão ligados ao prazer e à satisfação, o que proporciona sensação de bem-estar.
- Reservar um tempo para o lazer: Tirar um tempo para fazer algo que gosta e que dê prazer, como dançar, ouvir músicas, assistir a filmes, entre outros, são atividades de autocuidado importantes para sair do modo automático e eliminar a pressão de precisar ser produtivo o tempo todo.
Campanha
- A campanha “Janeiro Branco”, que teve início no dia 1º, tem como objetivo chamar atenção das pessoas sobre os assuntos relacionados à saúde mental e à importância da prevenção de doenças emocionais, como depressão, ansiedade e pânico.
Atendimentos – 2021
- 371.276 atendimentos psicossociais e na especialidade de psiquiatria foram ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), somando municipais e estadual, no ano passado.
- 257.254 atendimentos foram ofertados pelo SUS em 2020.
- A orientação para quem necessita de atendimento em saúde mental é buscar, primeiro, o acolhimento na rede de atenção básica mais próxima de casa, para que seja realizado o acompanhamento nas unidades básicas de saúde e pelas Equipes de Saúde da Família, além de encaminhamentos, quando necessário.
Serviços
- A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mantém três Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que são referência no tratamento para pessoas adultas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros.
- Esses serviços são os Caps Cidade, localizado no Centro Regional de Especialidades (CRE), em Jardim América; Caps Cachoeiro, em Cachoeiro de Itapemirim, e o Caps Moxuara, em Cariacica.
Fonte: Médicos entrevistados, Sesa e OMS.