- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Saúde

“Cura nem sempre estará na farmácia”, diz médica sobre saúde mental

Especialistas alertam para risco de medicalização excessiva e defendem avaliação criteriosa antes de tratar cansaço e falta de foco como TDAH

“Cura nem sempre estará na farmácia”, diz médica sobre saúde mental
- Cansaço crônico e estresse podem ser confundidos com TDAH
Foto de perfil de Camila Lima

Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização


Em uma sociedade que exige produtividade, busca respostas rápidas para o cansaço mental e a dificuldade de foco – e oferece pouco espaço para descanso – a medicação surge como caminho imediato. Mas especialistas alertam: nem todo sofrimento psíquico se resolve com prescrição.

“Muitas vezes, o que o paciente busca como TDAH é, na verdade, um transtorno de ansiedade não tratado ou apenas uma rotina incompatível com a saúde mental. Nem todo desconforto é patológico; às vezes, a cura está na mudança de hábitos, não na farmácia”, alerta Guilherme Coutinho, neurologista e coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Santa Rita.

Segundo o médico, cansaço e distração pontuais são respostas normais a um mundo hiperestimulante. “Precisamos de autocrítica: como está o nosso sono? Qual a qualidade da nossa alimentação e o tempo de tela?”, destaca.

O neuropsicólogo Rhamon Carvalho reforça ainda o contexto atual em que há altas exigências de produtividade, marcado por agilidade no raciocínio, multitarefas constantes e pouca tolerância a falhas ou pausas.

“Esse cenário tem levado tanto pessoas sem TDAH a buscar estimulantes como forma de melhorar desempenho quanto adultos com TDAH leve ou previamente compensado a perceber prejuízos que antes eram manejáveis. O principal risco é a medicalização da vida cotidiana, em que cansaço crônico, sobrecarga emocional e estresse por conta do trabalho podem ser confundidos com TDAH”.

A neurologista Soo Yang Lee destaca que nem todo paciente com TDAH precisa ser medicado, sendo que, muitas vezes, medidas simples ajudam a lidar com a questão.

“Terapias comportamentais também ajudam bastante. Quando a impulsividade e o comportamento desafiador são intensos, pode haver necessidade de iniciar algum medicamento ainda na idade pré-escolar. O tratamento é sempre individualizado”.

Mais Lidas

Ver tudo ›