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Modo de viver tem mais influência na longevidade do que o DNA, diz estudo

Apenas 20% da longevidade do ser humano é determinada por genes, sendo que 80% têm relação com o estilo de vida e o ambiente em que se vive

Modo de viver tem mais influência na longevidade do que o DNA, diz estudo
- A nutricionista Hanielle Guisso Caitano descobriu o diagnóstico de hipotireoidismo e, posteriormente, de tireoidite de Hashimoto. Após tentativas frustradas com dieta, em 2024 fez cirurgia bariátrica, perdendo 50 kg e transformando seus hábitos
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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O modo de viver tem mais influência na longevidade do que o DNA. É o que aponta o estudo dinamarquês “Danish Twin Study”. Ele mostra que apenas 20% da longevidade do ser humano é determinada por genes, sendo que 80% têm relação com o estilo de vida e o ambiente em que se vive.

Outro estudo usando dados de quase 500 mil pessoas do UK Biobank, banco de dados biológicos do Reino Unido, demonstrou que o estilo de vida e o ambiente explicam 17% do risco de morte, enquanto a genética representa menos de 2%.

“Nunca foi tão claro, do ponto de vista científico, que o modo como vivemos — o que comemos, como dormimos, nos movemos e lidamos com o estresse — determina, em grande parte, se vamos adoecer ou não ao longo da vida”, destaca a médica de Família e Comunidade Taynah Repsold.

O neurologista Ramon D’Ângelo Dias, especialista em Medicina da Dor, entende que é muito “mais simples e mais fácil de fazer o uso de uma medicação do que mudar o estilo de vida”.

“Mas sabemos que dietas ricas em antioxidantes, frutas, verduras, peixes e oleaginosas têm um poder antioxidante importantíssimo, ou seja, reduzindo a inflamação sistêmica que está presente na maioria das doenças crônicas, como artrite, obesidade e fibromialgia. Além disso, esses hábitos saudáveis permitem a regulação hormonal e neurológica”.

O médico ressalta que não existe “pílula mágica” quando o assunto é saúde. “Nós somos fruto daquilo que a gente planta a vida inteira. Todos os nossos hábitos vão refletir no nosso futuro”, destaca Ramon.

O psiquiatra Valber Dias Pinto ressalta que até mesmo a alimentação saudável determina como o cérebro vai funcionar.

“Ou seja, o eixo cérebro-intestino é mais do que uma palavra bonita. Realmente existe uma influência muito grande de como é que o cérebro funciona a respeito de como que ele está sendo alimentado”.

A cardiologista Daniella Motta lembra ainda que a atividade física regular é uma das principais recomendações para prevenção e controle de doenças, como as cardiovasculares, além de reduzir o estresse.

“A prevenção baseada em hábitos saudáveis é eficaz, econômica e sustentável”.



Estabilizada

Em 2016, a nutricionista Hanielle Guisso Caitano, de 32 anos, descobriu o diagnóstico de hipotireoidismo e, posteriormente, de tireoidite de Hashimoto. Durante anos, sua tireoide desregulava, o que pode ter causado uma insuficiência cardíaca, segundo hipóteses médicas.

Isso porque, em 2021, Hanielle começou a sentir falta de ar e foi hospitalizada, sendo identificado um derrame pleural que “encharcou” seu coração de líquido, levando a insuficiência. Após o tratamento, a nutricionista conseguiu se recuperar, mas pesando 124 kg, com obesidade grau 3 e outros problemas associados, Hanielle decidiu mudar de vida.

Após tentativas frustradas com dieta, em 2024 fez cirurgia bariátrica, perdendo 50 kg e transformando seus hábitos. “Hoje, minha saúde está ótima. Minha cardiologista confirmou que meu coração está maravilhosamente bem. Não sou mais pré-diabética, não tenho mais gordura no fígado, e meus exames estão todos normais. Minha tireoide estabilizou”.

Alimentos podem afetar DNA, afirmam especialistas

Sim, o que você come no prato pode afetar o seu DNA, segundo especialistas. A presença de nutrientes pode alterar o comportamento do gene, dependendo da qualidade dos nutrientes.

“Alimentos ricos em antioxidantes (como frutas, vegetais, castanhas e azeite de oliva) protegem as células dos danos dos radicais livres que, em excesso, podem causar mutações genéticas — um dos gatilhos do câncer”, afirma a nutricionista do Hospital Albert Einstein Gabriela Rebello.

Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar refinado, frituras e carnes processadas provocam inflamação constante, aponta Gabriela.

“Esse estado inflamatório desregula o sistema imune e cria um ambiente propício ao desenvolvimento de tumores”.

A nutricionista especialista em terapias integrativas Vanda Santana Quiuqui reforça que dieta rica em ultraprocessados, açúcares e industrializados mudam o PH do campo biológico tornando-o um ambiente ácido.



“Essas mudanças interferem no microbioma intestinal, aumentam radicais livres, descontrolam hormônios, tornando o organismo um terreno fértil para diversas doenças que se beneficiam com ph ácido, gerando inflamações sistêmicas (no corpo todo)”.

“Não sinto mais dor”



Em 2019, a jornalista Luiza Medina, 33, descobriu ter fibromialgia, desde então começou a tomar medicação para auxiliar com as dores.

Mas desde que mudou seu estilo de vida – realizando caminhada, pilates, musculação, acupuntura e tomando a suplementação – Luiza tem sentido os efeitos na saúde. Ela também reduziu os alimentos inflamatórios como açúcar, farinha branca e glúten.

Há um ano ela ficou grávida, parou o remédio durante a gestação e entrou em “remissão” da doença. “A mudança no estilo de vida com certeza me ajudou demais. Consigo trabalhar e fazer as coisas do dia a dia que antes não conseguia. Tudo isso graças ao acompanhamento que faço com fisioterapeuta, psicóloga, nutricionista, médico da dor e reumatologista”.



Saiba mais

Alimentação

Alimentação adequada regula a inflamação, a microbiota intestinal e a expressão genética.

Dieta mediterrânea reduz mortalidade por todas as causas (Predimed Trial).

Sono

Dormir menos que 7h por dia aumenta risco de obesidade, diabetes, depressão e doenças cardíacas.

A American Academy of Sleep Medicine recomenda 7h ou mais de sono por noite para adultos como a base mínima para suporte à saúde metabólica, cardiovascular e imunológica.

Atividade física

Atividade física melhora a pressão, a glicemia, a saúde mental e reduz a mortalidade.

Equivale a antidepressivos em depressão leve (Revisão Cochrane).

Reduz risco de câncer, doenças cardiovasculares e melhora a cognição e o humor.

Atividade física regular está ligada à longevidade (Harvard Alumni Study).

Em casos de hipertensão arterial leve em pacientes de baixo risco cardiovascular, especialmente nos estágios iniciais, mudanças no padrão alimentar — como a adoção da dieta adequada associada à restrição de sódio, perda de peso e atividade física regular — podem contribuir para normalizar os níveis a pressão arterial sem o uso de remédios.

Mente

Terapia, sono, nutrição e exercícios ajudam no tratamento de depressão e ansiedade.

Alerta

É essencial, contudo, que qualquer mudança seja acompanhada de perto por um profissional de saúde.

Fontes: Especialistas consultados.

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