
“Pare de tomar a pílula, pare de tomar a pílula, porque ela nãodeixa o nosso filho nascer”. A canção de Odair José, que fez sucesso na década de 1970 e chegou aser censurada por ser considerada propaganda contrária à distribuição das pílulas para controle de natalidade, hoje está mais atual do que nunca. Muitas mulheres estão repensando o consumo de contraceptivos hormonais, não porque querem engravidar, mas sim pela saúde!
Cerca de 40 anos após o surgimento da pílula, a maioria das mulheres ainda se vê presa ao método. Entretanto, há uma movimentação em grupos de mulheres que discute a utilização dos anticoncepcionais e suas experiências negativas, que vão desde mudanças de humor e falta de libido até o risco de doenças, como trombose.

“Além disso, minha pele e meu cabelo eram oleosos e muitas vezes tinha falta de libido.Depois de refletir, procurei minha médica e pedi para ela me ensinara tabelinha. Logo no primeiro mês minha dor de cabeça diminuiu, minha pele e cabelo melhoraram e a libido também”.
Aline lembra que nos primeiros meses sem hormônio o corpo ainda precisa se desintoxicar,então o ciclo menstrual desregula e apele pode sofrer com espinhas. “Mas hoje digo que minha vida mudou”.
A empresária Narjara Pianis,27, também rompeu com os hormônios. Depois de sete anos tomando injeção ou pílula, há um ano ela decidiu dar uma pausa.
[quote]“Eu já não gosto de tomar remédio, e minha mudança de humor era drástica, tinha pouca libido e pele muito oleosa. Depois que parei, muita coisa mudou na minha vida”. Narjara usa tabelinha de aplicativos de celular que ajudam a organizar o ciclo dividindo os dias de ovulação, menstruação e aposta no preservativo. “Não quero engravidar, então me previno”.[/quote]
A fisioterapeuta Aline Alves,32, toma anticoncepcional desde os 18 anos por ter ovário policístico. Além das enxaquecas que o hormônio causa, ela teme ter dificuldade para engravidar. “Alguns médicos falam que não tem nada a ver, outros dizem que muito tempo de pílula dificulta engravidar. De fato,a gente se sente presa à pílula, mas cada vez mais é preciso pensar sobre isso”.
Casos de trombose assustam

