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Pesquisa aponta maior problema no trânsito da Grande Vitória

Cruzamento entre as avenidas Reta da Penha e Rio Branco, um dos pontos considerados complicados pelos motoristas que circulam em Vitória. Foto: Leone ...

Pesquisa aponta maior problema no trânsito da Grande Vitória
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Cruzamento entre as avenidas Reta da Penha e Rio Branco, um dos pontos considerados complicados pelos motoristas que circulam em Vitória. Foto: Leone Iglesias/ AT

Levantamento feito pela Faculdade Pio XII em parceria com o jornal A Tribuna avaliou opinião dos motoristas

Carros que fecham cruzamentos, longos engarrafamentos, barulho de buzinas, falta de fiscalização e um grande teste de paciência. São estas as situações que enfrentam todos os dias os motoristas da Grande Vitória.

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Rachid Mohamed Chibib, da Faculdade Pio XII, em parceria com o jornal A Tribuna mostrou que o motorista que circula pela região metropolitana não está satisfeito com a organização do trânsito.

De acordo com o levantamento, feito entre os dias 11 e 14 de agosto, 86,29% acham que o trânsito das cidades não tem ordem. Desses, 50,56% consideram que o trânsito é ruim ou péssimo e 25% dizem que é regular.

“O resultado não surpreendeu. O trânsito da Grande Vitória não é organizado, e o motorista sente isso. Esse é o momento do poder público olhar e ver que está na hora de tirar os projetos do papel”, destacou o coordenador da pesquisa, Robson Souza.

Na avaliação de especialistas, sinais dessincronizados, fechamento de cruzamentos, circulação de grande quantidade de carros, ônibus e caminhões pesados e a falta de políticas melhores para o transporte coletivo são alguns dos problemas que provocam a sensação de desorganização no trânsito da região.

“O crescimento desordenado é um desafio para qualquer município, pois os veículos com cargas perigosas, ônibus, motocicletas, carros, ciclistas e pedestres disputam o mesmo espaço. As vias não suportam o excesso de carros, não há transporte público adequado”, destacou a professora de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Católica, Carla Siqueira.

Para os motoristas entrevistados pela pesquisa, os principais problemas que levam à desordem no trânsito da Grande Vitória são a falta de educação dos condutores (28,54%) e a falta de obras e planejamento para o setor (25,62%).

“Vivemos dias caóticos no trânsito da Grande Vitória, principalmente no horário de pico. Um rodízio de carro e fiscalizações podem ser medidas para amenizar o problema”, destacou a professora de tráfego e transporte da Multivix, Valéria da Cruz Ribeiro.

Ela destaca também que a imprudência do motorista e o desrespeito às leis de trânsito são problemas que contribuem ainda mais para o caos e confusão no trânsito da Grande Vitória.

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Maior bagunça nas ruas de Vila Velha

Trânsito engarrafado na subida da Terceira Ponte, em Vila Velha: trecho é apontado como um dos mais críticos. Foto: Thiago Coutinho/AT

O trânsito de Vila Velha foi considerado o mais desorganizado da Grande Vitória. De acordo com a pesquisa da Faculdade Pio XII, 97,12% dos motoristas entrevistados no município acham que não há ordem no trânsito.

Os acessos à Segunda Ponte e à Terceira Ponte e a avenida Luciano das Neves foram apontados como os trechos mais críticos pelos motoristas. “É um caos, principalmente na Terceira Ponte. De manhã ou à noite, no horário de pico ninguém consegue andar. Quando pego uma corrida para lá nessa hora, posso esquecer. Só faço uma e acabou”, disse o taxista João Baptista, 59 anos.

De acordo com o administrador Marcos Gonçalves, 48, o grande problema do trânsito de Vila Velha e de Vitória é a Terceira Ponte. “No horário de pico para tudo por causa da ponte. Até mesmo quem não quer ir para Vila Velha fica preso no trânsito por causa desse fluxo”.

Além da falta de educação dos condutores, apontada por 41,73% dos entrevistados, a falta de sincronização de semáforos e de obras para melhoria do trânsito foram os problemas mais citados por quem circula em Vila Velha.

“Acredito que o afunilamento e a quantidade de carros que acessam a ponte sejam alguns dos problemas para o trânsito de Vila Velha. Uma das soluções tem que ser o incentivo ao transporte público para que menos pessoas utilizem o carro. Não só em Vila Velha, mas em toda a Grande Vitória”, destacou o coordenador do curso de Engenharia Elétrica da UCL, Rodrigo Machado.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo, Tito Carvalho, acredita que, com incentivos para que as pessoas trabalhem e estudem perto de casa, não seria preciso tantos deslocamentos. E assim, não haveria tantos problemas de trânsito.

Projetos

A Prefeitura de Vila Velha informou que está trabalhando em projetos para melhorar o trânsito em torno dessas vias.

