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Saúde

Anvisa investiga se 13 casos de perda de visão estão associados ao uso de canetas

Agência apura se doença no nervo óptico pode estar associada à semaglutida e tirzepatida, mas ainda não há confirmação

Canetas para emagrecer: riscos
Foto de perfil de Camila Lima

Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização

Uma doença que afeta o nervo responsável por levar as imagens dos olhos ao cérebro e pode deixar sequelas permanentes na visão está sendo investigada em pacientes que usam as canetas antiobesidade, popularmente conhecidas como “canetas emagrecedoras”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) relacionadas ao uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1.

As notificações envolvem pacientes que usavam Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, segundo apontou levantamento feito pelo G1.

A oftalmologista Kélcia Kiefer Harchbart, especialista em Retina Cirúrgica e Oncologia Ocular, explica que a NOIA-NA é uma espécie de “infarto” da parte anterior do nervo óptico, provocado pela redução do fluxo sanguíneo para essa região.

“A falta de oxigenação pode causar lesão e perda permanente de fibras do nervo óptico. O quadro geralmente começa de forma súbita, em um único olho e sem dor”.

Pedro Trés Vieira Gomes, oftalmologista do Hospital dos Olhos de Vitória, destaca que, apesar das notificações relacionadas à NOIA e os medicamentos agonistas de GLP-1, não há ainda comprovação.

Trés explica que está sendo avaliado se o uso das canetas pode afetar, de alguma forma, a vascularização de alguma artéria do olho, não sendo possível ainda relacionar o uso das canetas com a NOIA.

De acordo com a endocrinologista e presidente da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia do Espírito Santo (SBEM-ES), Maria Amélia Julião, na prática clínica e na literatura médica, a NOIA costuma atingir indivíduos que já apresentam uma combinação de fatores predisponentes anatômicos e vasculares.

Ela ressalta ainda que “não há motivo para pânico e nenhum paciente deve suspender o medicamento por conta própria”.

“Interromper o tratamento de forma abrupta e sem orientação médica traz riscos comprovados e imediatos, como o descontrole grave da glicemia, o rebote de peso e o aumento de desfechos cardiovasculares”, explicou.

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Estudos são de observação

Investigação

Canetas para emagrecer: riscos
Canetas para emagrecer: riscos Foto: Divulgação
  • A Anvisa recebeu 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.

NOIA-NA

  • É uma lesão causada pela redução do fluxo de sangue para o nervo óptico. Pode provocar perda súbita da visão, geralmente em um dos olhos, e deixar sequelas permanentes.

Estudos

  • Um estudo publicado em 2024 no JAMA Ophthalmology encontrou associação entre o uso de semaglutida e a ocorrência de NOIA-NA. Pesquisas posteriores também chegaram a resultados diferentes, reforçando a necessidade de novos estudos para esclarecer a relação.
  • Os estudos disponíveis são, em grande parte, observacionais. Isso significa que identificam uma associação entre o uso do medicamento e os casos, mas não conseguem provar, sozinhos, que o remédio tenha causado a doença.

O que eles dizem

  • Por nota, a Novo Nordisk, responsável pelos medicamentos Ozempic, Wegovy e Rybelsus, informou que a segurança dos pacientes é “prioridade máxima” e não observou “nenhum sinal de alerta de segurança em seus ensaios clínicos randomizados”. Além disso, recomendou aos pacientes manter orientação médica durante o uso.
  • Já a Lilly (Mounjaro) disse que a “segurança dos pacientes é a principal prioridade” da empresa. Disse ainda, em nota ao G1, que “se alguém apresentar efeitos colaterais ao utilizar um medicamento da Lilly, deve conversar com seu médico ou outro profissional de saúde”.



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