
O casamento que foi bancado com recursos da Lei Rouanet, segundo a Polícia Federal, contou com show de Leo Rodriguez, cantor sertanejo e foi realizado no 300 Beach Club, na praia de Jurerê Internacional em Florianópolis, um espaço de frente para o mar.
Os noivos seriam Caroline Monteiro e Felipe Amorim, filho de Antonio Carlos Bellini, dono da Bellini Cultural, que foi apontado como o cabeça no esquema de fraudes da Lei Rouanet e o alvo da operação Boca Livre. A operação deflagrada nesta terça-feira, 28, prendeu em São Paulo o empresário e sua mulher. Felipe é gerente de marketing do Grupo Bellini Cultural.

Fotos do casamento estão disponíveis em um site e mostram desde os preparativos da noiva até a apresentação do cantor sertanejo, que ficou famoso por sua superprodução nos shows e pelos hits “Atmosfera”, “Bara Bará Bere Berê”.
No inquérito da Polícia Federal foi anexado um vídeo do casamento, em que os convidados aparecem bebendo espumante na garrafa e dançando. Em outro vídeo publicado na página do Facebook da noiva, é possível ver os convidados aproveitando a piscina um dia antes da festa. O clube em que foi realizado o casamento é descrito em sua página na internet como “uma balada chique com comida fina”.
“O nome Operação Boca livre é genial porque nós assistimos a gravação de um vídeo de um casamento, uma festa boca livre que nós pagamos”, afirmou Alexandre de Moraes, ministro da Justiça, que esteve em São Paulo para a cerimônia de inauguração de software de investigação que foi usado na operação.
Moraes ressaltou que o casamento ocorreu em um hotel cinco estrelas. “Quando casei fiquei pagando um ano. No casamento desse senhor, o pagamento foi feito com a Lei Roaunet em hotel cinco estrelas, com direito a vídeo. Nós achamos que modelos tivessem sido contratados para fazer o vídeo, mas eram convidados, todos posando, estourando champanhe”, disse.
Segundo a Polícia Federal, as investigações sobre o esquema tiveram início em 2014, após a Controladoria Geral da União (CGU) repassar informações sobre irregularidades na concessão de incentivos. As fraudes ocorriam de diversas maneiras, como superfaturamento, apresentação de notas fiscais fictícias e projetos duplicados. Além da festa de casamento, as investigações apontaram ainda a realização de eventos corporativos, shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas e livros institucionais com o dinheiro obtido pela Lei Rouanet.