As cantoras Selena Gomes, Lady Gaga e Toni Braxton são algumas das famosas que sofrem de uma doença que desafia a medicina. O lúpus eritematoso sistêmico (LES), doença conhecida apenas como lúpus, atinge muitas outras pessoas.
De acordo com a Sociedade de Reumatologia do Espírito Santo (Sores), estima-se que no Estado 700 mulheres sofrem com a doença. Segundo a reumatologista e presidente da Sores, Aline Coelho Moreira da Fraga, o lúpus não tem cura e a causa ainda é um mistério para a medicina.
“A doença é mais comum em mulheres, principalmente por causa dos hormônios femininos. No entanto, ela pode acometer crianças e homens também. O que se sabe é que fatores genéticos, hormonais e ambientais contribuem para o desenvolvimento da do lúpus”.
A médica explicou que a doença que fez a atriz e cantora Selena Gomes precisar de um transplante de rim é autoimune, ou seja, uma desregulação do corpo que faz com que os anticorpos ataquem o próprio organismo.
“Com o lúpus, não se sabe por que, o corpo começa atacar os órgãos saudáveis. O mais comum é a pele e articulações, mas existem muitos casos em que há lesões nos rins, como foi o caso da cantora”.
De acordo com a nefrologista Alice Pignaton Naseri, que tem estudos sobre a doença no Estado, cerca de 50% dos pacientes com lúpus têm os rins comprometidos pela doença.
“A doença pode atacar qualquer órgão, como articulações, sistema nervoso e até o coração. O lúpus é uma doença perigosa que pode matar, não apenas pela doença, mas também por causa do tratamento dela”.
A médica explicou que, para tratar a doença, as mulheres precisam tomar remédios que diminuem a imunidade e deixam o corpo suscetível a infecções.
“O diagnóstico do lúpus é difícil. É preciso, além do exame clínico do médico, o de laboratório. Por isso, é preciso que o médico generalista desconfie da doença para encaminhar o paciente o mais rápido possível para o reumatologista”.
Um dos sintomas do lúpus são as dores nas articulações, que podem se associar a outra doença: a fibromialgia, que tirou a cantora Lady Gaga do Rock in Rio. “A fibromialgia pode intensificar as dores causadas pelo lúpus”, destacou o ortopedista Alexandre Zam, especialista em coluna.

Na fila para conseguir um rim
Há seis anos, Stephanie Vidigal, 32, começou a sentir dores, falta de ar e alteração na pressão cardíaca. Ela não sabia na época, mas esses eram os primeiros sinais do lúpus.
Ela, que hoje é aposentada por invalidez, contou que levou muito tempo para descobrir a doença e, com a falta de tratamento adequado, teve o rim prejudicado. Agora, está na fila para conseguir um transplante.
“Os médicos demoraram muito para descobrir a doença e isso acabou comprometendo meu rim. Hoje faço diálise em casa, durante o sono, e tomo remédios para o tratamento do lúpus. Tenho uma qualidade de vida melhor, mas se soubesse sobre a doença e tivesse começado o tratamento antes, não precisaria da cirurgia”, destacou.
Saiba mais:
Anticorpos atacam o próprio organismo
O que é lúpus?
>É uma doença autoimune, ou seja, um desequilíbrio na produção de anticorpos faz com que eles ataquem proteínas do próprio organismo, causando inflamação em diversos órgãos.
>Os órgãos mais atingidos são a pele, com vermelhidões; as articulações, causando dores e inchaços; e
os rins, provocando a diminuição de urina, hipertensão e outros.
>Acredita-se que o lúpus atinja uma em cada 100 mil pessoas. Sendo que a maioria delas sejam mulheres, entre 20 e 45 anos. Há pesquisas que mostram que a doença atinge 9 mulheres para cada homem.
>O lúpus grave ou agudo atinge menos de 20% dos portadores da doença. Mais de 90% dos pacientes
que tratam o lúpus e levam as orientações médicas a sério respondem bem ao tratamento e quase não sofrem com os sintomas da doença.
>O tempo médio de tratamento é de cinco anos e há casos de pessoas que, depois de tratadas, não voltam a manifestar a doença.
Quais as causas da doença?
>Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, as causas do lúpus não são conhecidas, mas sabe-se
que fatores genéticos, hormonais e ambientais contribuem para seu desenvolvimento.
Quais são os sintomas?
>É comum que o paciente apresente cansaço, febre baixa, emagrecimento e perda de apetite. Também
pode haver inchaço dos gânglios.
>No caso dos rins, pode comprometer o órgão a ponto de um transplante ser necessário. No caso do
sistema nervoso, a doença aumenta os riscos de AVC e de desenvolver problemas psiquiátricos.
Quais são os tratamentos?
>Pode variar de acordo com as manifestações da doença. O tratamento inclui remédios para regular as alterações imunológicas e medicamentos para tratar outras alterações decorrentes da doença.
>Para tratar as alterações imunológicas, são usados medicamentos como corticóides, antimaláricos e imunossupressores.
Fonte: Médicos consultados e Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Reportagem de Lorrany Martins
