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POLÍTICA

Rinaldo Júnior critica “falas elitistas” e ofensas ao povo na Câmara; veja detalhes

Vereador critica sessão marcada por pedidos de esvaziamento das galerias e ofensas ao público, ora chamado de mundiça, ora de vagabundo

Rinaldo Moura, vereador do Recife
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A temperatura política na Câmara Municipal do Recife permaneceu elevada após a rejeição do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). O vereador Rinaldo Júnior (PSB) subiu à tribuna para classificar como “elitistas”, “antidemocráticos” e “excludentes” os discursos proferidos pela oposição durante a sessão desta terça-feira (3).


O parlamentar lembrou que, desde o início de sua fala e mesmo sendo contrário, pediu respeito ao pronunciamento do vereador Eduardo Moura (Novo), autor do pedido de afastamento do prefeito. Mas não viu, em plenário, atitudes semelhantes da oposição.

Ele rebateu falas que chamaram populares do Recife presente nas galerias de “mundiça” e “vagabundos”, apontando uma postura agressiva de vereadores alinhados ao bolsonarismo contra quem ocupava o plenário em defesa da gestão municipal.

Rinaldo leu, em dicionário, o significado do termo “mundiça”, usado pelo vereador George Bastos (Novo) para se referir a quem queria ter acesso às galerias. 



O parlamentar governista destacou o tratamento dispensado ao cidadão comum que utiliza o transporte público ou que pensa diferente.


Rinaldo citou nominalmente o autor do pedido de impeachment, Eduardo Moura (Novo), que teria afirmado que manifestantes teriam que “viver como babões e pegar ônibus” para estar na Casa. “O que eles querem dizem com isso? O trabalhador que pega todos os dias seus ônibus lotados não merece o respeito, nem merece ser ouvido?”, questionou o vereador.

“Hoje está marcado (o dia) onde vereadores da Câmara Municipal da cidade do Recife chamaram o povo que veio acompanhar as sessões de ‘vagabundos'”, continuou, frisando que não sucumbiria às ameaças dos adversários.


Conflito nas galerias e pedidos de censura


O ambiente de hostilidade se estendeu aos microfones de aparte. O vereador Felipe Alecrim (Novo) solicitou o esvaziamento das galerias logo no início da sessão.


O pedido de esvaziamento expôs uma tentativa de silenciar o outro lado e a pressão popular num ambiente que é considerado a “Casa do Povo”.


Um outro vereador (PL) acusou o prefeito de não ter “cunhão” para comparecer à Câmara — no momento em que João Campos (PSB) cumpria agenda em Brasília. Foi chamado a atenção por falta de decoro pelo presidente Romerinho Jatobá (PSB).


Do outro lado, o público alinhado ao PSB reagiu com xingamentos, chamando parlamentares de direita de “chupetinha”.


Defesa da gestão e machismo no plenário


Além das ofensas ao público, Rinaldo Júnior denunciou o que chamou de tentativa de diminuir a vereadora Natália de Menudo (PSB), chamada de “mentirosa” durante o debate. 


Para o socialista, as atitudes revelam uma resistência de parte da oposição em conviver com o rito democrático. “Hoje a gente enxerga essa quantidade de raiva. Mas essa raiva passa. A política que eu construo não é dessa forma”, declarou.


Ao final, o parlamentar defendeu o cronograma de entregas da prefeitura, citando obras de infraestrutura, escolas e unidades de saúde como resposta ao processo. O pedido de impeachment foi arquivado por 25 votos a 9, com a justificativa de que a nomeação de um procurador, pivô da crise, foi um ato administrativo corrigido e sem danos aos cofres públicos. Houve uma abstenção.

Sem registro na ata e ameaça de demissão

Sem provas, vereadores da oposição também ameaçaram quem estava nas galerias do plenário de demissão, sugerindo que eles eram ligados a cargos comissionados da gestão do prefeito João Campos e teriam faltado ao trabalho.

Outro detalhe marcou a condução dos trabalhos: o presidente da Casa, Romerinho Jatobá (PSB), solicitou diversas vezes que trechos dos discursos mais agressivos da oposição não fossem registrados em ata.

A medida, embora prevista para manter o decoro, dificultará o resgate histórico e a pesquisa futura sobre o tom real das discussões em sessões de alta voltagem política.

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