Um americano de 38 anos contraiu o vírus da zika, e pesquisadores acreditam que a transmissão pode ter ocorrido por lágrimas ou pelo suor de seu pai que estava morrendo. O pai de 73 anos foi hospitalizado após contrair a doença no México.
Pesquisadores descartaram que o filho tenha contraído o vírus através de picada de mosquito infectado ou por contato sexual. O estudo do caso foi publicado na quarta-feira, 28, no “The New England Journal of Medicine”.
Segundo o jornal, o filho enxugou as lágrimas de seu pai e o ajudou a reposicioná-lo na cama sem usar luvas. Ele não teve contato com o sangue do pai ou com outros fluidos corporais. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), exames mostraram que havia uma concentração anormalmente elevada do vírus zika no sangue do pai, de cerca de 100 mil vezes maior do que os níveis encontrados em outros pacientes.
Em comunicado, a Escola de Medicina da Universidade de Utah destacou que o alto nível poderia explicar “como o segundo paciente pode ter contraído o vírus pelo contato casual do paciente primário, o primeiro caso documentado deste tipo”. Os dois pacientes foram tratados no local.
No entanto, os cientistas ainda não sabem porque os níveis do vírus no sangue do pai eram tão altos, e especulam que isso pode ter acontecido por ele ter contraído dengue anteriormente. O jornal Washington Post citou o especialista em doenças infecciosas da Universidade de Utah, Sankar Swanminathan, que ressaltou que algumas pesquisas sugerem que infecções anteriores pelo vírus da dengue podem piorar uma infecção de zika.
Um mês antes de contrair a doença, o pai foi submetido a radioterapia, por causa de um câncer de próstata, e recebia terapia hormonal antiandrógeno. No entanto, seu sistema imunológico não havia sido comprometido até ter zika. Ele morreu após passar quatro dias internado, e foi a primeira morte pela doença nos Estados Unidos. O filho apresentou sintomas leves de zika e se recuperou após uma semana.
“Este caso raro está nos ajudando a entender o espectro completo da doença e as precauções que podemos precisar tomar para evitar a transmissão do vírus de uma pessoa para outra, em situações específicas”, disse Swaminathan, em uma nota de imprensa da Universidade de Utah. “Este tipo de informação poderia nos ajudar a melhorar os tratamentos para o zika, enquanto o vírus continua se espalhando por todo o mundo e dentro de nosso país”.