“Entretanto, a saturação das vias nesses pontos depende de ações conjuntas com outros municípios e Estado”, destacou o assessor adjunto de Engenharia de Trânsito de Vila Velha, Lisandro Barcellos Detoni.

De acordo com ele, a prefeitura está fazendo sistemas binários (transformam vias paralelas de mão dupla em ruas com um único sentido) nas vias atrás do Shopping Praia da Costa, Cobilândia, Alvorada, Ibes, Aribiri, Jardim Marilândia, além de futuras desapropriações para melhoria do tráfego da avenida Luciano das Neves, onde apresenta a maior retenção.

A Rodosol informou que acabou de fazer a instalação de quatro portões na Terceira Ponte com o objetivo de minimizar impactos causados por panes, acidentes ou incidentes graves.

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Semáforos inteligentes e avenidas

Movimento na avenida Expedito Garcia, em Campo Grande: projetos. Foto: Leone Iglesias/AT – 09/01/2017

Semáforos inteligentes, novas vias e educação para o trânsito são algumas ações que as prefeituras da Grande Vitória estão fazendo para melhorar o trânsito da região.

No entanto, os gestores dizem que a sensação de trânsito desorganizado é devido à quantidade de carros nas vias, que a cada dia aumenta mais. Segundo o professor e pesquisador da Unicamp/FEI, Creso Peixoto, hoje o Brasil já possui uma média de 1,6 carro por habitante.

Em Vitória, além dos semáforos inteligentes, a prefeitura está investindo em sinalizações e há projetos de melhor compartilhamento da via dentro dos bairros.

“O trânsito de Vitória é um dos mais organizados do País, com rede semafórica inteligente em vários pontos. Vitória é uma das seis cidades do Brasil onde há o semáforo inteligente, que controla de forma automática o fluxo de carros”, defendeu o secretário municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana, Tyago Hoffmann.

Sobre a avenida Reta da Penha, que foi um dos pontos de reclamação na capital, o secretário lembrou que os trânsito na via está sobrecarregado por causa das obras que acontecem na avenida Leitão da Silva.

Na Serra, novas avenidas vão dividir o fluxo de carros da avenida Eudes Scherrer, conhecida como Avenida Civit. De acordo com a secretária municipal de Desenvolvimento Urbano, Mirian Soprani, a rua Barão do Rio Branco e a avenida Carolina, em Colina de Laranjeiras, serão uma rota alternativa.

“O que falta hoje nessa rota é a ligação dela com a BR-101, mas já estamos em conversas com os órgãos responsáveis para fazer. Além disso, estamos captando recursos para a construção de um mergulhão na rotatória do Dório Silva”.

Em Cariacica, a prefeitura está desenvolvendo melhorias na sinalização e projetos de educação para o trânsito na avenida Expedito Garcia. “Além disso, fazemos ações de fiscalização e orientação com os órgãos responsáveis pela BR-262, na altura da Segunda Ponte, onde sabemos que tem o gargalo”, disse o secretário de Defesa Social, José Alexandre Ribeiro.

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Pedidos por faixa exclusiva para ônibus

Faixa exclusiva seria solução mais barata, segundo especialista. Foto: Kadidja Fernandes/AT

Para 21,12% dos motoristas, essa seria a solução para reduzir os congestionamentos e melhorar o trânsito

O horário de pico nas principais avenidas da Grande Vitória é um teste de paciência para o motorista. Carros, motos, ônibus e, em alguns pontos até mesmo caminhões com cargas pesadas, disputam espaço nas vias.

A pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Rachid Mohamed Chibib, da Faculdade Pio XII, com motoristas da Grande Vitória mostrou que os condutores acreditam que faixas exclusivas para ônibus podem ser a solução para amenizar os congestionamentos.

De acordo com o levantamento, 21,12% acreditam que aumentar o número de faixas exclusivas para ônibus ajudaria a mudar o trânsito da cidade. Ainda conforme a pesquisa, 33,93% dos motoristas acham que diminuir o tempo dos semáforos também daria mais fluidez ao trânsito.

“Se comparado a outras cidades, o trânsito de Vitória e Vila Velha não são ruins. São mais fluidos, há menos congestionamentos. Mas, o que as pessoas têm de entender é que não dá mais para dar preferência ao carro. Tem que melhorar o transporte coletivo para que se diminua o carro na rua e melhore a fluidez”, frisou o professor de Engenharia de Tráfego da UVV, Fábio Romero.

Com a faixa exclusiva para ônibus, o tempo de trajeto diminuiria dentro da Grande Vitória e o trânsito teria mais fluidez, de acordo com Fábio.

Segundo o professor e pesquisador da Unicamp/FEI Creso Peixoto, a faixa exclusiva para ônibus é uma das soluções mais baratas para o poder público garantir mais mobilidade nas vias.

