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Saúde

Médico capixaba conta como venceu o câncer com a ajuda da fé

Foi de portas abertas e com um sorriso no rosto que o médico anestesiologista José Eduardo Scaramussa, de 58 anos, recebeu a reportagem de A Tribuna ...

O médico em 2007: superação

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José Eduardo, 58, em casa. Em 2006, os médicos diziam que, após tratamento, ele viveria no máximo mais 3 anos (Foto: Fábio Nunes/AT)

Foi de portas abertas e com um sorriso no rosto que o médico anestesiologista José Eduardo Scaramussa, de 58 anos, recebeu a reportagem de A Tribuna em seu apartamento, na Praia da Costa, Vila Velha, na manhã desse sábado (14).

Após a superação de um câncer considerado terminal, descoberto em 2006, o médico agora usa o seu testemunho para ajudar pessoas que se encontram em situações difíceis. “Com a minha história, eu levo esperança” , afirmou.

Na época em que o câncer que atingiu o estômago foi descoberto, os médicos diziam que as chances de cura eram de 10%, e a sobrevivência após o tratamento seriam de, no máximo, três anos.

Ele precisou retirar o estômago inteiro, a vesícula, o baço, glândulas e parte do esôfago. Na contagem que faz questão de acompanhar, José Eduardo diz que está curado há 12 anos, 10 meses e 12 dias, completados hoje, numa recuperação que ele considera milagrosa.

“Conto os dias para agradecer. O câncer já estava em estágio 4, tomou todo o meu estômago, mas não teve metástase, não se espalhou para outras áreas. Esse foi o meu milagre. Foi a mão de Deus na minha vida. Tenho certeza de que Deus agiu através dos médicos que me trataram”.

José Eduardo continua exercendo a medicina. Porém, diminuiu sua carga horária pela metade e não faz mais plantões noturnos e nem aos finais de semana.

Agora, está focado em ajudar as pessoas. É ministro da Eucaristia – participante leigo da Igreja Católica a quem é dada permissão de distribuir a Comunhão (hóstia) aos fiéis, na missa ou em outras situações.

No caso do médico, ele leva a hóstia, que representa o corpo de Cristo, à casa de pessoas acamadas ou em hospitais.

Ele também participa do projeto social Vida, na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Itaparica, aconselhando grávidas em situação de risco. Além disso, participa do encontro anual de casais, usando sua história para mostrar como superar obstáculos.

“Faço um bate-papo com o meu testemunho. Falo muito sobre a importância de Deus na vida dos casais, na sustentação das famílias”, disse. José Eduardo tem vontade de escrever um livro para levar sua mensagem para mais pessoas. “Penso em escrever um livro sobre a minha história, para que ela chegue a mais pessoas”, contou.

“Diminuí carga horária pela metade”

O médico em 2007: superação (Foto: Leonardo Bicalho/AT - 30/11/2007)O médico anestesiologista José Eduardo Scaramussa, 58, que teve um câncer considerado terminal, agora usa a história de sua cura como forma de ajudar casais que passam por momentos difíceis.

A TRIBUNA – Por que o senhor sentiu o chamado para aconselhar casais nos encontros católicos?
José Eduardo Scaramussa –
Eu sou casado há 29 anos e estou feliz. Passei por todos esses problemas. Se não fosse Deus na minha vida, talvez meu casamento não seria tão bem-sucedido. Os casais precisam entender que Deus é fundamental.

Quais os assuntos discutidos nesses encontros?
As pessoas buscam soluções de problemas e uma maneira de dar sentido à vida. Muitos casais já estão com a família formada, os filhos já saíram de casa, e eles não sabem o que fazer para continuar. Nós damos aconselhamento, sempre afirmando que Deus deve estar presente no relacionamento. O matrimônio é um sacramento, não é uma brincadeira. Então, nós falamos sobre como lidar quando acontecem doenças, quais são os elementos que mantêm o casamento e como se comportar como cristão diante de uma dificuldade. O cristão precisa entender que o casamento é uma tríade: homem, mulher e Deus.

Hoje em dia é difícil manter um casamento? 
Sim, se não houver Deus, é muito difícil. Para se manter um casamento também é preciso saber se colocar no lugar do outro, colocar seu cônjuge como prioridade e pensar no outro antes de tomar decisões.Os casais também precisam se conscientizar da importância da família, principalmente no mundo de hoje, onde alguns valores se perderam.

Como está a sua vida hoje?
Hoje em dia tenho uma vida bastante rotineira. Acordo às 5h30, tomo um café da manhã. Como pão, tomo vitamina de frutas, tudo normal, mas demoro cerca de 1h30 para comer. Preciso mastigar bem devagar. Aí vou para o hospital, trabalho, almoço normalmente, faço lanches, refeições completas. Faço caminhadas na praia nos dias de folga. Diminuí minha carga horária pela metade, não faço mais plantões noturnos, nem aos finais de semana.

Tem planos para o futuro?
Não sou de colocar metas. Acredito que se você faz as coisas certas e se dedica, você vai ter as condições de conseguir o que busca. Tenho vontade de escrever um livro, mas ainda não tenho um planejamento. O único desejo que tenho na minha vida é ver a face de Deus.

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