De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, dois casos de hepatite misteriosa estão sendo investigados no Espírito Santo. A doença não possui relação direta com os tipos conhecidos de hepatite, e tem ao menos 7 casos sendo investigados no país.
Segundo o Instituto Butantan, este tipo de hepatite aguda, ainda tem origem desconhecida e está acometendo crianças em ao menos 20 países.
Mas afinal, por que a doença é tão perigosa?
Como o vírus é uma inflamação do fígado de forma abrupta, pode trazer danos severos ao funcionamento. Em cerca de 10% dos casos da nova hepatite, foi necessário a realização de transplante e fígado.
Por enquanto, a principal recomendação feita aos países é que notifiquem e monitorem os casos da doença. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), comunicou que ainda não se sabe porque o vírus atinge as crianças, mas que é descartada qualquer relação da nova doença com as vacinas contra a covid-19.
No entanto, em alguns casos foi detectada a coinfecção, por adenovírus e pelo vírus SARS-CoV-2, ou seja, crianças que se infectaram com os dois vírus ao mesmo tempo. Portanto, a relação é uma das linhas de investigação médica da doença.
Confira o que se sabe até agora sobre a hepatite misteriosa:
Quais são os sintomas e o tratamento?
Muitos casos de hepatite aguda apresentaram sintomas gastrointestinais, incluindo dor abdominal, diarreia e vômitos e aumento dos níveis de enzimas hepáticas (aspartato transaminase (AST) ou alanina aminotransaminase (ALT) acima de 500 UI/L), além de icterícia e ausência de febre.
O tratamento atual busca aliviar os sintomas e estabilizar o paciente se o caso for grave. As recomendações de tratamento podem ser aprimoradas assim que a origem da infecção for determinada.
Por que o surto de hepatite em crianças é considerado incomum?
Em muitos casos, a infecção por adenovírus foi detectada nas crianças afetadas, e a ligação entre os dois está sendo investigada como uma das hipóteses para a causa da doença.
O adenovírus é um vírus comum que pode causar sintomas respiratórios, vômitos e diarreia, e, no geral, a infecção por tais vírus é de duração limitada e não evolui para quadros mais graves.
Como os pais podem fazer para proteger as crianças?
O mais importante é ficar atento aos sintomas, como diarreia ou vômito, e aos sinais de icterícia – quando a pele e a parte branca dos olhos ficam amareladas. Nestes casos, deve-se procurar atendimento médico imediatamente.
A OPAS recomenda ainda o uso de medidas básicas de higiene, como lavar as mãos e cobrir a boca ao tossir ou espirrar para prevenir infecções, que também podem proteger contra a transmissão do adenovírus.