O Espírito Santo vive um cenário de alerta: somente este ano, 41 pessoas morreram de meningite. Em todo o ano passado o número de mortes foi de 19. A quantidade de casos também chama atenção: em 2021 foram 83 casos confirmados, contra 169 deste ano.
Mas qual seria a causa para este aumento? A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta para a redução da cobertura vacinal, que vem ocorrendo nos últimos anos, em território capixaba.
Para a vacina Meningococo C, cuja cobertura preconizada pelo Ministério da Saúde é de 80%, o Estado alcançou 78,63% em 2021.
O subsecretário de Vigilância em Saúde da Sesa, Luiz Carlos Reblin, destacou que a meningite é uma doença com vários agentes causadores. “A meningite pode ser causada por vírus, bactérias e fungos. Ela afeta crianças, adolescentes, adultos e idosos. Temos um número considerável da população adulta que faleceu devido à doença”.
Foram 23 mortes na faixa etária de 20 a 59 anos. “Acreditamos que as vítimas nessa faixa não foram vacinadas, já que a maioria das vacinas de meningite foram introduzidas (no calendário vacinal) em 2012”, afirma Reblin.
De acordo com a Sesa, os adolescentes formam o principal grupo responsável pela manutenção da circulação da doença. Por isso, a pasta disponibilizou, em julho deste ano, de forma temporária até 30 de setembro, a ampliação da vacinação contra a meningite meningocócica C para adolescentes de 13 a 19 anos ainda não imunizados.
Em virtude da exposição, a vacina também está disponível aos trabalhadores da saúde. No próximo sábado, segundo o subsecretário, haverá Dia D de vacinação nos municípios capixabas.
A infectologista Euzanete Coser destaca que a doença meningocócica é uma doença com alta letalidade. “As crianças que pegam esta infecção tem alto risco de morte nas primeiras 24 horas. É urgente o diagnóstico e o início do tratamento”, alerta.
A médica explica ainda que os adolescentes, muitas vezes, são portadores assintomáticos da doença. “Muitas vezes são eles que contaminam e levam a doença meningocócica para as crianças menores e suas famílias. Daí a importância da vacinação dos adolescentes”.