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Economia

Carros antigos chegam a valer R$2 milhões

Veículo mais caro foi vendido por capixaba no ano passado, sendo uma das duas únicas unidades do modelo presentes no País

O engenheiro mecânico e colecionador Hadriel Benício conta que fundou a Original Box com o objetivo de viabilizar a restauração de qualquer carro antigo, já que o segmento sempre teve de lidar com a dificuldade de achar peças de reposição. Sua empresa fabrica peças descontinuadas, obsoletas ou personalizadas para veículos antigos, itens de difícil acesso no mercado comum, com uso de impressão 3D.

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O mercado de veículos antigos clássicos é chamado de “antigomobilismo”, e inclui colecionadores e pessoas focadas em preservar a história e restaurar carros antigos. No Estado, esse mercado inclui veículos vendidos por até R$ 2 milhões.

Um dos valores mais altos em transações ocorreu recentemente, segundo fontes do segmento revelaram em reserva. O vendedor foi um capixaba que levou seu Plymouth 1970 Superbird a uma exposição em Águas de Lindoia (SP), onde o carro foi arrematado pelo dono de um museu. Atualmente, há apenas duas unidades desse modelo no Brasil.

Outro exemplo é o dono de um Ford Fairlane 500 fabricado em 1970. Leonardo Paes Sol está vendendo o veículo, que pertenceu no passado a um embaixador dos EUA que morou em Brasília, por R$ 400 mil para realizar um sonho de infância: comprar um veículo da década de 1950.

“O carro chegou ao Brasil em 1975, e ainda possui os selos no para-brisa de Virgínia daquele ano. Ficou parado por 35 anos e possui até manual do proprietário. Estou vendendo porque estou em busca de um veículo da década de 1950, que sempre foi o meu sonho. Tenho carros antigos desde os 18 anos, quando tive um Dodge Charger RT”, contou.

O anunciante – que divulga o veículo em seu instagram @don_sol_classicgarage e também é dono de duas motos Harley Davidson de 1970 e de uma Barracuda de 1970 – faz parte de um grupo no Facebook de compra e venda de veículos clássicos com mais de 6 mil integrantes.

Além do Farilane anunciado por Leonardo, há no Estado anúncios de outros carros, incluindo um Gol GTi 2000 de 1994 avaliado em R$ 230 mil e uma Veraneio Custom S de 1994 avaliada em R$ 135 mil, um Ford Mustang de 1973 avaliado em R$ 305 mil e até um Ford fabricado em 1946 avaliado em R$ 130 mil.

Conforme o diretor de Marketing do Clube dos Admiradores de Veículos Antigos (Clava-ES), Tasso Lugon, o mercado de carros clássicos depende do estado de conservação, originalidade e história do veículo:

“É um mercado discreto. Muitas negociações ocorrem de forma privada, entre colecionadores, o que dificulta estimativas públicas. São veículos, inclusive, que tendem a valorizar, porque há uma escassez, e são valorizados pela originalidade, relevância histórica e apelo emocional”.

Lugon diz que veículos clássicos tendem a exigir cuidados diferentes dos modelos atuais. “Demandam mais manutenção preventiva, atenção especial a sistemas mecânicos, elétricos e de arrefecimento, além de cuidados com ferrugem, vedação e peças de borracha. Além disso, há dificuldade em achar peças”.

Foi de embaixador

Leonardo Paes Sol está vendendo seu Ford Fairlane 500, fabricado em 1970, por R$ 400 mil. O carro é de origem de Virgínia, nos Estados Unidos, chegou ao Brasil em 1975 e pertenceu a um embaixador norte-americano que morou em Brasília.

Modelo raro negociado no ES


O Plymouth 1970 Superbird é um modelo raro, com apenas duas unidades presentes no Brasil. Uma delas pertencia a um capixaba, mas foi vendida no ano passado por cerca de R$ 2 milhões a um proprietário de um museu.

Saiba mais

Milhões de colecionadores

Segundo o Jornal O Globo, o Brasil tem cerca de 1,2 milhão de colecionadores de carros clássicos, sendo o país latino-americano líder no segmento.

Paixão em alta pelos modelos antigos

Modelos clássicos como Fusca, Chevette, Opala e Kombi nunca saíram do imaginário popular. O antigomobilismo cresce no País, movimentando R$ 32 bilhões/ano segundo a Federação Internacional de Veículos Antigos. Empresas também resgatam nomes do passado e criam segmentos de restauração, como a Chevrolet, que lançou a linha Vintage.

Levantamento mostra que a procura por serviços de restauração de carros antigos no Google Brasil ultrapassou 100 mil pesquisas em 12 meses, alta de 24%.

Fusca tem concorrência

Quando se fala em veículos clássicos, um dos primeiros que surgem na mente do brasileiro é o Fusca, clássico da Volkswagen que chegou ao Brasil em setembro de 1950, originalmente com o nome de Volkswagen Typ 1, mas acabou recebendo o apelido informal de “Fusca” pela dificuldade da população brasileira em pronunciar o nome da montadora alemã.

Apesar de ter começado a ser vendido no País em 1950, o primeiro ano de produção nacional do Fusca foi 1959. A produção se manteve até 1986, quando foi paralisada, até ser retomada em 1993. Porém, em 1996, o veículo parou de ser produzido no Brasil de vez.

Apesar de simbólico para a categoria de clássicos, o Fusca perdeu, em 2024, o posto de carro clássico mais procurado na internet: as buscas pelo Volkswagen Gol GTi – criado em 1980 – superaram o “irmão” mais velho. A informação é de um levantamento da Webmotors Insights.

Acima da taxa Selic

Mais do que uma paixão, o carro antigo tornou-se investimento. Estudo da FGV apontou que modelos clássicos brasileiros se valorizaram até 135% acima da taxa Selic em uma década, com exemplos icônicos como a Kombi “Corujinha” e o Fusca “Itamar”. Mas, para garantir que essa valorização siga crescendo, especialistas destacam que a conservação estética é um fator determinante.

A equipe da AutoZone Brasil, rede de autopeças e acessórios automotivos, reforça que cuidar da parte visual e de acabamento é tão importante quanto manter o motor em dia.

Dicas para conservação

  1. Preserve a pintura original; se preciso restaurar, use tintas e técnicas que mantenham cor e acabamento de fábrica.
  2. Proteja o carro de sol, chuva, umidade e poluição; estacione em locais cobertos e use capas adequadas.
  3. Use produtos específicos: xampu neutro, panos de microfibra e ceras de qualidade; evite itens abrasivos.
  4. Cuide do interior: hidrate bancos de couro ou vinil, limpe forrações e evite umidade para preservar conforto e originalidade.
  5. Documente: guarde notas fiscais, registros de manutenção e laudos originais.


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