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Saúde

Estratégias contra lembranças tristes

Um acidente, o fim de um relacionamento ou uma grande decepção são algumas situações que podem se transformar em lembranças que muitos gostariam de ...

Letícia Loss Vieira

Última atualização

Um acidente, o fim de um relacionamento ou uma grande decepção são algumas situações que podem se transformar em lembranças que muitos gostariam de esquecer. Mas será que existem formas para superar essas memórias de dor?

Segundo o neurocientista e professor universitário Igor Duarte, a ciência já encontrou um meio de apagar lembranças, mas somente em animais. “Em laboratórios, é possível fazer um rato esquecer o que aprendeu com uso de certas drogas. Mas isso não é utilizado nos seres humanos, pois as drogas apagariam todas as memórias, e isso seria trágico”, explica.

Para o especialista, uma das estratégias para tentar diminuir as lembranças é substituir as memórias ruins por bons momentos. “As memórias não devem ser apagadas, pois isso apagaria quem nós somos”, argumenta.

Letícia Loss Vieira (Foto: Kadidja Fernandes/Jornal A Tribuna)Novo desafio
Desde os 9 anos, Letícia Loss Vieira, 21, pratica hipismo. Há cinco, ela sofreu acidente ao competir, desmaiando em cima de sua égua. “Ela quase me matou. Fiquei um mês com enxaquecas, perdi a memória, fiquei em choque no hospital e detectaram que eu tinha arritmia cardíaca.

Fui orientada a parar com o esporte”, conta. Por meio de terapia, ela conseguiu descontextualizar a lembrança e criou novos e bons momentos com o animal. “Neste ano, consegui me classificar para um brasileiro”.

Autora de “O Mapa da Felicidade”, Heloísa Capelas aposta no perdão para se livrar de amarguras do passado. “Quando perdoamos alguém pelas mágoas que causou, eventualmente podemos acabar nos esquecendo do fato em si. Afinal, não importa mais”.

O que diz a ciência

Cientistas da McGill University e da Harvard Medical School descobriram que o propranolol, um remédio usado para tratar pressão alta, é capaz de alterar memórias armazenadas no cérebro. Isso acontece porque ele inibe a atividade de um neurotransmissor, a norepinefrina. O estudo “Memory Hackers” virou documentário.

Psiquiatras da Universidade McGill, em Montreal, e da Universidade de Harvard, em Boston, usaram um remédio para amnésia para “amortecer” as memórias das vítimas de trauma. O estudo foi revelado no Journal of Psychiatric Research.

Tim Bliss, um dos especialistas em cérebro mais premiados da Grã-Bretanha, afirmou que será possível apagar do cérebro, para sempre, aquelas memórias que ninguém gostaria de manter. O estudo aponta que, provavelmente, será necessário algum tipo de abordagem cirúrgica.

Carolina Gaigher dos Reis Machadoe seu filha, Liz Gaigher Machado (Foto: Thiago Coutinho)Mudando o foco
O sonho de ser mãe sempre foi um dos grandes desejos da publicitária Carolina Gaigher dos Reis Machado, 31. Em 2014, ela engravidou, mas sofreu um aborto espontâneo meses depois. Prestes a entrar numa profunda depressão, a estratégia usada por ela para diminuir a lembrança ruim foi focar em outra coisa, como ospreparativos de seu casamento.

Em 2016, ela se tornou mãe de Liz, hoje com 2 anos e meio. “Quando decidimos tentar ter outro filho, veio a Liz. E eu vi que não era para ser antes, porque tinha que ser a Liz. Ela é tudo que a gente pediu a Deus, o re resumo do nosso amor”, orgulha- se.

De bem com o passado

Troca de memórias
Especialistas consultados pelo AT2 indicam a troca de lembranças como uma forma de superar lembranças negativas. “Com a formação de memórias novas e boas, as antigas e ruins tendem a ser suprimidas. Mas ainda estão lá”, explica o neurocientista Igor Duarte.

Redes sociais
Na busca por tentar suprimir algumas memórias, como lidar com as redes sociais? Segundo Igor Duarte, se elas lembram de fatos ocorridos, como o aniversário de ex com quem teve um término dramático, é melhor se desligar do Facebook ou do Instagram.

“Após encontrar novo amor e com mais qualidades que o ex, você poderá voltar às redes sociais tranquilamente e verá que aquele episódio ruim apenas te fez mais forte”, pondera.

Perdão
Para a escritora Heloísa Capelas, a ciência já comprovou que o perdão traz consequências positivas que só quem desfruta é capaz de sentir.

“Perdoar é ter a capacidade de compreender que, diante dos acontecimentos negativos da vida, todos os envolvidos fizeram apenas o que era possível, o que podia ser feito”.

Aceitação
Os cientistas ainda não descobriram como voltar ao passado e apagá-lo. Por isso, ficar se castigando com o que aconteceu só traz mais dor. É preciso entender que não pode mudar o que passou, mas dá para construir o presente e o futuro. Aceitar o que aconteceu pode ser um grande passo para uma nova vida.

“O que os olhos não veem…”
Não adianta tentar esquecer um acontecimento triste se tem símbolos, pessoas ou imagens que trazem essas lembranças. Por isso, especialistas recomendam eliminar ou afastar o que estimula más recordações.

Aprendizado
Até as lembranças mais dolorosas podem trazer algum aprendizado. Refletir sobre essas memórias podem ajudar a associar uma recordação negativa a um aprendizado para o futuro.

Mude o foco
Fazer algo que gere emoções positivas também é um meio de se distrair ou simplesmente mudar o foco de atenção. Ficar remoendo o que passou só trará mais sofrimento.

Por isso, a dica é procurar fazer algo que dê novo sentido ou desperte novas emoções. Sair para uma corrida, assistir ao filme favorito, meditar ou organizar festa podem fazer muito bem.

Ajuda profissional
Se não conseguir superar os sentimentos negativos por conta própria, é hora de procurar ajuda profissional.

Especialista em inteligência emocional Heloísa Capelas e neurocientista Igor Duarte.

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