
A paixão por futebol pode levar torcedores a viverem as mais diversas emoções e situações, inclusive, o endividamento. Dois em cada dez fãs do esporte no Brasil descontrolam suas contas e até ficam inadimplentes com gastos com o futebol.
Pesquisa realizada em julho e divulgada este mês pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que 21,3% dos torcedores brasileiros tiveram desequilíbrio no orçamento por causa de gastos excessivos com itens relacionados a futebol, como bebidas, camisas, ingressos para jogos e pagamento de TV por assinatura, entre outros.
Para quase todos esses, o descontrole das contas levou à inadimplência: 21,8% dos torcedores tiveram o nome inscrito em cadastros de inadimplentes, sendo que 9,5% ainda se encontram com o CPF negativado por causa disso. Como consequências desses gastos, 43,6% dos torcedores admitiram que já deixaram de guardar dinheiro e 10,5% tiveram até mesmo que vender algum bem para cobrir esse tipo de despesa. O gasto médio do torcedor em junho – mês de referência da pesquisa – foi de R$ 255,72.
Para a economista chefe do SPC Brasil,Marcela Kawauti, esse endividamento pode ser explicado pelo fator emocional. “Muita gente tem um motivo de descontrole, por exemplo, roupa ou sapato. Mas, com o futebol, o fator emocional envolvido faz com que a pessoa não veja limites nos gastos”, disse.
Segundo Marcela, o levantamento também mostrou que a maioria dos descontrolados são jovens (de 18 a 24 anos) e das classes C, D e E. “Justamente as classes que têm o orçamento mais restrito. Então, qualquer gasto a mais, mesmo que pequeno, compromete todas as contas”, disse.
O economista especialista em economia doméstica Mário Vasconcelos afirmou que a principal dica para se equilibrar financeiramente é estabelecer uma porcentagem para destinar o dinheiro. “Todos os gastos, desde o aluguel até os itens de lazer, têm que estar programados de acordo com a faixa salarial. Essa programação não pode ser engessada, mas ela tem de ser respeitada. O salário é limitado, mas os desejos são crescentes. Por isso a conta não fecha”, diz Vasconcelos.
Samantha Dias
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