
Após ser diagnosticada com uma doença cerebral rara, que afeta uma em cada 10 milhões de pessoas, a fotógrafa Fabiana Toledo, 23, se prepara para uma cirurgia que pode fazê-la perder a memória recente.
Fabiana sobre de malformação arteriovenosa (MAV), uma doença
que atinge a comunicação entre veias e artérias em áreas específicas no cérebro, e pode resultar em rompimentos de vasos e até em
acidente vascular cerebral (AVC).
Como em seu caso a malformação está perto da área da memória,
ela tem 90% de chance de perder a capacidade de se lembrar de fatos recentes após a cirurgia, que acontece até o início de agosto.
Mas, com o apoio do marido e da filha de 3 anos, os pensamentos
são os mais positivos. “Recebo muitas boas vibrações da minha
família, meus amigos, conhecidos e até de pessoas que me seguem
nas redes sociais”, explicou.
Com os pés no chão e muito equilíbrio, Fabiana está colecionando memórias: ela tem feito fotos e vídeos e até escrito cartas para que possa consultar no futuro.
“Recentemente meu marido gravou minha reação quando voei de avião pela primeira vez, indo para o Rio de Janeiro”, contou.
Quem vai operá-la é o microneurocirurgião vascular Feres Chaddad. Referência nacional na área, ele contou que o risco da perda de memória não é nada perto do risco de não se fazer a cirurgia.
“Ela já sofreu dois pequenos sangramentos e a chance de eles se
repetirem é de 30 a 40% em 10 anos, trazendo perda definitiva da
memória recente”, explicou.
Quem indicou o médico à Fabiana foi a presidente da organização
Amáveis.org, Monique Neves. Com um grupo no Facebook, ela ajuda pessoas a conhecer a doença e buscar tratamento.
“Oito pessoas já conseguiram cirurgia e mais 10 estão na fila de espera. Precisamos falar mais dessa doença silenciosa e pouco comentada”, advertiu.
Reportagem: Romara Soares