“A faixa exclusiva para ônibus consegue movimentar 17 mil pessoas por hora em cada faixa. Já o carro só movimenta duas mil por hora, levando em conta que a grande maioria das pessoas anda sozinha nos carros”, destacou.

Já a professora de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Católica, Carla Siqueira, destaca que a mobilidade urbana acontece quando os bairros privilegiam o pedestre, o transporte coletivo e a bicicleta.

“Mas os incentivos não são para a compra de bicicletas, mas sim de automóveis. Você não vê uma publicidade com isenção fiscal para a compra de bicicleta”, observou.

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Governo espera recursos

Motoristas durante o treinamento: empatia e mais segurança nas ruas. Foto: Kadidja Fernandes/AT

A proposta de um corredor exclusivo para ônibus na Grande Vitória é um projeto já conhecido dos moradores da Grande Vitória. Mas, apesar de já terem sido apresentados alguns projetos, a proposta ainda não saiu do papel.

De acordo com a subsecretária de Estado de Mobilidade Urbana, Luciene Becacici, o governo está esperando recursos do governo federal para colocar o projeto em prática.

“Fico feliz em ver que a população tem consciência que o transporte coletivo deve ser uma prioridade na mobilidade urbana. Mudamos o projeto anterior de BRT para o BRS, que custa mais barato. Agora estamos esperando aprovação do BNDES”, explicou.

Ela explicou que no caso do BRT (Bus Rapid Transit, ou Trânsito Rápido de Ônibus) teria de ser feito um grande investimento em construção de estações, implantação de portas no lado esquerdo dos ônibus e outras modificações.

“Já para a implantação do BRS, que é o Bus Rapid Service (Serviço Rápido de ônibus), não teríamos de trocar de frota e nem alterar os locais dos pontos de ônibus”.

Ela admitiu que não há previsão para aprovação e nem para a implantação do projeto. Já o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES) destacou que há obras acontecendo que vão melhorar a mobilidade na Grande Vitória. Citou como exemplo a ampliação da avenida Leitão da Silva e o Contorno de Cariacica.

“São intervenções que contemplam demandas de logística e mobilidade que consideram as necessidades de pedestres, ciclistas e condutores. O objetivo maior com a implantação, reabilitação e modernização de vias e rodovias é a preservação de vidas. A segurança das pessoas está em primeiro lugar”, destacou o diretor geral do DER-ES, Enio Bergoli.

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Motoristas do Transcol têm um dia de ciclista

Vista da Prainha e da baía de Vitória. Foto: Leonardo Bicalho/AT – 17/03/2013

Empatia tem muito a ver com o trânsito e se colocar no lugar do outro é fundamental para ter mais organização e segurança nas vias. É o que garantem os especialistas no assunto.

O estudo realizado pela Faculdade Pio XII, com apoio do jornal A Tribuna, mostrou que 70,56% dos motoristas têm consciência de que os pedestres devem ter prioridade no trânsito.

No entanto, apenas 3,15% acreditam que a bicicleta deve ter prioridade no trânsito, apesar de esse meio de transporte ser usado cada vez mais.

Para tentar harmonizar o trânsito e sentir na pele o que os ciclistas passam, motoristas do Transcol tiveram um dia de treinamento, mas não atrás do volante e, sim, em cima da bicicleta.

Os motoristas da empresa Transcol Praia Sol Eliez Lopes, Lucas Freire, Robercir do Nascimento e Eliez Lopes da Silva passaram pelo treinamento com o instrutor do Sest Senat, Evanilto José Martins.

“O curso é bem legal! A gente vê que quando está ao volante e faz alguma coisa agressiva, a gente pode assustar o ciclista, deixar o trânsito mais tenso. A gente se põe no lugar do outro e percebe o quanto é ruim. Depois do curso temos que colocar isso em prática. O trânsito já é estressante com engarrafamentos. Temos que respeitar o ciclista e os pedestres”, destacou Lucas, que é motorista há três anos.

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Ecobalsas vão ligar Vitória e Vila Velha em seis minutos

O transporte pelo mar vai ser uma das ligações entre Vitória e Vila Velha. Até o final do ano, empresários vão implantar na região as Ecobalsas, que vão ligar os dois municípios em um trajeto de seis minutos por viagem.

Com capacidade de até 140 pessoas e 40 bicicletas, as balsas vão fazer o transporte turístico entre Vitória e Vila Velha. Entre as vantagens, o fato de emitir menos dióxido de carbono (CO2).

De acordo com o empresário e um dos sócios da Ecobalsas-ES, Aníbal Abreu, o projeto está dando muito certo no Rio de Janeiro, onde funciona na Barra da Tijuca.

“As balsas estão quase prontas e virão do Rio de Janeiro até Vitória. Essa é uma iniciativa totalmente privada. As viagens, inicialmente serão feitas da Prainha de Vila Velha, até a Praça do Papa, em Vitória”.

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Reportagem especial de Lorrany Martins para o jornal A Tribuna do dia 20/08/2017

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