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A Tribuna: Empresas de ônibus querem reduzir linhas

Passageiros embarcam em ônibus: empresas afirmam que houve redução de 6% no número de usuários do Transcol. Foto: Thiago Coutinho Com uma queda ...

A Tribuna: Empresas de ônibus querem reduzir linhas
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Ônibus do Sistema Transcol Passageiros embarcam em ônibus: empresas afirmam que houve redução de 6% no número de usuários do Transcol. Foto: Thiago Coutinho

Com uma queda crescente no número de passageiros que viajam todos os dias nos ônibus do Transcol na Grande Vitória, as empresas que operam o sistema estão pedindo uma  readequação que, na prática, pode ser  redução de linhas, de viagens e até mudança de itinerário.

Alegando prejuízo de aproximadamente R$ 111 milhões, de 2015 até agosto deste ano, e um endividamento acumulado de R$ 235 milhões até maio, os empresários afirmam que estão com dificuldades para operar o sistema.

Em junho, eles enviaram ao governo o pedido de reprogramação das linhas e o reequilíbrio do contrato de concessão.

A administradora dos consórcios do Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), Luciana Carminati, explicou que essa reprogramação das  linhas é necessária por causa da queda no número de usuários.

“É latente essa redução de 6% de passageiros com a crise e empresas demitindo. Mesmo assim, as empresas continuam operando com totalidade máxima. Por isso, nosso pedido é pela reprogramação.”

Neste ano, já houve redução da frota operante em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados operacionais divulgados no site da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV). Em julho, circularam 87 veículos a menos que em 2015.

No sistema municipal de Vitória também houve queda no número de usuários, segundo o secretário geral do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado, Jaime Carlos De Angeli.

“Observamos que a queda é em função do desemprego, mas também há uma ocorrência grande no número de evasão de demanda, ou seja, usuário que não paga a tarifa. No municipal de Vitória, a queda acumulada em 2016 em relação a 2015 é de 11% no passageiro total.”

Mas ele ressaltou que após estudo, o órgão gestor, a Secretaria Municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana, já implementou ajustes em algumas viagens. “O acompanhamento continua e, se necessário, novos ajustes nas viagens serão feitos.”

Além do desemprego e de usuários que pulam a roleta, outros motivos justificam a queda no número de passageiros, como pessoas andando a pé ou de bicicleta e até recorrendo a caronas.

Raio X do Transcol Imagem: Reprodução/A Tribuna

Pedido novo cálculo de tarifa

As empresas que operam o sistema Transcol também querem que valor que elas ganham por viagem também seja reajustado. Elas encaminharam auditoria realizada pela consultoria Ernst Young para pedir que a tarifa técnica – que remunera cada uma das viagens do sistema metropolitano – seja reajustada em 12,96%.

A tarifa técnica é composta pela passagem paga pelo usuário do Transcol, de R$ 2,75, e pelo subsídio pago pelo governo do Estado, atualmente em R$ 0,5972 por passageiro – o que totaliza R$ 3,3472 por passageiro transportado.

A auditoria realizada pela Ernst Young, em abril, apontou que era necessário que esse valor fosse aumentado para R$ 3,78 a partir de 1º de setembro deste ano.

Segundo informou o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), só com essa medida será possível obter o equilíbrio contratual. Eles fizeram pedido para que fosse aumentado o subsídio pago pelo Estado de R$ 0,5972 por passageiro para R$ 0,83 por passageiro.

As empresas questionam que no reajuste firmado neste ano – que aumentou a passagem do Transcol de R$ 2,45 para R$ 2,75 – não houve elevação do subsídio, o que causou desequilíbrio do sistema.

As empresas não tiveram reajuste em 2015, pois o Estado alegou que o contrato era alvo de questionamentos do Tribunal de Contas.

Por contrato, os reajustes de passagem do Transcol são analisados em janeiro e a discussão é feita pelo Conselho Tarifário, que tem representantes do governo do Estado, empresas e sociedade civil.

A Secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas  informou  que os pedidos  das empresas vão ser analisados.

Já o secretário geral do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Espírito Santo (Setpes), Jaime Carlos De Angeli, informou que o órgão gestor — a Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana  de Vitória  — tem conhecimento do endividamento das empresas na busca de recursos para pagamento de funcionários e do diesel, os dois principais insumos do transporte, visando à continuidade do serviço.

“O que ocorre hoje é que não há mais crédito disponível no mercado e a queda na arrecadação dificulta os pagamentos”, salientou.

E completou: “Os estudos buscam solução para o equilíbrio do custo e da receita, buscando adequar a operação à demanda, de modo a garantir a continuidade do serviço até o retorno dos passageiros.”

A reportagem completa, de Daniel Figueredo, Eliane Proscholdt, Francine Spinassé e Luciana Almeida, foi publicada na edição dessa quarta-feira (7) de A Tribuna.

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