Falta de libido, oleosidade no cabelo e na pele, náuseas e mudanças de humor… Nenhum desses problemas assusta tanto as mulheres quanto a possibilidade de tomar anticoncepcional e sofrer de trombose. É cada vez mais comum tomar conhecimento de casos da doença nas mulheres.
A educadora física Kamila Blois, 32, começou a tomar anticoncepcional aos 19 anos para tratar cisco no ovário. Seis meses depois, foi vítima de trombose na perna e proibida pelo médico de tomar pílula, mas aos 27 anos teve embolia pulmonar devido ao seu problema de c i rc u l a ç ã o.
“O anticoncepcional me prejudicou muito. Comecei a tomar por causa de um cisto no ovário, mas para quem tem risco de trombose o hormônio é um fator de risco. Então, ele desencadeou essa doença em mim,segundo meu médico. Hoje tenho restrição alimentar, dificuldade para me submeter a cirurgias e preciso tomar remédio o resto da vida”, disse.
O angiologista e cirurgião vascular Marcelo Quintão tem percebido um aumento na procura de informações sobre trombose, e afirmou até que alguns ginecologistas encaminham pacientes para exames antes de prescrever a pílula.
“Entretanto, vale ressaltar que em mais de 90% dos casos de trombofilia associados a anticoncepcionais a mulher já tinha predisposição para a doença”,disse o m é d i c o. O ideal,segundo ele,é procurar saber o histórico clínico da paciente,se há problemas de circulação na família, além de buscar informações sobre tabagismo, obesidade e sedentarismo.
Remédios mais modernos oferecem menos riscos
Ginecologistas vêm recebendo todos os dias dentro dos consultórios questionamentos e angústias de mulheres que desejam parar de usar ou mudar o anticoncepcional, mas profissionais explicam que hoje os remédios estão mais evoluídos e oferecem menos riscos à saúde.
A ginecologista Isabela Rangel entende que o remédio está presente na vida das mulheres há muitos anos, e muitas sofrem com efeitos colaterais, entretanto, ela explica que a taxa hormonal foi reduzida, o que ajuda a minimizar alguns sintomas.
[quote]“Todos os anticoncepcionais, com exceção do DIU de cobre (que não pode ser utilizado por todas as mulheres, especialmente as que têm endometriose), tem dosagem de progesterona e (ou) estrogênio. Esse último está mais ligado aos casos de trombose, masa taxa hormonal é muito menor. Os remédios hoje têm entre 15 e3 5 microgramas de estradiol,que é um tipo de estrogênio. Ou seja, é infinitamente menor do que há algumas décadas”.[/quote]
A médica concorda que muitas mulheres que fazem uso de pílulas sentem menos apetite sexual, e explica que algumas delas reduzem realmente o nível de progesterona do corpo, que é conhecido como o hormônio do prazer. “Mas isso precisa ser analisado individualmente entre paciente e médico”.
Questionada se o uso da pílula por muitos anos pode dificultar uma futura gravidez, ela é enfática: “Não há nenhuma relação. A mulher nasce com uma reserva de óvulos. Todos os meses perdemos cerca de mil óvulos, isso independente do anticoncepcional, pois é uma morte celular programada. É Apenas a injeção de hormônio trimestral pode atrasar a gravidez pelo período de até um ano”.
O ginecologista Sérgio Torres confirma que as mulheres estão mais preocupadas com o uso da pílula e diz que,embora o medicamento esteja mais moderno e ofereça menos prejuízos, antes de qualquer decisão –de parar ou mudar de método –é preciso conversar com um médico de confiança.
[quote]“Cada experiência é individual. Por isso, é preciso ter uma boa relação entre médico e paciente para que todas as dúvidas sejam sanadas e o melhor método escolhido. De maneira geral, o médico precisa analisar o histórico clínico da paciente e também respeitar o seu desejo, mesmo que seja de parar. Só é preciso orientação e uma boa conversa”, destacou.[/quote]
Pílula masculina é adiada por causar efeitos colaterais

O artigo foi publicado no periódico científico Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism e o estudo envolveu 320 homens que tinham entre 18 e 45 anos e estavam em relações monogâmicas. Foram aplicadas injeções bimestrais de hormônios supressores da produção de espermatozoides.
Entre os efeitos colaterais registrados estão variações bruscas na libido, maior tendência a desenvolver depressão (3%), dor excessiva no local da aplicação,acne e alterações de humor (3%). Oito dos 266 homens que completaram o estudo tiveram dificuldades para retomar a produção normal de espermatozoides até 52 semanas após interromper ouso. Só quatro engravidaram suas parceiras.
No total, 75% afirmaram que adotariam o método se ele estivesse disponível comercialmente, mas em 2011 o estudo foi interrompido por órgãos fiscalizadores pelos riscos que ofereceria à saúde das cobaias.
Antes disso, 20 dos participantes haviam deixado o experimento por não suportar os efeitos colaterais, considerados moderados. Mulheres usuárias de pílulas anticoncepcionais disponíveis no mercado, porém, tem 23% mais chances de tomar remédios para combater a depressão.
No caso das pílulas de progestógeno, o risco sobe para 34%. Entre mulheres que têm entre 15 e 19 anos, a taxa sobe para 70%. Além disso,os riscos de trombose venosa profunda, acidente vascular cerebral (AVC) e enfarte do miocárdio são todos comprovadamente mais altos.
“Entre 20% e 30% das mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais sofrem de depressão e têm que tomar medicação para isso. Esse estudo foi interrompido após apenas 3% dos homens relatarem sintomas do problema. É chocante”, afirmou Elisabeth Lloyd,professorada Universidade de Indiana (EUA).